Imprensa

Entrevista de Cura é prego no
caixão de ilusões biguccianas

DANIEL LIMA - 12/07/2016

Prometi e vou explicar ainda nesta semana o quanto de representativo do ponto de vista crítico significou para o mercado imobiliário da região e para os interesses da sociedade a entrevista do pequeno construtor – e líder do segmento – Silvio Cura, publicada na edição de ontem desta revista digital. Sem exagero, se faltava um prego no caixão de ilusionismos propagado aos quatro cantos pelo ex-presidente do Clube dos Construtores do Grande ABC, Milton Bigucci, o corajoso Silvio Cura tratou de bater.

Não quero me embrenhar nas declarações de Silvio Cura antes da hora. Quero sim e vou fazer suspense sobre a análise que aquela entrevista merece e exige. Uma conclusão a que cheguei sem precipitação e que agora externo sem medo do futuro é que, se a história do mercado imobiliário da região pareceu se dividir antes e depois com a chegada do engenheiro Marcus Santaguita à presidência do Clube dos Construtores do Grande ABC, agora não há mais dúvida de que a mudança veio para valer com a entrevista de Silvio Cura.

Finalmente se está perdendo o medo de enfrentar um empresário que, por razões variadas e abrangentes, criou em torno de si um mito de que seria intocável e, portanto, ameaçador àqueles que ousassem cruzar seu caminho.

A percepção de que só faltava um toque a mais para que a casa da soberania de Milton Bigucci viesse abaixo, agora está consumada. Sugiro aos leitores mais exigentes com o futuro desta região que leiam atentamente -- se preciso releiam -- as declarações de Silvio Cura.

Com linguagem simples, franca, longe de cautelosa, o dirigente do Clube dos Pequenos Construtores de Santo André deu uma lição geral a muita gente do setor, e que diz mais ou menos o seguinte: está na hora de botar a mão na massa e modificar profundamente a imagem, a responsabilidade e a ética no setor.

Tudo aquilo, aliás, que venho sistematicamente pregando neste espaço, ao custo de ações judiciais do ex-poderoso presidente do então inútil, então inexpressivo, então obscuro, Clube dos Construtores do Grande ABC.

Atraso sintomático

A evidência mais acachapante de que a gestão de Milton Bigucci de um quarto de século no Clube dos Construtores foi uma sucessão de temporadas de ineficiências e de mequetrefismos é que, mesmo na metade de julho, ainda não temos o balanço parcial do mercado imobiliário desta temporada.

Antes trimestral com malabarismos estatísticos escandalosamente manipulados, a nova diretoria daquela associação se vê em situação constrangedora ao procurar dar um mínimo de conectividade com a lógica econômica. Daí a demora em acertar o passo. Melhor assim, melhor assim.

Discreto, o presidente Marcus Santaguita evita declarações sobre os embaraços provocados pela gestão de Milton Bigucci no campo estatístico – além de tantos outros de barbeiragens e omissões que explicam o esvaziamento daquela organização – mas não faltam fontes diretivas que relatam o drama de ajustar os dados para que a sociedade seja informada sem tornar-se vítima de fantasias.

Sim, as pesquisas imobiliárias do Clube dos Construtores sempre foram pautadas por chutometrias denunciadas neste espaço. Configuraram-se, por conta disso, barbaridades numéricas que instalaram o mercado imobiliário regional em situação extraordinariamente mais poderosa que o da vizinha Capital, campeão nacional. Os micos espalhados por toda a região são o retrato mais fiel do desencaixe entre bom senso e patifarias.

Prestidigitadores nacionais

Quando defende ética e transparência no mercado imobiliário, Silvio Cura reflete o desejo dos empreendedores sérios e responsáveis de uma atividade que, por conta de lideranças fajutas que só pensam no próprio umbigo, contribuiu ao longo dos tempos em todos os cantos do País para consagrar o principio, o meio e o fim da especulação como primeira e mais legítima cláusula a ser esgrimida publicamente.

Está na hora – ou já passou da hora – de mudar esse enredo. A Entrevista Especial com Silvio Cura é um marco na história do mercado imobiliário da região. Pena que outras regiões do País não contem com empreendedores igualmente decididos a botar a boca no trombone e se deixem levar por modelos igualmente amantes de prestidigitações.



Leia mais matérias desta seção: Imprensa

Total de 1971 matérias | Página 1

20/02/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (21)
13/02/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (20)
06/02/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (19)
30/01/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (18)
23/01/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (17)
16/01/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (16)
09/01/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (15)
22/12/2025 QUANDO FAKE NEWS MERECEM DESPREZO
19/12/2025 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (14)
12/12/2025 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (13)
05/12/2025 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (12)
03/12/2025 DIÁRIO 20 MIL É FIEL RETRATO HISTÓRICO
28/11/2025 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (11)
21/11/2025 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (10)
14/11/2025 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (9)
07/11/2025 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (8)
06/11/2025 TAPAS CAMARADAS E BEIJOS ARDENTES
31/10/2025 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALEIRISMO (7)
24/10/2025 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (6)