Economia

Vizinho também
pode ser parceiro

VERA GUAZZELLI - 05/11/2001

Enquanto a maioria das lideranças políticas do Grande ABC insiste em manter olhar míope e isolado sobre o problema da evasão industrial, grupo de empresários de Mauá prova mais uma vez que a união ainda faz a força. A recém-constituída Associação dos Empresários do Pólo Industrial do Sertãozinho é ponto de partida para formação do segundo condomínio industrial de Mauá e para mais uma experiência de gestão compartilhada no único Município da região que apresenta indicadores de crescimento da atividade produtiva.  

A associação originou-se de movimento para reivindicar segurança para o pólo, ganhou contornos mais abrangentes e vai extrair da proximidade física benefícios extras para reduzir custos operacionais. A idéia inicial de arcar com os custos da construção de uma base de segurança é apenas a primeira ação concreta da entidade, que já está juridicamente legalizada. A nova associação também se prepara para viabilizar as obras do condomínio industrial e planeja estar com dois projetos concretizados já nos primeiros meses de 2002.    

A proposta principal das 45 empresas que encamparam a empreitada é formalizar parceria com Prefeitura e governo do Estado para instalação de Posto Integrado de Segurança na Avenida Papa João 23. A iniciativa privada já se comprometeu a arcar com a construção orçada em R$ 32 mil e com os custos mensais de manutenção do prédio. Para dar início às obras, aguarda apenas que a Prefeitura legalize a concessão da área e estruture junto com a Polícia Militar a melhor maneira de destacar o efetivo. "Os trâmites legais já se encontram em andamento e temos a expectativa de que o projeto possa estar concretizado em seis meses" -- garante o secretário de Desenvolvimento Econômico, Paulo Eugênio Pereira.

A Associação dos Empresários de Sertãozinho também vai aproveitar o dispositivo criado pela nova Lei de Zoneamento para inserir 15 empresas em novo condomínio industrial. O número está limitado a apenas um terço do total de participantes da entidade porque a configuração geográfica e peculiaridades operacionais impossibilitam a adesão da maioria. "Mas a associação não vai se restringir às empresas que integrarem o condomínio. Pretendemos captar novos associados e envolver a maioria em rede efetiva de cooperação" -- explica a presidente da associação e gerente administrativa da Max Del Indústria Metalúrgica, Roseli Maria Biason Mussini. A Max Del, fabricante de parafusos e fixadores, está sediada em Mauá há 24 anos e é uma das 51 novas indústrias que desembarcaram no Pólo de Sertãozinho nos últimos quatro anos. 

Tendência -- O condomínio a ser efetivado pela Associação dos Empresários de Sertãozinho é o segundo do distrito industrial de Mauá. Desde maio último, 28 empresas localizadas no antigo Loteamento Coral já compartilham portaria única de acesso e câmeras de segurança. São indústrias que se encontram em área fechada de 1,5 milhão de metros quadrados e estão reunidas na Acibam (Associação Condomínio Industrial Barão de Mauá). 

A associação de empresas em condomínios industriais ainda é incipiente no Grande ABC. Mas a racionalização de custos almejada pelo modelo de gestão compartilhada é praticamente similar nas duas entidades que se formaram em Mauá. Além de dividir custos de portaria e segurança, as empresas planejam otimizar os serviços bancários, de assistência médica e até montar central para compra de materiais de escritório e de limpeza. "Cada centavo economizado nos permite ser mais competitivos. Juntos também somos mais fortes para cobrar atitudes do Poder Público" -- raciocina Roseli Mussini. A Associação dos Empresários do Pólo Industrial do Sertãozinho reúne empresas como Basf Poliuretanos, Bridgestone/Firestone, Metalúrgica Jardim, Lara, Forjafrio e Ferkoda, entre outras. 



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