Economia

Crise automotiva afeta mais região
do que Petrolão o Rio de Janeiro

DANIEL LIMA - 20/07/2015

O tamanho da crise do emprego industrial com carteira assinada na Província do Grande ABC é muito maior do que imaginam os inquietos e estratosfericamente mais grave do que supõem os ingênuos. Nos últimos 12 meses perdemos 41% empregos a mais que a cidade do Rio de Janeiro, profundamente atingida com o escândalo da Petrobras. Se isso ainda for insuficiente para chamar a atenção das chamadas lideranças locais, que seguem a dormir em berço esplêndido e correm atrás de protecionismo automotivo, que tal a informação de que as indústrias da região demitiram no mesmo período 26% mais que a soma de três das mais importantes capitais do País -- Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba?


 


Esses números foram retirados e metabolizados do Ministério do Trabalho e Emprego. Especificamente do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Emprego industrial é em larga escala a atividade profissional mais rentável e com maior valor agregado. Só numa Capital cosmopolita como São Paulo há em setores nobres de serviços nichos de empregos formais que se rivalizam e até superam os valores dos salários industriais. Na Província do Grande ABC o terciário de valor agregado era um sonho do então prefeito Celso Daniel que jamais ganhou materialidade.


 


Estrago geral


 


O estrago no emprego industrial da Província do Grande ABC é geral. Vale tanto para números absolutos, que desconsideram o tamanho de cada Município, como para números relativos, que compara o total de demissões com o estoque de trabalhadores.


 


Em números absolutos, as indústrias da região perderam, de julho do ano passado a junho deste ano, nada menos que 17.355 postos de trabalho. Mais que os 12.410 dos demitidos no mesmo período em Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba.


 


Em números relativos, o prejuízo da Província é igualmente forte: para cada 100 empregos industriais formais ao final de junho do ano passado, perdemos 7,12% nos 12 meses completados em junho deste ano. Curitiba perdeu 5,90%, Belo Horizonte 6,20% e Porto Alegre 4,46%. Juntas, aquelas três capitais contabilizaram ao final de junho último o total de 205.835 trabalhadores industriais com carteira assinada, 6,03% menos em relação ao total de meados do ano passado. A Província do Grande ABC contabiliza 230.062 carteiras assinadas no setor. Ou seja: sozinha, a região tem mais empregos industriais formais que as três capitais. O que torna a situação regional ainda mais complexa porque a crise econômica atinge diretamente a indústria de transformação.


 


Índice imbatível


 


A comparação quantitativa com o estoque de empregos indústrias da cidade do Rio de Janeiro é favorável à região: são 194.289 postos de trabalho do setor na capital fluminense. Eram 10.355 a mais em junho do ano passado. Por isso o índice de variação negativa é de 5,06%. Mas os 7,12% da Província do Grande ABC parecem imbatíveis em território nacional. A crise automobilística, portanto, causa mais prejuízos em números absolutos e relativos à região do que a crise da Petrobras à cidade do Rio de Janeiro.


 


Se forem comparados os números do desemprego industrial da Província do Grande ABC com o que ocorreu no Estado de São Paulo e no Estado do Rio de Janeiro, que lideram o PIB (Produto Interno Bruto) do País, os resultados seguirão desfavoráveis à região. O Estado de São Paulo perdeu 172.478 empregos formais na indústria de transformação. Isso representou redução de 6,04% no estoque que em junho do ano passado era de 2.855.596 trabalhadores e caiu para 2.683.118 ao final de junho último. No Estado do Rio de Janeiro a perda de trabalhadores industriais foi levemente inferior a de São Paulo: 5,07% nos 12 meses, já que o estoque de 489.546 trabalhadores foi rebaixado para 464.726 com a demissão de 24.820 empregados.


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