Economia

Por que a Pirelli foge da mídia se a
Lufthansa encara queda de avião?

DANIEL LIMA - 01/04/2015

Está no Diário do Grande ABC de hoje que dirigentes da Pirelli fugiram pelas portas do fundo ao final da reunião de ontem no Paço Municipal de Santo André, quando supostamente prestariam informações sobre as consequências da compra da multinacional italiana por uma companhia chinesa. Está na Folha de S. Paulo de hoje que a Lufthansa admitiu ontem que obteve há seis anos informação de que o suicida (e por que não também múltiplo assassino) copiloto alemão Andreaz Lubitz havia sofrido “grave depressão”. Afinal, o que tem a Pirelli a ver com a Lufthansa? Tudo, tudo e tudo. Transparência. Mesmo que uma transparência forçada. E transparência no caso significa respeito à sociedade em geral. A Pirelli não tem respeito à sociedade específica, de Santo André e da Província do Grande ABC.


 


A indignação do Diário do Grande ABC é mais um grito restaurador da publicação que até recentemente transmitia a sensação de que mesmo se incomodando com as agruras sociais e econômicas da região não verbalizava com decibéis bem modulados uma consistente linha editorial de indignação. Tomara que o sentimento agora aparentemente mais orgânico que epidérmico contagie outras mídias locais não só sobre o caso Pirelli mas tantos outros a serem apurados.


 


O jornal impresso ABCD Maior poderia seguir essa linha em vez de publicar, como publicou hoje, a cobertura do encontro entre gente do Paço Municipal de Santo André e dirigentes da Pirelli com uma linguagem burocrática e relatorial, reservando apenas os últimos parágrafos e sem qualquer conotação restritiva ao escândalo de a Pirelli fugir da Imprensa.


 


O que se esconde?


 


Não quero mais chover no molhado sobre o futuro da fábrica da Pirelli em Santo André após o controle acionário pelos chineses que não são bobos nem nada e levam muito a sério o quesito competitividade. Insisto na possibilidade de que o negócio tanto pode ser bom como pode ser ruim para Santo André.


 


A diferença é que agora, passados alguns dias desde que indaguei sobre o futuro da fábrica, o comportamento dos representantes italianos flutua entre o silêncio corporativo e clichês públicos. Onde já se viu o descaso com os trabalhadores locais que, até agora, não tiveram sequer uma palavra explicativa da direção da empresa? O que tem a Pirelli a esconder de sua força de trabalho?


 


Apesar de todas as evidências estimuladas pelos executivos da companhia multinacional de que o futuro não parece ser exatamente um paraíso para os cofres de Santo André e a renda de quase três mil trabalhadores, não se pode misturar as bolas. Uma bola é a bola do controle acionário chinês e as perspectivas de competitividade mundial da fábrica de Santo André. Outra bola é a necessidade de impor o sistema de lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) de 450 funcionários, por conta da crise econômica encomendada por Lula da Silva consumista e sancionada por Dilma Rousseff imprevidente. Uma coisa é uma coisa circunstancial e outra coisa é outra coisa estrutural. Empacotar as duas situações é jogar fora a legitimidade social de cobrar respostas da Pirelli chinesa.


 


Mais secretários


 


Não vou perder muito tempo com eventual análise do comportamento de executivos da Prefeitura de Santo André escalados para recepcionar os enviados especiais da Pirelli. Colocar a vice-prefeita e secretária de Desenvolvimento Econômico Oswana Fameli e o secretário de Desenvolvimento Urbano Paulo Piagentini como interlocutores únicos é a prova cabal de despreparo da Administração no trato de questão tão grave. Outros secretários deveriam estar presentes. Sobretudo o de finanças, munido de planilhas que explicitassem números consolidados sobre a importância relativa da companhia às finanças públicas de Santo André.


 


Não bastasse o vácuo à interlocução mais sustentável entre os representantes da empresa multinacional em fase de transformações e um governo municipal absolutamente perdido na gestão da pasta de Desenvolvimento Econômico, sobrou ainda um enorme ponto de interrogação que passou em branco nas páginas impressas e digitais dos jornais: cadê o prefeito Carlos Grana, ex-sindicalista, que não deu as caras? Cadê o prefeito, cadê o prefeito? 


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