Economia

Demel volta ao chão-de-fábrica

DA REDAÇÃO - 05/05/1999

Ponto para o Grande ABC: Herbert Demel, 45 anos, presidente da Volkswagen do Brasil e candidato à sucessão de Ferdinand Piëch na presidência mundial da multinacional alemã, está definitivamente instalado na fábrica da montadora na Via Anchieta, em São Bernardo. Ele ocupa sala no andar térreo da ala 17, que abriga  o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento de Veículos -- cérebro da Volks na América Latina. Dali percorre quase todos os dias as áreas de produção, atento ao projeto de modernização que garante a permanência da empresa na região, no mesmo local em que produziu no País a primeira perua Kombi, em 1957.


 


Nascido em Viena, na Áustria, com formação em engenharia mecânica, Herbert Demel é o que se pode chamar de executivo de chão-de-fábrica. Desde sua chegada ao Brasil, há exatamente dois anos, ele manifestou preferência por instalar-se próximo da linha de montagem, deixando para trás espaçosa sala no sofisticado prédio que a Volkswagen possui no Bairro do Jabaquara, em São Paulo. O edifício abriga, além do banco da montadora, executivos como o vice-presidente de Assuntos Corporativos, Miguel Jorge, que hoje cumpre metade do expediente de trabalho na unidade de São Bernardo, para ficar próximo do centro de decisões.


 


Com a vinda definitiva para o Grande ABC, Herbert Demel confirma tendência nas grandes corporações: aproximar seus executivos das linhas de produção. Virou folclore uma observação feita pelo ex-chairmam da Ford, James Padilla, logo que se instalou no Brasil, em 1996, transferido da Inglaterra, onde acabara de modernizar e tirar do vermelho a fábrica da Jaguar. Padilla, recentemente substituído pelo norte-americano Martin Inglis, foi até uma das janelas do Centro Empresarial de São Paulo, em Santo Amaro, onde a Ford concentrava em sete andares administração e executivos, e perguntou: "Onde está a fábrica?". Poucos meses depois a montadora norte-americana concentrou todos os departamentos no complexo do Taboão, em São Bernardo.


 


Audi é preterida


 


A opção de Herbert Demel pela fábrica do Grande ABC é relevante. O engenheiro austríaco foi incorporado ao quadro de executivos da Volkswagen quando a montadora adquiriu a também alemã Audi. Laços afetivos poderiam tê-lo feito optar pela fábrica brasileira da Audi, inaugurada em janeiro deste ano em São José dos Pinhais, no Paraná, com investimento de US$ 750 milhões e uma das tecnologias mais avançadas do País, onde serão produzidos o Audi A3 e o Golf. O Paraná faz contraponto ao Grande ABC porque sedia atualmente o segundo maior pólo da indústria automobilística no País.


 


Foi por seu trabalho à frente da Audi na Europa, principalmente no desenvolvimento de novos produtos – característica da sua formação em engenharia --, que Herbert Demel tornou-se um dos executivos preferidos do presidente mundial Ferdinand Piëch, que o escalou para comandar os negócios da multinacional alemã no Brasil. Demel substituiu o belga Pierre-Alain De Smedt, transferido para a presidência da Seat, na Espanha, que na época enfrentava dificuldade para se ajustar às exigências de produtividade e competitividade do mundo globalizado.


 


A ala 17 da fábrica de São Bernardo, a mais secreta da Volkswagen na América Latina, é envolta por uma mística. Sua localização é tão estratégica, no ponto mais alto do terreno à margem do quilômetro 23,5 da Via Anchieta, que até a natureza ajuda a protegê-la de eventuais espionagens. É frequente a neblina da Serra do Mar deixá-la totalmente encoberta, enquanto o sol brilha em todas as demais dependências da fábrica. Só entram nessa ala profissionais de ponta da Volkswagen, além dos principais executivos, e representantes de fornecedores que têm participação ativa nos projetos desenvolvidos pela multinacional.


 


Todas as decisões estratégicas da Volkswagen latino americana, e também as inovações tecnológicas incorporadas aos produtos, são definidas nas salas da ala 17. É numa dessas salas que foram desenvolvidos os protótipos das novas versões do Gol e da Parati, carros concebidos 100% no Brasil e que, por enquanto, têm adiada a substituição por um produto mundial da montadora. É também na ala 17 que a Volkswagen desenvolve a nacionalização de modelos importados, como Passat, Variant, Audi e Golf, concebidos originalmente para as condições menos precárias das ruas e estradas do Primeiro Mundo.


 


Para reforçar que é do chão de fábrica, Herbert Demel enviou no mês passado carta a cada um dos 25 mil trabalhadores das fábricas de São Bernardo e Taubaté na qual pede adesão à campanha de motivação à qualidade e produtividade, e de combate à crise econômica, promovida pela empresa. Os funcionários participam de debates sobre o momento econômico e atividades esportivas, de recreação e confraternização. 


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