Imprensa

Regionalidade e o projeto
do Diário do Grande ABC

DANIEL LIMA - 01/03/2006

Em nome da verdade, que pode ser testemunhada por editores do Diário do Grande ABC que participavam todas as tardes das chamadas reuniões de pauta, exige reparo a informação que aquele jornal publicou nos dias de carnaval. Vejam o texto reproduzido neste espaço, para que o entendimento seja possível sem qualquer grau de distorção:


 


Diário quer a sua opinião


 


 Um caderno apenas com notícias do Grande ABC? Essa é a pergunta que o Diário faz ao leitor da região, que pode se manifestar a partir de hoje pelo site www.dgabc.com.br. A proposta do jornal é concentrar no primeiro caderno todo o noticiário de política regional e também das sete cidades, atendendo tendência manifestada em pesquisa encomendada pela empresa, onde 91% das pessoas entrevistadas apontaram o fator regional como maior motivação para ler o Diário. Atualmente, o primeiro caderno concentra reportagens de política regional e nacional, opinião e notícias do cotidiano de São Paulo e do Brasil. O dia-a-dia dos sete municípios -- administração, saúde, educação, sos bairros, diário comunidade, gente do abc, polícia, entre outros -- está no caderno Setecidades. É importante salientar que o jornal não deixará de publicar os noticiários de política e cotidiano nacional e internacional, ocorrendo a mudança do projeto editorial, que seriam recolocados em outro caderno.


 


Agora, aos fatos


 


Fosse conhecedor do processo histórico dos nove meses que atuei como diretor de Redação do Diário do Grande ABC, de 22 de julho de 2004 a 21 de abril de 2005, o redator  obedeceria a outra ordem de informações. Vamos então aos esclarecimentos que se fazem necessários:


 


Primeiro: a decisão de concentrar no Primeiro Caderno todo o noticiário de Política do Grande ABC e Setecidades, bem como a página de editoriais, estava encaminhada há aproximadamente um ano à direção geral do Diário do Grande ABC. Foi conduzida por mim, depois de reunião com os editores. Praticamente não houve resistência, porque jornalista entende do riscado. Como estava este profissional em processo de fritura pela direção do Diário, por razões que detalharemos ainda em livro específico, jogou-se para o futuro este fragmento de solução à regionalidade pretendida ao produto. E o futuro chegou, ao que parece. Creio que a consulta aos leitores seria desnecessária, de tão evidente a resposta. De fato, pretende-se dar conotação de democracia a algo que dispensaria essa roupagem. Trata-se de marketing que, embora respeite, não aprovo, porque transmite a sensação adicional de que os responsáveis pelo jornal não têm segurança do que pretendem.


 


Segundo: a decisão de regionalizar o Primeiro Caderno estava tão sacramentada que não se resumiria puramente à distribuição física do produto que os leitores passariam a receber. Também já estudávamos -- e solicitamos providências a respeito -- a rediagramação espacial da Redação do jornal, no terceiro piso do prédio da Rua Catequese. Pretendíamos promover a troca de posicionamento entre as editorias de Economia e de Setecidades, além de racionalizar o comando das editorias de Setecidades e Política Regional. A editoria de Economia teria mesmo que ceder área para Setecidades porque não teria sob o ponto de vista estratégico-editorial envolvimento com os conceitos do Primeiro Caderno.


 


Explicamos nas reuniões em que debatemos o assunto -- e contamos com colaboração dos editores -- que o entrosamento entre Setecidades e Política Regional aperfeiçoaria a cobertura do Grande ABC em todas as áreas, exceto das editorias de Economia, Esporte e Cultura, de características próprias. Há muitos pontos de cobertura entre Setecidades e Política Regional que se cruzam e se confundem. Por isso, nada melhor do que acabar com as barreiras entre profissionais das duas editorias. Os leitores só terão a ganhar.


 


Terceiro: ao contrário do que sugere o texto, não foi a pesquisa encomendada pelo Diário do Grande ABC que determinou a política editorial de enfatizar principalmente o território regional. Foi este jornalista que apresentou o que denominou "Planejamento Estratégico Editorial", cujos 90 mil caracteres produzidos num final de semana foram aprovados pelos demais diretores e mais tarde enviados a uma imensa gama de personalidades de diversas atividades do Grande ABC, convidados a participar do Conselho Editorial do jornal. A pesquisa propriamente dita só veio tempos depois e confirmou o acerto do núcleo editorial do jornal. Não faço essa correção para me vangloriar, porque qualquer idiota que conhece um mínimo de jornalismo saberia que é impossível encaminhar teoricamente a solução de problemas editoriais do Diário do Grande ABC sem ocupar roteiro eminentemente regional. O resultado apresentado na nota de que 91% afirmam que regionalidade é o destino do jornal mostra que há 9% de imbecis juramentados que provavelmente apreciariam muito viver em Marte.


 


Workshop histórico


 


Há muito não escrevo sobre o Diário do Grande ABC, entre outras razões porque há sempre um ou outro mal informado e deformado que registra algum sentimento desqualificado quando faço alguma abordagem crítica. Tenho imenso respeito pelos colaboradores do jornal, notadamente os chefes de setores da Redação, com os quais pude viver mais próximo naqueles nove meses e que deixaram de herança para este profissional o conteúdo revolucionário de um workshop realizado dois dias antes de minha demissão. As reuniões de final de tarde foram um aprendizado que não esqueço. A paixão que a maioria tem pela região e que procura transmitir através das páginas do jornal são o melhor capital que a empresa poderia oferecer.


 


O "Planejamento Estratégico Editorial" que deixei para o Diário do Grande ABC explorar, depois do rompimento unilateral do contrato de 60 meses, não contemplava a concentração do noticiário regional no Primeiro Caderno porque o assunto não pode ser considerado "estratégico", mas tático.


 


O delineamento da estratégia me permitiu incursões táticas ao longo dos nove meses. Se o jornal nega o autor da proposta por esquecimento ou descuido, nada mais sensato que corrigir a informação. Se o faz por qualquer razão vinculada ao contrato público rompido, é outra história. Recorro ao passado exclusivamente por causa de um presente incorretamente divulgado.


 


O resultado da consulta aos leitores sobre a importância de editar o noticiário relativo ao Grande ABC no Primeiro Caderno só não será uma barbada se o jornal começar a ser distribuído apenas em Mongaguá. 


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