O empresário Hitoshi Hyodo é dirigente do Ciesp (Centro das Indústrias) de São Bernardo. Ele manifestou-se através de e-mail sobre o artigo que escrevi na última quinta-feira (veja o link). Democraticamente vamos reproduzir o material logo abaixo, sem alterar uma vírgula sequer, sem adaptar nada em termos de manual de redação -- exatamente para que a integridade do texto não seja tocada. Hitoshi Hyodo é uma das lideranças jovens do empresariado de São Bernardo. Ele tem todo o direito de posicionar-se contrariamente a alguns pontos abordados por este jornalista. Seu direito é sagrado e se valoriza na medida em que tem substância, concretude, consistência.
Não vou introduzir qualquer contestação ao que se seguirá. Prefiro deixar para outra ocasião. Não acho conveniente opor-me já a algumas afirmações porque o dirigente do Ciesp mostrou-se transparente, claro, objetivo. Nada mais justo que os leitores tenham o posicionamento dele de forma isolada nesse momento.
Seria ótimo se algumas supostas lideranças da região tivessem a mesma qualificação argumentativa de Hitoshi Hyodo e, principalmente, o espirito preparado ao contraditório. Todos teriam a ganhar. A lista de gente que protagoniza a vida regional mas não suporta qualquer restrição jornalística, por mais apetrechada que seja, é imensa. O campeão de bilheterias é o empresário Milton Bigucci, de atuação nefasta no Clube dos Especuladores Imobiliários da Província do Grande ABC e protagonista de vários casos de escândalos que o tornam frequentador potencial, quando não prático, insofismável, de delitos contra consumidores e contribuintes.
Idoneidade premiada
Milton Bigucci não só jamais respondeu a uma entrevista sequer desta revista digital como, despudoramente em busca de proteção que só Deus sabe como consegue do alto da fortuna que amealhou, não se cansa de tentar me criminalizar na Justiça. Como se isso fosse algo que não me envaidecesse. Cada eventual condenação que obtenha, porque o dinheiro de que desfruta pode praticamente tudo, menos comprar a verdade dos fatos, mais fortalecerá o selo de idoneidade deste profissional.
A manifestação de Hitoshi Hyodo é tão claramente objetiva que nem mesmo eventuais interpretações não necessariamente corretas que tenha assimilado do artigo que escrevi me levam a produzir algum tipo de reparo suplementar. Deixo, portanto, aos leitores, a íntegra do e-mail do dirigente. Que Milton Bigucci e outros ditadores informativos de plantão tenham a mesma coragem e – muito mais que isso – o mesmo rol de argumentos do dirigente do Ciesp de São Bernardo. A democracia informativa só terá a ganhar com isso. Vamos, então, à manifestação de Hitoshi Hyodo:
“Estimado Daniel, saudações. Inicio com meu mais profundo pedido de desculpas a você em quaisquer ações que eu tenha feito (ou não feito), que tenha lhe ofendido ou prejudicado. Fico feliz e honrado em ser lembrado e ser pauta exclusiva de seu recente artigo. Sou leitor contumaz de seu blog bem como era de sua, na época, prestigiada revista regional Livre Mercado e quero reiterar e agradecer pelas suas manifestações, em destacar e lembrar-se de minhas responsabilidades junto à comunidade empresarial/industrial de São Bernardo bem como junto à opinião pública, aos cidadãos de nossa cidade e região”.
Mais Hitoshi Hyodo:
“Primeiramente retifico informação inicial sobre nossas conversas em relação ao Cadastro Geral da Indústria (embora seja projeto homônimo ao do CIESP-SBC de quase 10 anos atrás) produzido pela prefeitura de SBC: a iniciativa foi exclusiva do executivo municipal e pelo que me consta foca em dados cadastrais sem a profundidade do projeto em que debatemos na época. Este cadastro teve apoio institucional do CIESP-SBC (como outras iniciativas) e participação de representante nosso na apresentação do projeto, mas não idealizamos nem participamos da operacionalização nem tampouco de sua abrangência e menos ainda da consolidação das informações. Lembro que em algum momento deste projeto encaminhamos necessidade de correções por abordagens indevidas feitas pelas equipes de rua na obtenção dos dados, assim que recebi alerta de nossa base de associados. Ressalto que o sistema CIESP/FIESP produz anualmente um cadastro de indústria com abrangência estadual”.
Mais Hitoshi Hyodo:
“O projeto em que dividimos ideias e conceitos infelizmente não teve encaminhamentos, por exclusiva falta de competência minha, recursos financeiros da regional e principalmente, falta de tempo, como você corretamente destacou. Não são justificáveis dada relevância do tema, mas ainda acalento desejo pessoal em termos um núcleo de inteligência onde pudéssemos analisar com a devida profundidade, os movimentos de curto, médio e longo prazo relacionados ao ciclo de vida das indústrias, os setores em ascensão e queda, as receitas geradas com tributos destas empresas (valor adicionado), os empregos não apenas em quantidade absoluta mas por qualidade (salários), as estatísticas do sistema educacional para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho, suas qualificações, as iniciativas em disseminar cultura empreendedora no sistema de educação, seja básica, técnica e as condições de absorção destes jovens no mercado de trabalho de forma digna, bem como falamos tangencialmente sobre formação e perfil da massa atual de trabalhadores e sobre o futuro do trabalhador da indústria; enfim, lembro que debatemos muito mais um núcleo de inteligência do que um simples e superficial cadastro de empresas e a intersecção matricial entre este conjunto de informações”.
Mais Hitoshi Hyodo:
“Contribuindo ainda com seu artigo, reitero agradecimento pela sua presença em nossa reunião plenária e relembro a situação da época: estávamos em meio às manifestações populares com a expectativa de grave crise institucional (que não se efetivou) e isto motivou convidá-lo para dividir suas impressões e opiniões junto aos nossos pares, sobre os desdobramentos e consequências daquele momento. Destaco novamente, não levei nenhuma de nossas ideias e conversas ao secretário de desenvolvimento de São Bernardo até porque por desencontro de agendas, o vejo raramente. Nossos diretores, conselheiros e equipe participam de iniciativas e projetos de relevância do setor produtivo e da cidade nas mais diversas áreas do executivo municipal. Importante destacar e retificar outro ponto fundamental de seu artigo: meu “sumiço” não tem “relação íntima” (rs) com nenhuma “politica de retaliação e de comando dos cordéis políticos, econômicos e midiáticos”, quaisquer que sejam: Luiz Marinho, Paulo Skaf, Campos Machado, Alex Manente, Tarcísio Secoli, Orlando Morando, Rafael Marques ou qualquer outro politico, dirigente, empresário, sindicalista ou “forças ocultas” não são motivos de nossa ausência de contato. Estes citados inclusive são agentes políticos e econômicos relevantes da cidade, região e estado, com os quais mantenho relação de respeito e reciprocidade sem nenhuma restrição. Reitero que nossa ausência de contato cabe exclusivamente à falha minha (talvez nossa?)”.
Mais Hitoshi Hyodo:
“E com relação à entrevista com Juliana Bontorin do DGABC, moça simpática que eu não conhecia, teve foco mais social-institucional que institucional-econômico, até porque, minhas manifestações com relação a atual situação econômica local e macroeconômica do país, faço por notas próprias ou por entrevistas a repórteres das editorias de economia, como o querido “jurássico” Leone (rs), repórter de longa data do DGABC e que imagino, já trabalhava lá durante sua passagem pelo jornal. Aproveito, apesar de longa mas aprazível oportunidade, reparar alguns pontos, mas também destacar e ratificar alguns outros contigo, como a questão sempre oportunamente levantada sobre a importância em seus bônus (impostos, empregos, cadeia produtiva) bem como o ônus (fragilidade da matriz industrial, emprego, impostos) da concentração e peso da indústria automotiva na região e em especial em São Bernardo do Campo. A cidade e região são parceiras, inimigas ou são reféns das montadoras? Cabe análise consistente e com devida profundidade sobre o assunto”.
Mais Hitoshi Hyodo:
“Em relação às montadoras ainda, estendo um pouco mais a discussão sobre incentivos, não incentivos, políticas que funcionam e não-funcionam que têm foco em ações e correções meramente conjunturais. Dividi em reunião recente com nosso Conselho Diretor do CIESP-SBC que as montadoras e seus trabalhadores não devem se preocupar apenas com montadoras chinesas ou com políticas de incentivo de curto prazo: o ofensor ao crescimento e desenvolvimento desta importante cadeia industrial está em empresas como a Google e a Apple e um exemplo claro é a ex-gigante finlandesa Nokia focada em “hardware”, que sucumbiu ante a Microsoft e que em médio e longo prazos, pode vir a acontecer no setor, pois o modelo automotivo está sendo completamente repensado e redesenhado por estas gigantes da área de tecnologia. Divido contigo e seus leitores se você permitir, que a agenda do CIESP-SBC continua ativa: realizamos esta semana nossa primeira reunião plenária (originalmente seria semana passada, mas alteramos em função da agenda do palestrante) com o superintendente regional da Sabesp para nos posicionar sobre a situação real da crise hídrica e como continuidade, estamos efetivando agenda de trabalho com eles nos moldes como fizemos com a Eletropaulo”.
Mais Hitoshi Hyodo:
“E sobre Eletropaulo, informo que ontem (5) estive em agenda com técnicos da área de investimentos da companhia e eles vieram me confirmar (já tínhamos tratativas) sobre a aprovação da construção de nova subestação de distribuição de energia, que será no B. Cooperativa ou Diadema e que beneficiará não só o bairro, mas toda cidade de São Bernardo e Diadema, fruto do trabalho iniciado de forma tensa, mas que com objetivo comum focado em solução, chegamos a um ponto ótimo de relacionamento e resolução de problemas - e este trabalho beneficiou outras regiões como, por exemplo, o polo de Sertãozinho.
Apesar de primeira plenária realizada em inicio de março, outras ações internas estão em curso desde 2 de janeiro: reunião de nosso Conselho Diretor para prestação de contas e avaliação de desempenho da instituição em 2014 bem como revisão de nosso Planejamento Estratégico 2015-2018, agenda de trabalho de nossas diretorias temáticas e reestruturação de outras tantas - destaco que estamos renovando nosso quadro de diretores temáticos, em especial nosso DEINFRA-SBC, onde desejamos retomar pauta fundamental pra cidade e região, com discussões como mobilidade do transporte de cargas (já iniciadas com Secretaria de Trânsito e Transporte da PMSBC), energia, telecom, enfim, estamos, como sempre fizemos trabalhando, trabalhando muito e trabalhando sério”.
Hitoshi Hyodo completa:
“Finalizo reiterando desculpas por eventual desconforto ou ofensa em nossa ausência de conversas. Como bem colocado, evidentemente tenho limitações institucionais sim e de competência, além de um problema de origem: minha formação mais tradicional e familiar talvez dificulte dialogar com jornalistas e repórteres. Mas sei da importância não só em realizar, mas em comunicar as realizações (tanta gente que só comunica e não realiza, não é mesmo? E uma última retificação: somos e fomos contrários ao aumento de tributos municipais (e em quaisquer outros níveis de governo). Além de nossas manifestações diretamente aos responsáveis e dirigentes públicos municipais, o nosso vice-diretor e vereador Mauro Miaguti que tem pautado seu trabalho na Câmara Municipal pelo desenvolvimento econômico real da cidade, votou contra este aumento. Infelizmente não obtivemos sucesso, mas respeitamos e acatamos de forma absolutamente democrática as decisões que são soberanas seja no legislativo quanto no executivo municipal. O CIESP-SBC bem como diversos agentes sociais e econômicos da cidade sérios trabalham em prol de uma cidade cada vez melhor que propicie um ambiente amigável ao empreendedorismo, aos investimentos produtivos e principalmente, um ambiente que estimule o desenvolvimento de nossos jovens e de toda nossa população. Um grande e caloroso abraço”.
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20/02/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (21)