Economia

Estado pode atrasar
Redução do Custo ABC

DA REDAÇÃO - 05/11/1997

O Grande ABC quer mudar o cronograma do Rodoanel Metropolitano de São Paulo para que as obras comecem pela região, mas corre o risco de ficar em terceiro lugar. O superintendente de gestão da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), Ulysses Carraro, revelou que agora há 50% de chances de o chamado trecho Sul -- que corta o sistema Anchieta/Imigrantes passando por São Bernardo e Diadema -- ser o segundo, quando antes essa possibilidade era praticamente certa, sucedendo o trecho Oeste, que deu o ponta pé inicial. O torpedo foi disparado por Carraro feita durante seminário promovido pelo Fórum da Cidadania justamente com vistas a antecipar a chegada da obra, que diminuirá em 20% o trânsito na Região Metropolitana e ajudará a reduzir o custo com transportes ao interligar 10 rodovias e cinco ferrovias, facilitar o acesso ao Porto de Santos e promover integração ao corredor do Mercosul. O traçado ainda não está totalmente delineado, dependendo de verba e relatório de impacto ambiental para definir o caminho das obras.


 


O Rodoanel será via expressa com cerca de 160 quilômetros de extensão, pista dupla e duas a cinco faixas de tráfego com velocidade de 100 km/h. A obra passará por 19 Municípios e será dividida em quatro trechos: Oeste (ligando as rodovias Régis Bittencourt, Raposo Tavares, Castelo Branco, Anhanguera e Bandeirantes, com saída em Perus); Sul (passando pelas rodovias Anchieta, atrás do final do pátio da Volkswagen, e Imigrantes, junto à balança da Dersa, próximo ao Batistini); Leste (entre rodovia Dutra e sistema Anchieta/Imigrantes, cruzando a rodovia Ayrton Senna); e Norte (unindo rodovia Dutra e Perus, com passagem pela Fernão Dias).


 


Ambiente preocupa


 


Além da tentativa de priorizar a região no cronograma do Rodoanel, lideranças do Fórum da Cidadania mostraram-se especialmente preocupadas com a questão ambiental, já que a obra passará por áreas de proteção como a Represa Billings. No entanto, o arquiteto responsável pelo traçado, Cleanto de Freitas, garantiu que a construção em regiões de mananciais, parques e florestas deverá prever conjunto de medidas específicas para sua proteção. “A rodovia dos Imigrantes é exemplo de convivência pacífica entre estrada e natureza” -- destacou.


 


Por isso, também está sendo realizado mapeamento dos arredores do Rodoanel, num raio entre 20 e 40 quilômetros, levando-se em conta não apenas a questão ambiental mas também o adensamento populacional e tendências de crescimento. De acordo com Ulysses Carraro, serão gastos em desapropriações cerca de US$ 500 milhões dos US$ 2,8 bilhões de investimentos previstos. Depois, essas áreas serão declaradas de utilidade pública para evitar invasões.


 


O controle do crescimento populacional é outro fator que interessa às lideranças envolvidas no projeto do Rodoanel. Segundo Ulysses Carraro, a idéia é buscar ajuda das Prefeituras para evitar o adensamento nas faixas em torno da via expressa, pois o único mecanismo legal capaz de evitar esse aumento é o decreto de utilidade pública.


 


Já o coordenador do grupo de trabalho de Planejamento Urbano do Fórum da Cidadania, Sílvio Tadeu Pina, acredita que esse gerenciamento deve ficar sob responsabilidade do Estado, a fim de evitar corrida habitacional para áreas que se tornem valorizadas após a construção do Rodoanel, o que inviabilizaria futuros projetos de expansão e de intermodalidade.


 


O Rodoanel será financiado pelos governos municipal, estadual e federal e pela iniciativa privada, que depois ganhará concessão para explorar pedágios. A conclusão levará de seis a oito anos, sendo que o primeiro trecho será o Oeste, com concorrência pública prevista para 98. Em 99, serão licitados os trechos Sul ou Norte, ou mesmo os dois, dependendo dos recursos alocados. A última etapa será a Leste.


 


Justamente pela participação das três esferas do Executivo, Ulysses Carraro não crê em paralisação do projeto após as eleições. “Sempre tivemos obras realizadas por um único ator; quando mudava o cenário, a peça parava. Hoje temos vários atores e a troca de um papel não descontinuará o espetáculo” -- garantiu. O presidente do Fórum da Cidadania, Marcos Antonio Gonçalves, assegurou que a entidade fiscalizará o andamento da obra e não permitirá sua interrupção.


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