Economia

Não subimos
nesse pódio

DA REDAÇÃO - 05/05/2000

Quanto mais cair na real, mais o Grande ABC encontrará meios de reverter o quadro de perdas na indústria, comércio e serviços. Basta que administradores públicos e entidades da sociedade civil sejam cada vez mais ágeis na interpretação dos sinais gerados pela nova economia da informação em tempo real, que redesenha o mundo dos negócios.


Alguns sinais estão presentes em pesquisa realizada pela Simonsen Associados, publicada pela revista Exame, sobre as 100 melhores cidades brasileiras para se fazer negócios. Ao associar desenvolvimento econômico e potencial de consumo a itens cada vez mais essenciais, como qualidade de vida, grau de escolaridade e saúde, a pesquisa traz alguns importantes indicativos a serem analisados.


Se o levantamento obedecesse normas da velha economia, restritas a índices econômicos como arrecadação de impostos, vendas do comércio e faturamento de empresas, é certo que o Grande ABC estaria presente com pelo menos um Município no ranking dos 10 melhores. Ocorre que, ao acentuar aspectos sociais -- lição de casa que a região não fez no tempo certo --, a pesquisa gera surpresas como a exclusão de cidades como Diadema e Mauá, industrializadas e populosas, mas com pouquíssima qualidade de vida.


Curitiba (PR), a capital brasileira de Primeiro Mundo, é classificada pela Simonsen Associados como a melhor cidade brasileira para se fazer negócios -- o que não surpreende. A seguir, na lista das 10 melhores, vêm pela ordem Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Campinas (SP), Blumenau (SC) e Vitória (ES). São Bernardo, cidade do Grande ABC melhor classificada, é a 11ª da lista. Por causa da qualidade de vida? Certamente não. É mesmo pela concentração industrial que inclui cinco montadoras de veículos.


Ribeirão Pires, campeã regional da qualidade de vida, está em 78º lugar na lista das 100 melhores. Surpresa? Nem um pouco. A cidade se vê às voltas com preservação de indústrias como a Móveis Bartira, que ameaça debandar para São Caetano, e sempre se lamenta por estar em área de manancial, mas é um bom lugar para negócios porque na era da Internet tem condições de abrigar empresas de tecnologia de ponta altamente lucrativas. Basta levar em conta que cresce o número de empreendedores interessados em viver rodeados de árvores e bem próximos de grandes centros econômicos.


Santo André, Município do Grande ABC que mais perdeu em arrecadação de ICMS, e São Caetano, que já teve a maior renda per capita do País, também foram listados pela Simonsen. Santo André numa posição intermediária -- 33º lugar --, abaixo de Santos, Sorocaba e Americana. São Caetano, 14ª classificada, é separada de São Bernardo por Niterói (RJ) e Jaraguá do Sul (SC), mas está à frente de dois outros expressivos pólos econômicos de São Paulo: São José dos Campos (16º) e Ribeirão Preto (17º).  


A pesquisa da Simonsen acentua transformações. Locomotiva que puxa a economia do País, onde responde por quase metade do PIB (Produto Interno Bruto), o Estado de São Paulo está sendo redesenhado pela nova economia. Apesar de a Capital, a maior da América Latina, aparecer em quarto lugar na pesquisa, é o Interior que se destaca. Bons padrões de qualidade de vida, de escolaridade e de saúde fazem com que apareçam na lista cidades sempre ignoradas quando o assunto é potencial de desenvolvimento econômico. São os casos de Cotia, Atibaia, Marília e Araras.


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