Economia

Grupo dos 11 deixa
Agência e dívidas

DANIEL LIMA - 01/09/2002

O Grupo dos 11, como o newsletter Capital Social identifica as associações comerciais e as diretorias do Ciesp no Grande ABC, patrocinou show de encenação dia 30 de agosto na sede do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) em Santo André. Numa ópera bufa iniciada em 5 de agosto, quando formalizou afastamento do quadro de associados da Agência de Desenvolvimento Econômico, o Grupo dos 11 reuniu a Imprensa para confirmar a decisão. Uma semana antes, atendeu convite para encontro com o diretor-geral da entidade e prefeito de Santo André, João Avamileno, que lhes solicitou rever a iniciativa. 

Por que o afastamento de uma entidade que reúne diferentes agentes públicos, privados e não-governamentais? Há motivos de sobra para qualquer um dos associados, mas nada justifica o gesto unilateral. Todos, indistintamente, são responsáveis pelos problemas estruturais e operacionais da Agência. 

A entidade tem simbologia especial. É uma das jóias da coroa da necessária institucionalidade de que a Gata Borralheira do Grande ABC tanto carece. Uma das potenciais obras institucionais deixadas pelo prefeito Celso Daniel, a Agência está distante do nível de institucionalidade necessário e nisso assemelha-se ao reticente Consórcio de Prefeitos, à letárgica Câmara Regional e às próprias entidades que a compõem e que se mantêm voltadas a suas respectivas corporações. 

O rompimento do Grupo dos 11 foi uma tentativa frustrada de fuga da realidade histórica de que praticamente nada construíram na Agência, como os demais associados. O senso de compromisso regional do diretor-geral e prefeito João Avamileno, humilde e desprendido ao chamar os amotinados de volta à entidade, não contou nem mesmo com o respeito diplomático do Grupo dos 11. Os rebeldes preferiram reunir a Imprensa e remeter carta de justificativa à confirmação do afastamento. 

Vários representantes do Grupo dos 11 apresentaram explicações insustentáveis. Tentaram transmitir operosidade jamais aplicada. Qualquer levantamento que se faça na sinuosa trajetória da Agência chegará à conclusão de que o Grupo dos 11 foi omisso em larga escala, salvo uma ou outra atuação individual, como é o caso do ex-vice-diretor Antonio José Monte, presidente da Coop. 

O exemplo mais emblemático do quanto o Grupo dos 11 jamais se preocupou com a Agência está na completa omissão no episódio combatido por LivreMercado envolvendo o então coordenador de pesquisas João Batista Pamplona, autor de fantasiosas interpretações estatísticas. Jamais qualquer uma das 11 representações se lançou criticamente contra os estudos fraudulentos do pesquisador. As entidades que formam o Grupo dos 11 tradicionalmente estão enclausuradas em atividades de prestação serviços aos associados e sofrem de raquitismo estratégico-institucional semelhante ao da Agência. 


Falta sincronia -- A caracterização dos revoltosos como Grupo dos 11 é circunstancial, porque não há sincronia entre seus próprios dirigentes em questões relevantes. Rivalidades dissimuladas são frequentes. Um ponto que torna a carta do Grupo dos 11 anedótica é a tentativa de responsabilizar a fragilizada Agência pela não realização de uma feira regional, quando se sabe que o Grande ABC não tem um único local que ofereça infra-estrutura para o empreendimento. Ao longo da história, associações comerciais e unidades do Ciesp da região cansaram de anunciar proposta de construir um centro de convenções e se limitaram a programar arremedos de frustradas exposições.  

A versão mais compatível para justificar o motim está no temor de o Grupo dos 11 ter de assumir o comando da Agência no começo do ano que vem, conforme ficou estabelecido na última eleição, em março do ano passado. Se boa parte do desinteressado Grupo dos 11 mal conseguia pagar as mensalidades, o que imaginar do resto? Também o centro-direitismo das entidades serve de explicação, num momento em que o PT vive inferno astral de denúncias em Santo André.


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