O promotor criminal Roberto Wider Filho tem prazo até esta segunda-feira para responder a Entrevista Indesejada formulada por este jornalista sobre o escândalo do Semasa, no qual transformou o que seria uma relação carnal consensual em estupro. Já o empresário da construção civil, Milton Bigucci, presidente do Clube dos Especuladores Imobiliários, cuja participação no escândalo do Semasa – entre outros – foi denunciada pelo advogado Calixto Antônio Junior, receberá na próxima semana a sétima versão de Entrevista Indesejada. Nas seis vezes anteriores, desde 2011, ele se recusou a responder.
Até agora o promotor de Justiça Roberto Wider Filho não deu qualquer sinalização de que responderá ao interesse público proposto por CapitalSocial. Embora tenha recebido a bateria de perguntas que procuram levar aos leitores detalhes sobre a investigação do Ministério Público de Santo André, Roberto Wider Filho preferiu não se manifestar. A ideia de que promotor de Justiça não pode ser objeto de questionamento é absurdamente tacanha. A transparência de ações de representantes de instâncias do poder constituído é uma das chaves da democracia.
Espero estar enganadíssimo sobre o destino das questões que formulei ao promotor de Justiça, mas desconfio que ele não se pronunciará porque vários pontos abordados são delicados. Principalmente o que diz respeito à transformação de propina em extorsão. Quando se esperava que a denúncia correia na mesma raia dos crimes cometidos na Capital, onde o Ministério Público age com rigor na apuração da Máfia do ISS, eis que Roberto Wider anunciou à mídia, recentemente, que bandidos ocupavam apenas um dos lados do balcão, no caso servidores públicos de Santo André, a começar pelo então prefeito Aidan Ravin.
Bangue-bangue de bandidos
Quem conhece os bastidores do mercado imobiliário na região – e isso vem de um passado bastante distante – sabe que não existem mocinhos nesse bangue-bangue que transforma os cofres públicos em extravagâncias delitivas. Por isso o anúncio do promotor criminal não se encaixa na lógica dos fatos. Pelo menos até que, eventualmente, em resposta à Entrevista Indesejada, o representante do Ministério Público convença o distinto público de que a denúncia que isentou mercadores imobiliários do passivo de roubalheira tem mesmo sustentação.
Já a expectativa de que Milton Bigucci responderá à sétima tentativa de Entrevista Indesejada deve ser alimentada apenas pelos ingênuos. O empresário foge de incômodos como o diabo da cruz. Os negócios à frente da MBigucci, o comando de mais de duas décadas do Clube dos Especuladores Imobiliários, onde manipula estatísticas, e, principalmente, as lambanças em denúncias de irregularidades, ferem fundo o perfil de quem acredita que diálogo com representante da sociedade não passa de abuso.
Milton Bigucci é daqueles exemplares de agentes de interesse público que para se livrar dos estragos cometidos com barbeiragens corporativas e institucionais avoca o direito à privacidade para judicializar críticas de jornalistas independentes. E há tribunais que lhe dão sustentação, ignorando completamente a liberdade de expressão com responsabilidade social.
Por isso que quando dizem que o milionário da MBigucci é poderoso, nada parece dar suporte à contestação. Exceto quem decide enfrentá-lo sem arredar pé da transparência.
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