Economia

Hortolândia não
vai ficar com tudo

DA REDAÇÃO - 05/06/1999

A EMS não vai sair do Grande ABC. Pelo contrário. Está investindo R$ 6,5 milhões na fábrica de São Bernardo -- R$ 1,5 milhão em uma nova unidade de hormônios, que será inaugurada na primeira quinzena deste mês, e R$ 5 milhões em processos de automação. "Realmente pensamos em sair. Mas resolvemos ficar porque temos tradição de 36 anos na região e vamos investir para modernizar a fábrica" -- garante o presidente, Carlos Eduardo Sanchez, filho do farmacêutico Emiliano Sanchez, fundador da EMS, que hoje possui sete divisões e faturou R$ 140 milhões no ano passado.

O investimento em São Bernardo foi anunciado por Carlos Sanchez dia 31 de maio, quando participou da inauguração da unidade 2 da EMS, em Hortolândia, na Grande Campinas, ao lado de uma dezena de autoridades estaduais e federais, entre as quais o governador Mário Covas. Sanchez disse que chegou a ser cogitada a transformação da fábrica de São Bernardo em escola técnica de formação de profissionais para a indústria farmacêutica, em parceria com o Instituto Butantã. "Mas fizemos um reestudo e chegamos à conclusão de que é melhor permanecer com a unidade em São Bernardo porque fazemos no Grande ABC produtos incompatíveis com os que serão fabricados em Hortolândia. Além do mais, nosso negócio é indústria, não escola" -- afirma Carlos Sanchez.

A filial da EMS inaugurada na Grande Campinas é uma ilha de excelência, totalmente enquadrada nos padrões do FDA (Food and Drug Administration), órgão que regulamenta a produção de remédios e alimentos nos Estados Unidos. A área construída, de 40 mil metros quadrados, é quatro vezes maior que a da unidade de São Bernardo. O terreno tem 160 mil metros quadrados, o que significa que comporta ampliações de até três vezes o tamanho atual. Atividades como manipulação, estocagem, transferência e embalagem são feitas por máquinas, sem contato manual dos funcionários, aos quais compete apenas a tarefa de operar computadores pelo sistema toque-na-tela. O tamanho da excelência chega até maçanetas e dobradiças das portas dos laboratórios e das áreas produtivas: são de aço inoxidável, material que permite perfeita regulagem e, consequentemente, mais segurança.

A permanência da EMS em São Bernardo não pode ser considerada vitória plena do Grande ABC. A região perdeu o investimento de US$ 40 milhões realizado em Hortolândia porque terrenos vizinhos para a ampliação da unidade 1 têm preços considerados proibitivos. A empresa farmacêutica ganhou benefícios para se instalar na Grande Campinas -- 10 anos de isenção do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e terraplanagem total do terreno. Perda tão importante quanto a do investimento é a da produção de líquidos, transferida integralmente de São Bernardo para Hortolândia, onde foram criados 550 empregos. 

A nova fábrica tem capacidade instalada para produzir mensalmente 100 milhões de comprimidos, oito milhões de ampolas, 3,6 milhões de unidades líquidas e três milhões de unidades gotas, além de cremes, pomadas, pós extemporâneos, gelatinosos e bálsamos. "São Bernardo ficará com toda a produção de sólidos, comprimidos de antibióticos e nossa pílula anticoncepcional. Serão mantidos os 650 empregos da fábrica" -- garante Carlos Sanchez. A produção atual de sólidos em São Bernardo atinge meta que a empresa previa para dentro de 10 anos. A idéia da EMS agora é intensificar a exportação de 300 produtos. É justamente para isso que a empresa está ampliando a capacidade de produção, além de incrementar a distribuição no mercado interno. "Abrir novas divisas é importantíssimo para o Estado de São Paulo" -- festejou o governador Mário Covas na inauguração de Hortolândia.

Quem vê as unidades industriais da EMS não imagina que tudo começou em 1950, numa farmácia da Rua Oratório, 1587, em Santo André. O estabelecimento se chamava Santa Catarina e hoje, com novos donos, ostenta o nome Droga Bonfim. Foi lá que o farmacêutico Emiliano Queiroz, homem que não tinha sequer formação do que se chama hoje Ensino Básico, realizou as primeiras experiências, inicialmente com perfumes. Em 1963 Emiliano fundou em Santo André a EMS Indústria Farmacêutica, pouco depois transferiu a empresa para São Bernardo e começou a adquirir laboratórios, como o Legrand e a Novaquímica, entre outros.


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