Economia

Sobra número,
falta análise

MALU MARCOCCIA - 01/09/2002

Escassez de dinheiro ou fartura de estatísticas que dispensam um novo corte regional? São várias as explicações, mas o fato é que o Grande ABC vai ficar sem uma amostra expandida na 2ª Paep (Pesquisa da Atividade Econômica Paulista), como ocorreu na primeira edição, feita em 1996 pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). A ausência desses levantamentos, entretanto, não vai criar constrangimentos à região, já que a pilha de números identificados na Paep anterior recebeu interpretações totalmente equivocadas da parte do estatístico contratado pela Agência Regional de Desenvolvimento Econômico, João Batista Pamplona. Com todas as evidências microeconômicas e com a profundidade de dados coletados em 7,8 mil empresas do Grande ABC -- de um total de 28 mil no Estado --, João Pamplona insistia em dizer que não houve desindustrialização na região nem perda da riqueza industrial, como LivreMercado identifica há anos em série histórica de estudos. Pamplona foi demitido há dois meses.

Se é importante do ponto de vista de atualização de indicadores, já que o último censo socioeconômico do Estado foi realizado em 1985 pelo IBGE, a Paep-96 pouco tem servido ao Grande ABC em se tratando de subsidiar políticas públicas integradas -- objetivo para a qual foi contratada pelo Consórcio de Prefeitos. Como documentário a pesquisa rendeu quatro cadernos estatísticos, dois dos quais ajudaram a trazer para Santo André o Seminário Internacional Cidades Produtivas e Inclusivas, patrocinado pela ONU. Mas os sete municípios da região continuam marchando isolados, a ponto de São Bernardo ter contratado a Ruschmann Consulting para uma varredura sobre o potencial empresarial turístico da cidade e Diadema estar trabalhando com a Universidade Federal do Rio de Janeiro para levantar o próprio censo socioeconômico.

O grande equívoco da primeira edição da Paep foi não escancarar que o outrora eldorado industrial não era à prova de competição. A globalização colocou uma nuvem sobre o Grande ABC e deixou centenas de empresas respirando por meio de aparelhos, além de ter jogado o emprego na UTI. Quem não sucumbiu bateu em retirada, e quem ficou se reestruturou de maneira funda. Os novos tempos de racionalização de custos e sofisticação tecnológica custaram ao Grande ABC pelo menos 100 mil empregos só na indústria de transformação na década de 90, sem falar na perda de 34,13% do Valor Adicionado no Estado entre 1980 e 2000 e no tombo de 34,07% no ICMS entre 80 e 2001, como LivreMercado identificou. 

LM tem se debruçado historicamente sobre a movimentação de receitas tributárias, índices de desemprego, PIB regional e indicadores de potencial de consumo com base em bancos de dados oficiais, tais como Secretaria da Fazenda do Estado, Ministério do Trabalho, Ipea e Target, entre tantos outros. Foi a partir dessas análises que LM antecipou, por exemplo, que o Grande ABC perderia para Belo Horizonte, em 2001, o terceiro lugar no ranking nacional do IPC (Índice de Potencial de Consumo). Os dados regionais da Paep, portanto, pouco serviram porque não foram contextualizados com indicadores macroeconômicos. De nada adianta à Agência de Desenvolvimento propagandear que 54% das montadoras inovaram processos ou que 34% das fabricantes de máquinas e aparelhos fizeram lançamentos em 1996 sem explicar por que a maioria restante passou ao largo das inovações.

"Estamos buscando novo coordenador de pesquisas que conheça a dinâmica e a complexidade da região. Também deve ser um agente com mais jogo de cintura para dialogar com as várias frentes envolvidas com indicadores regionais, como empresários, sindicalistas e poder público, e não apenas um acadêmico" -- afirma o assessor da Agência Regional e secretário de Relações Internacionais de Santo André, Jeroen Klink. 


Supercenso -- O novo supercenso sobre a reestruturação do parque produtor e de serviços do Estado pretende consultar 43 mil empresas sobre as atividades no ano base de 2001. A primeira Paep visitou 28 mil empresas e custou R$ 6 milhões. Esta nova é orçada em R$ 9 milhões. A coordenadora técnica Maria de Fátima Araújo explica que a ausência da amostra para os sete municípios individualmente, como foi feito em 96, não impedirá pesquisar e comparar o Grande ABC no conjunto porque a primeira Paep trabalhou a região também como um todo. Fátima confia que a edição 2001 trará mais profundidade e qualidade para as análises, já que terá 1996 como base comparativa. Estão na agenda da região 4.491 empresas e a novidade é a inserção do setor de serviços e instituições financeiras. A íntegra dos questionários e mais informações estão no site www.seade.gov.br. 


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