Das duas, uma: ou mídia, acadêmicos, filósofos, cientistas sociais e tantos outros especialistas e curiosos requisitados para interpretar os novos lances do chamado mensalão formam um bando de ignorantes ou estão mais que mancomunados com algo que pretendem negar publicamente apenas porque são dentes de uma engrenagem manjadíssima de defender publicamente a moralidade e a ética dos outros.
É melhor, muito melhor e aconselhável, acreditar na segunda alternativa.
O que quero dizer com isso é que ou todos os supostos desbravadores da ética e da moralidade pública formam uma banda fora do tempo em matéria de práticas políticas e, por isso mesmo, deveriam ser requisitados para compor uma orquestra de anjos, ou não lhes restaria saída senão ser tachados de prestidigitadores sociais, porque mentem com a maior cara-de-pau da história.
Mensalão não passa em realidade de financiamento pré-eleitoral e pós-eleitoral de acordos políticos tão antigo quanto a prostituição. O que se pretende com tamanha encenação é manter o Brasil aprisionado a interesses políticos e eleitorais, em detrimento de agenda prospectiva na economia e no social que nos retire do quintal dos países emergentes.
Fosse a mídia menos interesseira em compactuar com articulações marotas de gente especializada em levar para o palco uma permanente companhia de atores mambembes, o mensalão não chegaria à dissimulada extravagância moralizadora. Trata-se apenas de espuma. O que está em jogo, de fato, são as próximas eleições. As diversas faces do multipartidarismo de práticas chamadas de mensalão não foram suprimidas das relações políticas nem foram inventadas pelo governo petista.
O grande erro do PT então na oposição era propagar-se única virgem na casa de massagem da política nacional. Agora, o que querem fazer crer os oposicionistas é que PT e aliados são a única Bebel na mesma casa de massagem da política nacional.
Posso estar enganado, mas o cidadão comum, endinheirado ou não, letrado ou não, não dá a mínima bola aos novos desdobramentos do chamado mensalão, nem mesmo às decisões do Supremo Tribunal Federal.
Exala cheiro forte de hipocrisia em tudo que se lê e se ouve. Os editoriais de jornais supostamente plurais e apartidários não resistem à recuperação da história porque são seletivos na avaliação do genoma de recursos de caixa dois no ambiente político.
De fato, só há novidades nas fórmulas que se usam, renovadas a cada possibilidade de exaustão. Como, por exemplo, na sensibilização de parlamentares à aprovação da emenda de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. O então presidente teve em quem se inspirar porque seguiu figurino semelhante ao da farta distribuição de canais de emissoras de rádio e televisão dos tempos em que José Sarney conseguiu esticar o mandato de presidente-substituto.
É preciso muita ingenuidade ou cara-de-pau para acreditar que foram os olhos e as bochechas de FHC ou a camaradagem de Sarney que levaram a maioria dos deputados às alterações constitucionais.
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20/02/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (21)