Regionalidade

Clube dos Prefeitos gosta de
perder tempo com bobagens

DANIEL LIMA - 16/12/2015

As primeiras notícias foram preocupantes e o que veio depois foi apenas decepcionante. Vou explicar. Primeiro, saiu a notícia de que o Clube dos Prefeitos do Grande ABC havia aprovado moção de repúdio contra o afastamento da titular do executivo federal, Dilma Rousseff.  Depois, hoje nas páginas do Diário do Grande ABC, uma reviravolta: os prefeitos não petistas da região recusaram-se a assinar a carta nos termos determinados por Luiz Marinho, o mandachuva dos mandachuvas oficiais da região. E assinaram outra, de apoio à democracia, mas sem juízo de valor sobre o momento por que passa a presidente petista.


 


Entenderam então o que quero dizer? A primeira carta era um acinte; a segunda é um desperdício. Por essas e outras a Província do Grande ABC está à deriva econômica e social. Nossos prefeitos jogam para a plateia, produzem pouco para o desenvolvimento econômico e estão ligadíssimos nas antenas parabólicas de marqueteiros que querem botá-los no noticiário a qualquer preço, ou a todo custo.


 


Costura emergencial


 


Já estava com este artigo prontíssimo, escrito ontem à noite, sobre a nota de repúdio que teria sido assinada por todos os prefeitos. Fiz até uma ligação sarcástica entre eles e a presidente da República. Escrevi o seguinte:


 


 Como pode sair a campo uma associação cujas representações em larga escala não cumprem a premissa básica de manter os cofres da entidade em ordem, com o pagamento regular de mensalidades, e defender uma presidente da República que fez das pedaladas fiscais esporte favorito para ganhar as eleições do ano passado?  Jamais imaginei que depois de 25 anos o Clube dos Prefeitos fosse tão infantilizada pela adesão liderada, claro, por Luiz Marinho, prefeito dos prefeitos de fato porque o titular formal, Gabriel Maranhão, titular do Paço Municipal de Rio Grande da Serra, está no cargo porque Marinho não encontrou ambiente favorável a rasgar o estatuto para chegar ao terceiro mandato consecutivo.


 


O artigo que foi superado pela informação de hoje do Diário do Grande ABC seguia em frente. Vale a pena resgatá-lo em mais alguns parágrafos, porque não será desperdício:


 


 A mesma mídia que publicou a informação de que o Clube dos Prefeitos acumula um buraco de R$ 14 milhões no orçamento desta temporada, porque cinco dos sete municípios que o sustentam estão com atraso nas mensalidades, divulgou a aprovação da moção pró-Dilma Rousseff. Ou seja: uma reunião de condôminos na maioria em atraso com seus compromissos deliberou que o síndico do condomínio vizinho, que andou aprontado poucas e boas com o dinheiro dos moradores, não pode ser penalizado. A imagem poderá até parecer forçada, mas não é. O Clube dos Prefeitos atira para todos os lados e, desde que passou a sofrer a influência petista de Luiz Marinho, politizou e partidarizou as iniciativas com a nítida e insofismável vocação de transferir a instituição para o rol centro-esquerdista. Pior que o Clube dos Prefeitos se meter em seara alheia tendo os fundilhos sujos como tem, porque apenas as prefeituras de São Bernardo e São Caetano não frustraram o caixa a ponto de comprometer programas planejados, é a iniciativa de festejar mais um aniversário de criação do organismo, nesta semana. Não existe praticamente nada digno de comemoração se os pontos centrais de regionalidade forem levados a sério e se referenciais que cotejem a realidade da região com outros endereços do Estado não forem manipulados com a desfaçatez dos especialistas em pedaladas informativas.


 


Marinho desprestigiado


 


Os parágrafos que reproduzi e que teriam sido solapados pela informação de que a moção ganhou a forma de um documento simples, de apoio à democracia, não perdem a validade contextual. O Clube dos Prefeitos não tem mesmo o que fazer. A diferença entre uma situação e outra – ou seja, entre a intenção de enviar uma moção de cunho partidário e protecionista ao mandato de Dilma Rousseff e a carta de suporte à democracia, sem entrar no mérito do assunto – é que Luiz Marinho, prefeito dos prefeitos desde 2009, já não é o mesmo.


 


Na esteira da Operação Laja Jato, que reduziu grandemente o poder de foto do titular do Paço de São Bernardo, os prefeitos não petistas de Diadema, São Caetano e Rio Grande da Serra decidiram explodir as amarras que os prendiam ao governo federal. As promessas de recursos financeiros não se cumprem porque há cortes gigantescos de liberações decididas ao sabor de conveniências num passado de irresponsabilidade fiscal. Como Luiz Marinho não tem liderança no sentido legítimo do verbete, já que depende de terceiros na industrialização de dinheiro público, seria mesmo natural que sofresse esvaziamento nessa instância de poder que vale mais pelo simbolismo do que pelo orçamento esquálido.


 


Tão esquálido que o Clube dos Prefeitos não passa de embuste. Para não me estender sobre a quase que inútil atividade do Clube dos Prefeitos ao longo dos anos, mostro nos links abaixo apenas algumas das muitas matérias publicadas neste espaço e que não deixam dúvidas – há também na iniciativa de lustrar o ego regional com o endeusamento encomendado do Clube dos Prefeitos uma evidente tentativa de tentar transmitir a ideia de que não somos um fracasso gigantesco como território potencialmente integrado por vocações econômicas e sociais.


 


Somos de fato mesmo um bicho de sete cabeças dirigido por gente que pensa que todo o mundo é suficientemente incompetente para contrapor-se às embromações que brotam como ervas daninhas.


 


Dualismo confesso


 


Sobre o mérito da questão central, o impedimento da presidente Dilma Rousseff, confesso que estou encalacrado pelo dualismo.


 


Primeiro, quem leu atentamente a reportagem-análise especial do jornal Valor Econômico da última sexta-feira sobre os bastidores no Tesouro Nacional não titubearia um instante sequer para botar Dilma Rousseff porta afora do Palácio do Planalto.


 


Segundo, quem quer ver o PT carregar todo o passivo econômico e social dos tempos de deslumbramento e consumismo de Lula da Silva, os quais tiveram sequência agora de forma suicida com Dilma Rousseff, torce para que a agremiação complete o mandato e contabilize na história uma coleção de dados que liquidariam com qualquer iniciativa centro-esquerdista de que conhece os caminhos que levariam o Brasil ao desenvolvimento sustentado.


 


A conclusão a que chego sobre o momento politico, principalmente político, que vive o País é simples: jamais na história deste País uma agremiação partidária mereceu adversário do nível de Eduardo Cunha, como o PT do Mensalão e do Petrolão, entre outros escândalos federais – sem contar os estaduais e municipais. Não teria o menor sentido se o PT enfrentasse alguém menos corrosivo, menos tergiversador, menos ardiloso, do que Eduardo Cunha. Afinal, Eduardo Cunha é o retrato individual do coletivismo do Partido dos Trabalhadores.


 


Apenas a titulo de curiosidade (e para que os leitores menos atentos entendam o significado histórico desta revista digital), contamos no acervo desta publicação com 294 matérias que têm o Clube dos Prefeitos como protagonista ou coadjuvante de reportagens e análises.


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