Economia

Tecnologia para
bons resultados

WALTER VENTURINI - 01/08/2002

A Innova (Incubadora de Base Tecnológica de Santo André) inicia atividades sob dois testes de fogo: está longe do modelo ortodoxo dos berços tecnológicos -- amparados em 90% dos casos por universidades públicas --, além de apenas três dos 10 candidatos terem passado pela estreita porta de projetos considerados viáveis. O rigor na triagem é explicado porque a Prefeitura quer apostar, mesmo, em empresas avançadas que possam substituir a antiga indústria pesada que se foi. "Optamos por um processo de seleção longo e rigoroso para obter resultados com menos furor, mas com maior consistência. Preferimos garantir que as empresas incubadas estarão aptas a fazer as idéias darem certo" -- afirma o coordenador Roberto Vasques. 

Das 10 propostas, quatro foram colocadas em estágio de espera no chamado Hotel de Projetos. Têm prazo de 12 meses para detalhar melhor seus projetos e obter financiamentos. As três aprovadas terão dois anos de acompanhamento gerencial e assessoria tecnológica, com possibilidade de prorrogação da residência por mais 12 meses. A Sinthetika apresentou projeto na área de química fina para sintetização de moléculas e obtenção de princípios ativos. Outro filão será a produção de remédios e defensivos agrícolas cujas patentes estão expirando, após 20 anos de exclusividade. A Sinthetika também pretende certificar novos princípios ativos que chegam ao Brasil.

Os outros dois candidatos a empreendimentos são na área de software. O Four It desenvolveu software livre de gestão empresarial voltado a empresas de médio porte e que terá somente custo de instalação. Já a 2M Informática criou programa para laboratórios médicos destinado à intermediação das operações de autorização de exames junto a seguradoras. 

Entre os quatro candidatos que foram para o Hotel de Projetos estão o Bomshopping, software que promete abrigar num shopping virtual produtos de pequenas empresas, e a Safety Kids, que pretende produzir novo dispositivo de segurança veicular para crianças. Já o empreendedor Isao Shirasawa projetou um novo reator para lâmpadas elétricas e o Marts El desenvolveu uma modalidade de cartão eletrônico.

O coordenador Roberto Vasques conheceu diversas experiências de incubadoras de base tecnológica para ajudar na estruturação da Innova. Visitou desde a pioneira no Brasil, em São Carlos, e o Cietec-USP (Centro Incubador de Empresas Tecnológicas da Universidade de São Paulo), que conta com mais de 90 projetos, até a incubadora da Universidade Federal de Santa Catarina, que tem à disposição 25 funcionários da escola. "Por isso procuramos um outro modelo, porque não temos grande número de funcionários nem uma universidade pública" -- explica. 

Os planos de negócios das incubadas terão acompanhamentos mensais e avaliações semestrais. A Agência de Desenvolvimento Regional, parceira na Innova ao lado da Prefeitura e do Sebrae-SP, vai firmar termo de cooperação técnica para que as empresas aprovadas iniciem em um ano produção e as primeiras vendas.  "Além da taxa de incubação, as empresas vão pagar um percentual sobre o faturamento pelo mesmo período em que ficarem incubadas" -- explica Roberto Vasques. A Innova dispõe de recursos da Prefeitura, que investirá média anual de R$ 380 mil, e do Sebrae, que entrará com duas parcelas de R$ 100 mil, para 2002 e 2003. O dinheiro será destinado ao fundo de sustentabilidade da incubadora. O objetivo é que até o final de 2004 a incubadora seja auto-sustentável. A idéia é também criar um conselho de mantenedores, como faz a Cietec da USP, com empresas e escolas que apóiam tanto a incubadora institucionalmente como projetos específicos de alunos, conta Roberto Vasques.


São Bernardo decola -- Lançada em abril de 2000 como um berçário misto e no ano passado passando a abrigar apenas empreendimentos de base tecnológica, a Incubadora de Empresas de São Bernardo faturou no primeiro semestre de 2002 R$ 590 mil. São 10 incubados, quatro dos quais participam em agosto da Inova Brasil (Exposição de Produtos Inovadores), em São Paulo, patrocinada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. 

Dois novos projetos estão se incorporando à Iesbec, um para produção de filtros de combustível e outro prevendo novo processo para produção de tintas e vernizes não tóxicos com uso de resinas protéicas.


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