Uma avalanche de eventos confere ao Grande ABC dinâmica toda especial na área econômica. Provavelmente, nenhuma outra região brasileira esteja vivendo movimentação parecida. Por conta do Fórum da Cidadania, do Consórcio Intermunicipal e da Câmara Regional, além de iniciativas de Prefeituras e também de entidades não-governamentais, estimula-se o debate, buscam-se soluções, maltratam-se o comodismo e o desinteresse que até recentemente permeavam a vida sócio-econômica regional. A metástase cede lugar à saudabilidade institucional, política, econômica e comunitária.
Tudo indica que a frenética agitação de março não seja pico de sazonalidade. O surto veio para valer e deverá se intensificar à medida que alguns suportes dessas ações forem fortalecidos. O Fórum da Cidadania está mais robusto, mais descentralizado, mais massificado. O Consórcio Intermunicipal deixou de vez o berço esplêndido. As Câmaras de Vereadores, através de suas lideranças, finalmente descobriram que clientelismo, corporativismo e outros vícios da classe política podem até render votos, mas qualificação para o exercício de função pública é artigo que seguramente começa a oferecer maior rentabilidade eleitoral, mesmo porque a concorrência é menor.
Nada mais justo, então, que reivindiquem postos de decisão compartilhada no Consórcio Intermunicipal. Para completar, a Câmara Regional veio para mexer de vez com o senso participativo dos setores públicos e com a solidariedade de agentes sociais e econômicos. As reuniões que se sucedem revelam volúpia interessante de ocupação de espaços nos grupos e sub-grupos temáticos. Por isso, é até natural que alguns excessos de egocentrismo e fissuras de idiossincrasias brotem nos novos relacionamentos.
Já não se pode relevar alguns escorregões públicos de autoridades graduadas. E isso também não faltou num março em que as águas não rolaram como antes, mas sobraram bobagens de quem é referencial importante no cotidiano.
A dúvida é saber quem estatelou-se mais no solo do individualismo pouco construtivo: o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, representado no ato do lançamento do novo veículo da Ford pelo presidente da CUT, Vicentinho Paulo da Silva, o prefeito Maurício Soares, de São Bernardo, ou o prefeito de São Caetano, Luiz Tortorello? O primeiro, Marinho, cuspiu no prato de civilidade e comprometimento com os planos de mudança da imagem da região ao, juntamente com a diretoria do Sindicato, promover ato de protesto ao presidente da República. O segundo, Maurício Soares, ao anunciar intempestivamente uma guerra fiscal para atrair empresas de leasing. O terceiro, Luiz Tortorello, por dar a impressão de que, mais do que administrar, está mesmo é preocupado em guerrear.
É por tudo isso que está resumidamente nestas linhas, e também pelas 96 páginas de textos desta publicação, que LivreMercado resolveu somar-se ao Diário do Grande ABC a partir da próxima edição e tornar mais sólido um projeto que jamais pretendeu apenas acompanhar, mas contribuir na projeção e acelerar o ritmo desses novos tempos econômicos da região.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL