Imprensa

50 (primeiras) lições para quem
quer entender nosso jornalismo

DANIEL LIMA - 23/02/2016

Não existe meio termo que resista às 50 primeiras e rápidas lições que expomos em seguida para explicar o jornalismo que praticamos. Nossa toada filosófica é sempre a mesma, e que justifica o mote desta revista digital: comprometimento visceral com a regionalidade.  Regionalidade que, claro, não tem nada a ver com provincianismo. Como, aliás, denunciamos insistentemente.

 

Ao repassar as primeiras 50 lições que preparamos para fazer com que os leitores menos assíduos (e também por que não os mais assíduos?) compreendam a linha editorial desta publicação, nosso propósito é prospectivamente simples: procurem capturar o nexo diário do conteúdo de nossas páginas como sequência histórica de posicionamentos comprometidos com a sociedade – mesmo que a sociedade regional seja abstração e fortaleça a premissa da ex-primeira ministra britânica Margareth Thatcher de que “não existe essa coisa de sociedade; existem indivíduos homens e mulheres, e existem famílias”. A sentença thatcheriana é mordaz e muito próxima da verdade regional, ou, melhor, extremamente íntima da realidade regional. 

 

Na verdade, utilizamos a expressão “sociedade” quando nos referimos ao conjunto da população da região mais como referência informativa da geografia em que vivemos, sem penetração sociológica profunda. Fôssemos minimamente “sociedade” de fato, muito do que os leitores encontrarão nas rápidas lições que apresentamos abaixo já teria virado sucata ou acervo morto de um passado que não teria resistido ao dinamismo dos agentes que o protagonizaram – ou mesmo do presente em permanente teste de avaliação. 

 

Conta salgadíssima

 

O futuro há de cobrar uma conta salgadíssima que vem do passado e não parece pronta a resgastes mesmo que módicos: a sociedade regional, força de expressão para designar esse conglomerado amorfo, covarde, negligente de quase três milhões de habitantes, deveria envergonhar-se de, pela omissão ou pela covardia, quando não pelo desconhecimento dos ignorantes sem compromisso com os próprios familiares, deixar que tudo isso (e muito mais) tenha se cristalizado de forma tão arraigada.

 

Entre as rápidas 50 lições de jornalismo decididamente voltado a uma sociedade abstrata há, infelizmente, poucos pontos que podem ser considerados positivistas. O que se pode fazer se vivemos sob o jugo de políticos sem a menor intenção de observar o mandato como plataforma a novos tempos e lideranças sociais, econômicas e sindicais, salvo raríssimas exceções, plasmadas pela lógica do salvacionismo individual a qualquer custo.

 

Os 50 motivos para amarem e odiarem esta publicação e particularmente este jornalista seguem como resumo do resumo do resumo do que em larga escala esmiuçamos com analises ao longo dos anos neste espaço e também na revista LivreMercado, predecessora de CapitalSocial. Diria, sem falsa modéstia, que ocupamos um lugar muito especial na mídia brasileira, porque praticamos o jornalismo que todos gostariam de exercitar, com ampla liberdade de expressão. Mesmo que bandidos sociais nos ataquem persistentemente na tentativa de nos eliminar do mercado e, com isso, manterem a imprensa regional uniformemente previsível, porque cuidadosa ao extremo ao sustentar as aparências e as essências improdutivas. Algo muito parecido com o que se assiste no filme Spotlight – até que um intruso chegou para bagunçar o coreto da Igreja Católica.

 

Acompanhem, portanto, as 50 rápidas lições que definem a estrutura editorial de CapitalSocial. Não temos, ao contrário da maioria da mídia, a menor vocação em fazer da redação estúdio de maquiagem. Nossa matéria-prima são a inquietude e a coragem de enfrentar bandidos que seguem soltos e incompetentes que não arredam pé de sinecuras.

 

1. Ninguém teria a coragem de dizer que não somos Grande ABC, mas Província do Grande ABC.

 

2. O conceito de que a Província do Grande ABC sofre de Complexo de Gata Borralheira em relação à Cinderela Capital tão próxima foi impresso em livro produzido por este jornalista e serve de referência sociológica para quem quer entender o histórico regional sem pudores e triunfalismo.

 

3. Ninguém saberia o que se passou durante os cinco anos de privatização predatória do futebol do Esporte Clube Santo André, encampado por uma empresa (Saged) que destruiu a reputação da equipe e a enfiou na Sexta Divisão do Campeonato Brasileiro.

 

4. Ninguém saberia que o São Bernardo Futebol Clube tornou-se braço futebolístico do Partido dos Trabalhadores, numa das maiores bobagens de marketing para uma agremiação que conseguiu conquistar a fidelidade presencial de grande número de torcedores.

 

5. Ninguém teria a menor ideia da roubalheira de dinheiro público durante mais de uma década de expectativa da criação da Cidade Pirelli.

 

6. O Clube dos Prefeitos continuaria a ser incensado como obra-prima de regionalidade quando, de fato, não passa de repartiçãozinha pública sem ativo de desenvolvimento econômico e de integração regional.

 

7. O peemedebista Paulo Pinheiro teria vencido as eleições à Prefeitura de São Caetano sem que se informasse que foi abastecido o tempo todo por recursos do PT centralizado em São Bernardo, do prefeito Luiz Marinho.

 

8. Os falsários estatísticos ficariam impunes ao desfilar números regionais em contraste doloso não só com a realidade dos fatos, mas principalmente com as próprias estatísticas, esmiuçadas sem conotação político e partidária.

 

9. As entidades de classe empresarial, sindical e social seguiriam impunes no que mais tentam vender como imagem de eficiência e representatividade: o completo distanciamento da sociedade.

 

10. Milton Bigucci seguiria com a ladainha de respeitabilidade à frente do Clube dos Construtores Imobiliários, entidade que deu suporte logístico ao presidente em atividades corporativas.

 

11. Sérgio De Nadai continuaria reverenciado como exemplar especial de responsabilidade social quando, de fato, participou ativamente da quadrilha já chamada Máfia da Merenda Escolar.

 

12. Os pequenos e médios empreendimentos industriais que desapareceram ou foram embora da Província do Grande ABC seriam todos colocados no mesmo saco de incompetência gerencial, quando, em muitos e muitos casos, foram vítimas de políticas econômicas desastradas em âmbito municipal, regional, estadual e nacional, e também de ações arbitrárias de sindicalistas.

 

13. O sindicado dos metalúrgicos, principalmente o que abrange São Bernardo, seria colocado à margem da responsabilidade de ter dificultado a vida do empresariado de pequeno porte porque, durante longas décadas, impôs a pauta de negociações sob pressupostos que apenas as montadoras de veículos poderiam resistir, por conta de massa crítica de repasse de preços.

 

14. O caos no trânsito não teria como uma das explicações que ninguém ousa apontar o fato de mercadores imobiliários sequestrarem o Poder Público com obras que adensam estupidamente os pontos mais vulneráveis do sistema viário, por conta de rentabilidade ditada pela concentração de obras em áreas mais valorizadas.

 

15. Os micos do mercado imobiliário simplesmente não existiriam como qualquer observador mais atento pode detectar, porque a pressão coercitiva da indústria do setor sobre a pauta da mídia subordina a realidade à fantasia.

 

16. Luiz Marinho seria um prefeito de extraordinária capacidade de planejamento quando, de fato, é um fazedor de obras que não distingue tática de estratégia.

 

17. Diadema continuaria a ser um Município tangido pela violência, em vez de, também, um polo de cultura que, mesmo com recuos nos últimos anos, mostrou que é possível transformar arte em produto de ocupação popular.

 

18. A produção de premiações seguiria a velha rotina de maracutaias para lustrar o ego de quem tinha recursos financeiros para bancar as festas, não um Prêmio Desempenho de multiplicidade temática e inviolável técnica de resultados meritocráticos.

 

19. O Fórum da Cidadania teria seguido trajetória de declínio insofismável sem que nenhuma mídia tivesse a coragem de apontar os percalços que desestruturaram completamente um futuro de inovações de reconstrução da sociedade.

 

20. O escândalo do Semasa, de arquitetura criminalmente ecumênica, entre servidores públicos e empresários do setor imobiliário, não seria mostrado em sua amplitude como repulsa à conclusão do Ministério Público Estadual de que apenas um lado do balcão, dos agentes públicos, atuou durante todo o tempo para roubar dinheiro dos contribuintes em forma de impostos surrupiados em diversas formas de manipulações escusas. 

 

21. O Clube dos Prefeitos teria um Conselho Consultivo recheadíssimo de agentes sociais prontos a participar, com conhecimento técnico, de medidas que há muito se fazem necessárias para reaprumar um modelo que não se ajusta às demandas de um mundo sem fronteiras.

 

22. A Câmara Regional do Grande ABC, composição múltipla que envolvia o governo do Estado, governador à frente, seria tratada como exemplo de integração entre a região e o Palácio dos Bandeirantes quando a cronologia dos acontecimentos mostrou que a instituição praticamente se omitiu em questões mais relevantes e logo caiu em descrédito e disfuncionalidade.

 

23. Poucos notariam que a direção, os conselheiros e a torcida do Ramalhão envelheceram e o clube perdeu a vitalidade social para reerguer-se do estado de quase falência em que se encontra. 

 

24. O trecho Sul do Rodoanel teria apenas avaliação positiva, de inserção na logística da Província do Grande ABC quando, de fato, tem potencial muito mais favorável à Baixada Santista ao passar apenas tangencialmente por aqui. Além disso, não teve a conectá-lo fortemente com a região um plano de desenvolvimento econômico coerente com os pressupostos de regionalidade.

 

25. O esvaziamento de cérebros não seria notado, exceto pela aridez de iniciativas, porque a quase totalidade ignora que à desindustrialização da Província do Grande ABC seguiu-se processo de deslocamento de mão de obra mais qualificada do setor de serviços da região à vizinha Capital -- por conta de o terciário da região ser pobre em tecnologia e em dinamismo econômico.

 

26. As Madres Terezas, mulheres anônimas que cuidam dos deserdados sociais, jamais teriam pisado num palco para homenagens porque nem Madres Terezas seriam, esquecidas nas franjas da desigualdade social.

 

27. Celso Daniel jamais seria lembrado como um gênio da regionalidade de uma Província do Grande ABC incapaz de entender seus objetivos. Seria reduzido simplesmente a uma vítima de assassinato cuja imagem foi duramente violada pelos próprios irmãos, distantes irmãos.

 

28. As estatísticas sobre emprego formal não teriam o peso interpretativo da informação relevante de que há grande diferença entre o estoque de empregos formais do setor industrial antes e depois do Plano Real.

 

29. Não haveria o acompanhamento permanente dos indicadores de potencial de consumo dos municípios da região em confrontos com outras regiões, a diagnosticar com mais segurança e fidelidade as mudanças socioeconômicas a envolver territórios distintos.

 

30. As informações sobre o PIB (Produto Interno Bruto) não correriam na raia de resultados de outros endereços paulistas, a estabelecer juízos de valor sobre desenvolvimento econômico sem incidir no risco de esquecer que há um mundo além do território da Província do Grande ABC e que esse mundo precisa ser considerado quando se pretende aferir o andar da carruagem.

 

31. Os mercadores imobiliários seguiriam livres, leves e soltos sem que houvesse uma mídia sequer a revelar os segredos da alcova que mantêm com administradores públicos inescrupulosos.

 

32. A Administração Carlos Grana tornou-se um condomínio político-partidário que se entregou às lambanças de interesses nada republicanos de antigos opositores políticos.

 

33. Pequenos construtores imobiliários de Santo André não seriam uma raça em pretensa extinção, atacados por gerenciadores públicos dos espaços físicos que preferem por razões mais que cabeludos a intimidade dos lençóis dos grandes empresários do setor.

 

34. A AOB de Santo André, durante a gestão de Fábio Picarelli não passou de um amontado de interesses pouco transparentes, principalmente nas relações com a Administração de Carlos Grana – da qual agora diverge por oportunismo político -- inclusive com acertos de bastidores para a nomeação de um dirigente como ouvidor da Prefeitura.

 

35. A Fundação do ABC é a única regionalidade que deu certo na Província do Grande ABC porque as bases de sustentação diretiva são uma autêntica suruba político-partidária que se suportam com vantagens mútuas e pouco transparentes.

 

36. O Condomínio Residencial Ventura, lançado em Santo André num final de ano de forma irregular e com fortes provas de infringir a legislação ambiental, é exemplo de como os mercadores imobiliários deitam e rolam nas instâncias governamentais, impondo as próprias leis.

 

37. Os pequenos negócios familiares do comércio e de serviços foram massacrados ao longo dos anos pela permissividade de ocupação dos melhores espaços por grandes empreendimentos nacionais e internacionais freneticamente recebidos por dirigentes públicos e por uma mídia cega à lógica de que a ausência de potencialidade do mercado de publicidade se tornaria uma corda que enforcaria a todos, tornando-a cada vez mais dependente de investimentos públicos, manietadores da liberdade de imprensa.

 

38. O assassinato do prefeito Celso Daniel exaustivamente investigado pela Polícia Civil de São Paulo e pela Polícia Federal não tem qualquer relação com os supostos casos de desvios de recursos financeiros da Prefeitura.

 

39. O livro do delegado Romeu Tuma Júnior especificamente no capítulo sobre o caso Celso Daniel é um amontoado de erros, equívocos, contradições e imprecisões que desaconselham credibilidade.

 

40. O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, errou redondamente ao anunciar que construiria um aeroporto internacional em área ambiental, cujo projeto, mais tarde, foi redesenhado à condição de simples aeroportozinho de carga e descarga à espera de aprovação de órgãos governamentais.

 

41. A sociedade em geral não teria a mínima percepção do quanto os prefeitos em atividade divulgam iniciativas que não saem do papel, pegos em flagrantes delitos ao serem expostos permanentemente no Observatório de Promessas e Lorotas de CapitalSocial.

 

42. O custo superior do seguro de veículos na região é compatível com os riscos das companhias especializadas, retirando-se, portanto, qualquer indício de discriminação sustentada durante muito tempo pela Imprensa regional. Afinal, aonde se registram maiores índices de roubos e furtos de veículos é natural que as apólices tenham sobrepreço em relação a outras geografias bem mais civilizadas.

 

43. A máscara de um graduado servidor público da Prefeitura de Santo André, gestão de Aidan Ravin, não teria caído após afirmar que o PIB de Santo André em 2010 registrou crescimento de 17%, quase o dobro do avanço naquele mesmo do recordista PIB chinês. Quando saíram os números oficiais, dois anos depois, Santo André registrou queda do PIB.

 

44. Um especializadíssimo consultor contratado pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC teria se mantido incólume ao afirmar em pleno período de perdas cumulativas da produção industrial e do emprego industrial na região que não havia fundamentos à desindustrialização.

 

45. O sindicalismo cutista da região jamais aceitou negociar o chamado Custo ABC com representantes do setor empresarial mesmo diante de imensa agenda colocada em discussão no final dos anos 1990, no único movimento concretamente público costurado para tentar encontrar saída que tornasse a Província do Grande ABC mais competitiva.

 

46. Com base em detalhadíssimos números, se comprovou a perda de mobilidade social na Província do Grande ABC que, a cada temporada, mais se assemelha ao retrato médio do Brasil, situação inimaginável há duas ou três décadas quando as chamadas lideranças locais se orgulhavam dos avanços alcançados pós-industrialização.

 

47. Assim como o trecho sul, o trecho leste do Rodoanel não terá a importância econômica e social imaginada pelos mais eufóricos. Os nós logísticos da região não estão exclusivamente nos extremos territoriais, mas principalmente nos interiores dos municípios de acanhado traçado viário e déficit assombroso de alternativas, comprometido também pelo avançar inescrupuloso do mercado imobiliário sobre as principais vias de transporte individual e coletivo.

 

48. As outorgas onerosas são muito mais um instrumento de energização monumental da rentabilidade financeira de incorporadoras e construtoras imobiliárias do que alternativa para fortalecer o caixa das administrações públicas. Tudo porque, como comprovam dados da Capital, os ganhos dos investidores são extraordinariamente maximizados sem contrapartidas a compensar transtornos à mobilidade urbana.

 

49. As estatísticas sobre o mercado imobiliário na Província do Grande ABC não são minimamente confiáveis entre outros motivos porque o Clube dos Construtores Imobiliários não conta com estrutura física e recursos humanos, além de metodologia, para sequer apresentar qualquer estudo sobre a ocupação e uso do solo regional.

 

50. As montadoras de veículos da Província do Grande ABC representam nossa Doença Holandesa ao mascararem, principalmente em tempos de consumismo em alta, a realidade nua e crua das pequenas empresas industriais, entre as quais as próprias autopeças, entregues aos leões da competição internacional.



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