O novo e incomparavelmente mais competente presidente do Clube dos Construtores Imobiliários do Grande ABC, Marcus Santaguita, vai ter a missão desagradável de, hoje à tarde, anunciar à Imprensa o balanço do setor no ano passado. A Santaguita sobrou a bomba de uma das heranças malditas do autoritário Milton Bigucci, que chefiou aquela agremiação empresarial durante um quarto de século. Que herança maldita é essa? Revelar dados estatísticos de um período sobre o qual ele, Santaguita, não tinha responsabilidade alguma pelo comando da agremiação.
Os números fajutos manipulados por Milton Bigucci ao longo dos tempos estão estrebuchando, certamente. Amanhã vou dissecá-los aqui e provar que a Imprensa da região nunca levou adiante as denúncias deste jornalista sobre a transformação de informação de interesse público em marketing classista da pior espécie, porque mentiroso. Até parece que a omissão generalizada manteria as falcatruas numéricas nas sombras.
Como o encontro com os repórteres vai se dar às 14h de hoje na sede do Clube dos Construtores, e este texto estará à disposição das chefias de redação antes disso, não custa sugerir aos jornalistas destacados à cobertura que esmiúcem os dados. O presidente Marcus Santaguita não tem nada a ver com as estripulias estatísticas de Milton Bigucci e, por isso mesmo, não pode pagar o pato.
Comunhão nociva
A comunhão de esforços dissimuladores do chefe Milton Bigucci com a Imprensa induziu a sociedade regional a acreditar em fantasias estatísticas que ajudaram a construir a maior bolha imobiliária da história local. Milhares de salas comerciais e de apartamentos estão à espera de compradores. O peso macroeconômico não pode ser subestimado, mas há digitais próprias da região. Encaminhamentos propagandísticos do então Clube dos Especuladores, agora Clube dos Construtores, explicam parcela considerável do estoque atual.
A realidade nua e crua é que o mercado imobiliário da região foi invadido por grandes empresas da Capital que, incentivadas pela mídia omissa, submetida ao cabresto de investimentos publicitários, deitaram e rolaram nos lançamentos de empreendimentos. Quanta desinformação, quanta desinformação.
Só poderiam quebrar a cara -- mesmo que a economia continuasse bombando em termos de consumo, como bombou no período de loucuras do governo Lula da Silva. Não precisávamos de uma Dilma Rousseff para estragar a festa. Estamos à deriva econômica há muito tempo. A Província vive, nos melhores momentos econômicos, de algumas ilhas de prosperidade protegidas pelo governo federal, caso da associação entre montadoras de veículos e sindicalistas supostamente socialistas.
É claro que não se deve esperar que hoje à tarde o presidente Marcus Santaguita repasse aos jornalistas o ar de preocupação com o ritmo de tartaruga da economia regional fortemente abatida agora pela crise automotiva. Dirigentes de classe não têm obrigação de verbalizarem ceticismo, porque há responsabilidade de classe implícita. Diferentemente, portanto, do jornalismo, cuja imperiosidade de pintar o inferno com as cores mais berrantes possíveis é questão de interesse social, por mais alarmista que possa parecer.
Manipulação inescapável
Quando o jornalismo se dobra a jogadas de marketing publicitário, como estamos cansados de ver na região, quem entra pelo cano é o consumidor de informações, que também é contribuinte, que também é cidadão, que também é ativo econômico em forma de renda, poupança e emprego.
A manipulação longa e destrutiva de Milton Bigucci como chefe do então Clube dos Especuladores Imobiliários estará mais uma vez consolidada nesta tarde, quando emergirem os números do balanço do ano passado.
Não vou antecipar os caminhos erráticos que o dirigente provavelmente percorreu nos últimos meses para tentar corrigir as distorções intencionalmente anunciadas no ano passado. O arremedo não percorrerá uma trajetória ética e moral que possa ser subestimada. Muito pelo contrário: o balanço há de confirmar o assassinato de uma iniciativa que deveria ser muito mais transparente durante a fase operacional justamente para evitar manobras fraudulentas.
Quem da Imprensa regional vai ter coragem de se antecipar ao que vou escrever amanhã sobre uma das heranças malditas de Milton Bigucci?
Pobre Marcus Santaguita e novos dirigentes do Clube dos Construtores, que vão ter de assumir publicamente essa bronca.
Sobre a frase “o novo e incomparavelmente mais competente Marcus Santaguita” do enunciado que abriu este artigo, não se trata de exagero e tampouco de bajulação, porque tanto uma coisa quanto outra não fazem parte de meu dicionário profissional e pessoal. Nos próximos dias vou explicar as razões que me levam a expressar aquela avaliação. O mercado imobiliário está liberto do jugo do autoritarismo de um quarto de século que tanto amesquinhou as relações daquela instituição e setores públicos e privados da região.
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