Regionalidade

Vera Cruz tem
apoio federal

DANIEL LIMA - 05/05/1998

Agora é só pegar. O ministro Francisco Welfort, da Cultura, liberou R$ 11,9 milhões em incentivos pela Lei Rouanet para o Projeto Nova Cruz. Com os R$ 5 milhões já empenhados no orçamento do governo do Estado de São Paulo, a Companhia Cinematográfica Vera Cruz volta a sonhar em resgatar o passado de glória da década de 50 e converter-se na grande indústria cinematográfica brasileira, pois é calculado em R$ 15 milhões o investimento necessário à empreitada. "As empresas podem nos procurar para se habilitar aos incentivos culturais no Imposto de Renda oferecidos pela Lei Rouanet à iniciativa privada. Já abrimos conta específica e confeccionamos recibos" -- comemora o produtor Ivan Ísola, coordenador de audiovisual da TV Cultura e um dos integrantes do projeto. Ivan, inclusive, montará quartel-general dentro dos estúdios em São Bernardo provavelmente a partir do próximo mês, quando devem ser iniciadas as obras.


Outro megaprojeto na área de lazer cultural que pode ser deslanchado por meio de parceria entre Poder Público e capital privado é a Vila de Paranapiacaba. Neste início de maio o empresário Beto Carrero faz chegar à direção da Rede Ferroviária Federal, dona do patrimônio da antiga vila inglesa, carta de intenções sobre o complexo de diversões que pretende montar na área. Segundo a idealizadora do projeto, a jornalista Maria Cristina Poli, já está decidido que se tratará de um parque contemplativo, provavelmente com o tema História do Brasil.


A carta de intenções tem o propósito de formalizar a autorização da Rede para que Beto Carrero prepare anteprojeto sobre o parque. "Formaremos agora um grupo de trabalho com arquitetos, ambientalistas, historiadores, representantes da Prefeitura e membros do Fórum da Cidadania para estabelecer cronograma de atividades e elaborar o projeto propriamente dito" -- comenta Cristina Poli. A opção pelo perfil contemplativo do parque tem como propósito preservar as características originais da vila, plantada na Mata Atlântica. "Já estabelecemos como área de interesse para visitação pública o miolo envolvendo a plataforma ferroviária e o centro" -- adianta Cristina Poli, que pensou na temática História do Brasil devido à identificação de Paranapiacaba com a imigração inglesa e a importância da linha férrea para a industrialização de São Paulo. "Podemos colocar personagens da história dentro do trem que levará turistas até a vila" -- comenta. O empresário Beto Carrero calcula que a visitação não poderá superar a duas mil pessoas/dia.


Como Paranapiacaba, a Vera Cruz é um marco estacionado durante anos no esquecimento dos Poderes Públicos e que agora começam a ser guinchados pelo interesse de governantes, empresários e sociedade em transformá-los em pólos de entretenimento e cultura. No início de abril último o Diário Oficial do Estado publicou edital de licitação para os projetos e obras nas instalações da Vera Cruz. Até o final do mês, 20 empresas haviam se interessado, segundo Ivan Ísola. O processo se estende até 12 de maio e, se não houver impugnação, a comissão de licitação libera o projeto, cujas obras se iniciariam em junho. A Nova Vera Cruz prevê, além de recuperação dos estúdios, complexo cultural com 3,6 mil metros quadrados, teatro para mil pessoas, sala de projeção, centro de exposições, escola profissionalizante de cinema e cidade cenográfica. A Volkswagen do Brasil já confirmou investimento no centro cultural, em torno de R$ 500 mil. Ford, Mercedes-Benz e Scania também pretendem adquirir cotas. Segundo Ísola, as cotas vão de R$ 500 mil a R$ 2 milhões, mas é possível valor menor a pool de empresas. 


Em Santo André, várias ações recentes colocam Paranapiacaba no degrau de prioridades da Prefeitura. Após retornar do Rio de Janeiro, sede da Rede Ferroviária, em meados do mês passado, o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Irineu Bagnarolli Júnior, mobilizou a equipe de trabalho em torno de quatro metas: efetivar o órgão gestor de Paranapiacaba, fixar diretrizes para atuação dos ONGs (Órgãos Não-Governamentais), um plano emergencial para regularizar todas as entidades que querem atuar no projeto e legalizar a parte fundiária. Montar um mapa da divisão fundiária da vila é ação básica porque na parte alta as casas não têm donos. É necessário documentar a situação desses imóveis que datam do século passado para saber como se dará a preservação: se vão pertencer à Rede, ao órgão gestor ou aos moradores. Da mesma forma, formalizar o órgão de gestão ganha prioridade porque é de onde sairão diretrizes para o almejado complexo turístico. Há consenso de que o melhor substituto da Rede é uma fundação de direito privado, que pode harmonizar gestão pública, participação da sociedade e captação de recursos privados.


Cinema e teatro -- A vida cultural da região também ganha novas opções com a entrada em funcionamento do multiplex da rede americana Cinemark ao lado do Hipermercado Extra de São Bernardo, além da reinauguração em grande estilo do Teatro Cacilda Becker, também no Município. Neste 9 de maio, às 20h, com entrada gratuita, a bailarina Andréa Thomioka, consagrada internacionalmente, protagoniza o espetáculo de reabertura do Cacilda Becker, devolvido com os 394 lugares reformados, ar condicionado restabelecido, bastidores, sanitários e camarins reconstruídos. A reforma contemplou até construção de uma copa, ao custo de R$ 150 mil.


Mais do que oferecer 1,8 mil novas vagas de cinema, o novo multiplex da Cinemark introduz no Grande ABC o moderno conceito de salas stadium. As poltronas enfileiradas em níveis diferenciados têm inclinação que não atrapalha a visão da tela. O complexo de cinemas custou US$ 5 milhões e reúne nove salas com 100, 200 e 300 lugares. Também proporciona comodidades como telas parede-a-parede, som digital e estéreo, poltronas reclináveis e duplas, suporte para copos e estacionamento compartilhado com o Extra. 


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