Vou traduzir o enunciado aparentemente hermético do título. O que quero dizer é que há no acervo desta revista digital – contando com este texto -- 647 matérias que fazem direta ou indiretamente referências ao PIB (Produto Interno Bruto) em intersecção com a economia da região.
O que isso significa? Significa que CapitalSocial tem longa experiência e conhecimento sobre temáticas que dizem diretamente aos interesses econômicos dos leitores. Não lidamos com quinquilharias informativas. Por isso e com toda a sinceridade, quem quiser informação rasa não deve procurar estas páginas. Nossos leitores são qualificados. Os pobres coitados que não sabem nem o significado de PIB não devem acessar nosso endereço eletrônico.
Quem confiar, em termos regionais, em outras fontes de informação, talvez esteja a cavoucar a própria cova financeira. Ou já esqueceram, por exemplo, que cantamos todas as bolas sobre desindustrialização, sobre os micos e nichos do mercado imobiliário, sobre a quebra da mobilidade social, entre tantas outras coisas quase tão importantes quanto respirar? Por que os leitores acham que os bandidos sociais me querem morto?
Uma nova bomba
Mas, perguntaria o leitor, ainda ligado ao enunciado do título sobre o que tem a sequência “será arrasador”. Tem que estamos avisando o distinto púbico que a próxima análise que faremos, ainda nesta semana, vai ser um chute na canela de todos que cultivam a Província do Grande ABC destes tempos sombrios com os pés, os olhos e a burrice de jornadas cheias de glórias dos anos 1900. Entre esses abomináveis, claro, estão os sindicalistas. As pautas de negociações são um aparato dramático à parte.Quem vive do passado da região não tem presente, quanto mais futuro.
O que vou preparar em meio à barafunda de assuntos nos quais mergulho para devassar a realidade da Província do Grande ABC é uma projeção do que está para nos abalar ainda mais a autoestima.Mesmo assim – ou seja, mesmo arrasando o ego regionalista resistente como casca de ovo que cultivamos – não tenho a menor dúvida de que o enunciado não vai alterar coisa alguma no cenário público e privado -- ou seja, entre a classe política e os representantes do capital e do trabalho.
Ingressamos numa pasmaceira institucional de dar dó. Tanta dó que acabo de me lembrar que estou a dever em primeiro lugar um texto relativamente denso, embora enxuto, sobre os motivos que ainda outro dia me levaram a dar nota zero aos últimos quatro anos de gestão do Clube dos Prefeitos do Grande ABC. Também outras organizações coletivas recebem a mesma nota porque, em matéria de regionalidade, são uma nulidade.
Dez pontos cruciais
Já elenquei os 10 pontos cardeais que dariam suporte ao equilíbrio social e econômico da Província do Grande ABC no médio prazo, os quais rigorosamente foram ignorados pelos prefeitos que assumiram os paços municipais locais desde o assassinato do prefeito Celso Daniel.
Há uma enfermidade a exigir terapêutica radical na região. Nossa pequenez institucional é uma vergonha que só faz concorrência à sem-vergonhice que, por sua vez, intensifica o potencial de caradurismo e os estragos do triunfalismo irresponsável.
Tudo isso e muito mais que compõem uma sinfonia de desilusões a impactar quem pretende ver a Província do Grande ABC, no curto prazo, estancar a hemorragia econômica de que é vítima permanente, não será sequer lamentado por gente que deveria assumir posições de combate ao debilitamento sistêmico que nos acomete.
Vejo com preocupação cada vez maior a insolvência intelectual e técnica das organizações coletivas da região. A campanha eleitoral desta temporada foi um repeteco ordinário do enredo de um passado tão antigo quanto pernicioso.
O que fizeram as representações de classe durante a campanha eleitoral para enquadrar com diplomacia mas firmeza os candidatos às prefeituras numa bitola de responsabilidade social mais comprometida com os inúmeros dados econômicos e sociais que nos batem? Absolutamente nada. Os encontros foram amorfos e direcionadíssimos às próprias corporações. Mesmo que a custa da sociedade como um todo.
Cuidando só do quintal
Talvez a generalização seja um erro, por isso vou dizer que se trata de uma maioria, não da totalidade, que faz do chamamento dos candidatos para se apresentaram aos respectivos interessados um marketing de oportunidade, para não dizer oportunista.
Tem-se a impressão de que aqueles encontros não visam outro objetivo senão lembrar aos concorrentes que as chamadas lideranças dessas organizações não podem ser esquecidas pela próxima administração municipal. Traduzindo em miúdos: há mais preocupação com lobbys pessoais e classistas do que comprometimento com os anseios da sociedade em geral, desorganizadíssima como se sabe.
Fiz toda essa digressão para despistar o que vem aí nesta semana em forme de PIB 648. Será de lascar, podem acreditar. E não me peçam neste texto o apontamento específico do que vou escrever porque é pura perda de tempo.
Mais que a análise, o que deveria mesmo causar inquietação geral é a capacidade invulgar de uma sociedade como a do Grande ABC seguir bovinamente rumo ao desfiladeiro econômico sem emitir qualquer sinal de repulsa às lideranças fajutas que estão aí, e tampouco aos bandidos sociais que seguem vivos, vivíssimos, a articular combinações para seguirem nos podres poderes públicos paralelos.
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10/04/2026 ARCA DE NOÉ CONTRA O GATABORRALHEIRISMO (3)