Acompanhe com atenção redobrada estas linhas para que não haja dúvida sobre a lógica do título acima.
A Folha de S. Paulo acabou com a farra preparada pelo Estadão. Que farra? De procurar levar ao distinto público que consome informações desse mais que centenário e respeitável veículo fundado pela família Mesquita notícias que produzem trapaças tanto quanto várias que o próprio jornal denuncia em editoriais envolvendo a classe política.
Na última sexta-feira tanto o Estadão quanto a Folha publicaram com destaque a notícia sobre o “Cansei”, como se resume o pretensioso e maroto Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros.
Escreveu o Estadão (sob a manchete “Em SP, lançada ofensiva contra impunidade”) que ao movimento já se teriam juntado milhares de empresários, advogados, industriais, banqueiros e profissionais liberais. “A campanha foi lançada na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo” — escreveu o Estadão. Mais adiante, uma declaração do presidente da OAB, Luiz Flávio Borges D’Urso:
“Não é um movimento contra o governo, nem contra ninguém, é a favor do Brasil. É um ato de cidadania, de indignação da sociedade civil pelo momento que estamos vivendo, uma mobilização sem padrinho, sem patrono, sem chefia, sem estrelas” — disse o dirigente da OAB naquela reportagem, exatamente na semana seguinte ao metralhamento do governo federal pelo mesmo Estadão e outros veículos de comunicação que colocaram no mesmo saco sem fundos de especulações o caos aéreo e o acidente com o avião da TAM.
A Folha de S. Paulo, da mesma data, sob o título “OAB lança campanha Cansei para protestar”, tratou de colocar os pingos nos respectivos “is”. Vejam alguns trechos:
(…) A iniciativa tomou forma a partir de reuniões no escritório de João Dória Jr. No ano passado, ele promoveu almoços para arrecadar recursos para a campanha do tucano Geraldo Alckmin à Presidência. Oficialmente, a OAB lidera o grupo. (…) Na semana passada, após o acidente (da TAM), um grupo se reuniu no escritório de Dória em São Paulo para discutir a idéia. Nesta primeira reunião, estavam publicitários como Sérgio Gordilho, presidente da agência de publicidade África, e membros do Comitê dos Jovens Empreendedores da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), como Ronaldo Koloszuk. Depois, o grupo ganhou a adesão de outras entidades, como a Associação Comercial de São Paulo. (…) Quem capitaneou a produção das peças foi a África, de Nizan Guanaes. Ele fez a campanha do tucano José Serra à Presidência, em 2002, e uma de suas empresas ganhou neste mês parte da conta dos Correios, do governo federal, no valor de R$ 22 milhões. Os organizadores do Cansei dizem que outras agências colaboraram com o movimento, mas não divulgaram o nome — escreveu a Folha de S. Paulo.
O que pergunto, caro leitor, é o seguinte:
É possível acreditar no jornalismo verde-amarelo quando há tamanha disparidade de informações?
A manipulação descarada do Estadão, que nas edições seguintes abordou o temário com discrição, sem retificar a origem do movimento, é subproduto de interesses editoriais muitas vezes imperceptíveis para quem consome informação sem senso crítico. Foi assim, repito o que escrevi semana passada, que o caso Celso Daniel foi tratado. Elegeram um bode expiatório (Sérgio Gomes da Silva) e o mataram em vida.
João Dória Jr é uma mistura de publicitário, jornalista, promotor de celebridades empresariais e, principalmente, lustrador de botas dos políticos mais poderosos que fazem do clima frio de Campos de Jordão veraneio. Ele tem todo o direito, como seus parceiros de jornada, de preparar o movimento que quiser contra qualquer que seja o governo, como, aliás, a CUT e outras siglas de esquerda fizeram durante muito tempo, quando oposição.
Entretanto, João Dória Jr não pode contar com a submissão de uma parte da mídia para disfarçar os interesses daqueles que lhe dão sustentação e fortuna. Aliás, nada disso surpreende porque, juntamente com Jô Soares, da TV Globo, foi escalado para o pelotão de fuzilaria para levar o assassinato do prefeito Celso Daniel para a arena político-eleitoral. Os distantes irmãos de Celso Daniel foram santificados, como se sabe.
Cansei, o título do movimento, não poderia ser mais apropriado para os leitores indignados com um jornalismo que se diz independente e ético mas, no fundo, no fundo, se confunde com a própria história de manipulações e desvios do País. Será que ainda não entenderam que o terceiro turno das eleições presidenciais já se tornou um abuso e que o País precisa de fato de cidadania republicana?
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20/02/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (21)