Não há ambiente corporativo que esteja livre do alfabeto da ineficiência. Por melhor que seja uma organização privada, pública ou não-governamental, não faltam situações que amarram o rendimento coletivo e tornam a produtividade um desafio muito mais difícil de ser alcançado. Leia com atenção o abecedário que se segue, analise sua corporação e veja como é difícil deixar de concordar (e de anotar um imenso xis) com boa parte das letras em negrito.
a -- Animosidade (é muito melhor resolver logo a situação. Quem acha que problemas se resolvem protelando decisões acaba descobrindo o efeito fermento, isto é, as dificuldades para os reparos serão crescentemente maiores na exata proporção do adiamento).
b -- Banalidades (o tempo é curto demais para se perder tempo com bobagens).
c -- Cretinice (o tempo é valioso demais para se perder tempo com idiotices).
d -- Dondoca (quanto desperdício em achar que só a vestimenta pessoal resolve a questão da capacitação. Cada vez mais o conteúdo faz a diferença).
e -- Elefantismo (estruturas grandes demais nem sempre significam produtos igualmente grandes).
f -- Fanfarronice (nada pior do que cantar de galo e não ter milho para comer ou distribuir entre colaboradores).
g -- Gatunagem (a dúvida é dimensionar que tipo é mais perigosa, se a gatunagem material ou a gatunagem intelectual. A material provoca desfalques às vezes irreparáveis. A intelectual ultrapassa os limites da desonestidade e chega aos porões da bandidagem).
h -- Hermetismo (quantas pessoas são fechadas apenas aparentemente, porque agem com desenvoltura nos quatro cantos, sorrateiramente, manipuladoramente?)
i -- Igrejinhas (ah!, como temos exemplos de gente que vive disso e que sobrevive a todos os cataclismas corporativos. Afinal, não é a toa que igrejinha vem de igreja. Querem instituição mais poderosa?).
j -- Jumentice (o pior tipo de jumento é o jumento diplomado, aquele que tem canudo de uma faculdade qualquer e acha que só por isso pode arrotar conhecimento. Alguns chegam ao desplante de tapar o sol da incompetência com a peneira do diploma pendurado na parede).
k -- Know-how (esse estrangeirismo não se esgota apenas na forma linguística, para desgosto dos puristas, mas principalmente para impressionar platéia interna e externa de uma corporação. É uma arma na mão de desastrados que já fizeram patifarias em outros endereços e que geralmente se apresentam com fórmulas acabadas. E todos sabem que gestão corporativa é obra em permanente execução.
l -- Ligeireza (quantos levam a desastres de relacionamentos pessoais e corporativos dando o passo muito mais rápido do que as pernas sem se deixar tropeçar? Desconfiem dos velocistas).
m -- Mandonismo (quantos mandam para valer, arbitrariamente e disfarçados de bom-mocismo, e quantos democratizam intensamente fantasiados de ditadores?)
n -- Neutralidade (desconfie dos neutros: eles são terrivelmente bandeadores; agem de acordo com as circunstâncias que possam lhes favorecer individualmente. A corporação que se dane).
o -- Opressão (quantos ambientes corporativos exalam opressão, expressa na ausência de vitalidade criativa?).
p -- Procrastinador (essa espécie da fauna corporativa é tão densa quanto nociva).
q -- Queixoso (Tanto pode ser um grande estorvo corporativo como uma grande solução. Depende do diagnóstico preciso. O queixoso hipocondríaco é um perigo, porque faz de problemas comuns uma montanha inacessível. O queixoso raivoso é momentâneo e merece ser avaliado com atenção, para separar o joio do trigo. O queixoso valioso é aquele que sabe das coisas, está cansado de denunciar e não lhe dão o devido respeito porque o confundem com outros tipos de queixosos.
r -- Rastreadores (em vez de trabalhar, preferem seguir os passos de quem o faz).
s -- Sabotadores (têm grau de eficiência muito mais destrutivo do que os rastreadores, porque saem da teoria à prática).
t -- Tangenciadores (faltam-lhes foco e compromisso com resultados. Vivem de lobismo).
u -- Usurpadores (contabilizam para si os lucros obtidos por terceiros e distribuem sem cerimônia todos os eventuais prejuízos também para terceiros).
v -- Vagalumes (têm brilho esparso, intermitente, mas não são capazes de resolver o problema do racionamento de recursos financeiros e intelectuais).
x -- Xeretas (metem o bico onde acham que podem e geralmente só tumultuam).
z -- Zombeteiros (acham que têm ironia fina, mas não passam de caricaturas mal-ajambradas. Jogam no time da Segunda Divisão intelectual porque não lhes resta nem mesmo competência para transformar a ironia numa esgrima. Usam o facão prosaico e desajeitado da provocação explícita).
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20/02/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (21)