Economia

Vizinho é para
bons negócios

WALTER VENTURINI - 17/10/2002

Mais de 100 novos empresários do Grande ABC se reuniram no final de agosto em São Bernardo para uma prática ainda pouco comum na região: as rodadas de negócios. A falta de contatos faz com que muitas empresas vizinhas deixem de fazer negócios com fornecedores da própria região para contratar produtos e serviços de outros locais do Brasil e até do Exterior. A AegABC (Associação dos Empreendedores Empretecos do Grande ABC), entidade que surgiu há quatro anos de uma roda de amigos, busca recuperar o tempo perdido para intensificar um hábito tão comum no mundo dos negócios. No curto período de atividades, a AegABC organizou três rodadas de negócios e a partir de 2003 pretende realizar dois eventos por ano.

Hitoshi Hyodo, presidente da entidade, passou algumas noites em claro para estruturar uma maneira de fazer com que mais de 100 empresários pudessem expor seus negócios em apenas um dia, de tal forma que todos tivessem contatos entre si. "Fizemos um estudo matemático inédito, que resultou em um formato diferenciado. Não queríamos apenas um agendamento de conversas ou um seminário onde o empresário vai na frente e fala" -- explica.

Foram 13 mesas com 15 participantes cada. Além dos empresários, cada mesa reuniu um coordenador e uma empresa-âncora. Depois de 14 sub-rodadas, todos haviam tido contato com todos, num dia inteiro de apresentações. Cada empreendedor teve um minuto para dizer quem era, o que comprava e o que vendia. Nomes como Basf, Mazzaferro, Rolls Royce, Kostal e Bozza, entre outros, estavam entre as empresas-âncoras. "Um minuto é bastante tempo. O objetivo não é fechar negócio na hora, mas que as empresas se conheçam e estimulem a formação de uma rede de contatos" -- afirma Hitoshi Hyodo.

Empresas de informática, de projetos de engenharia, assessoria contábil e fiscal, manutenção de equipamentos, treinamento em recursos humanos e serviços de exportação participaram da 3ª Rodadas de Negócios da entidade. A 1ª Rodada de Negócios ocorreu em 2000 e a 2ª em 2001. A rodada deste ano contou com participação de 112 dos 195 empreendedores filiados à AegABC.

Para o engenheiro de vendas Luiz Augusto Sandon, da Bozza Comércio e Indústria, a vantagem da rodada de negócios é que resume num único dia de trabalho o que pode levar um ou dois meses de reuniões. "Conseguimos muitos contatos rápidos mas eficientes, de uma variedade muito grande. É proveitoso porque não se perde tempo com esse tipo de reunião cronometrada" -- considera o executivo da Bozza.


Segmentação -- Para a consultora empresarial Angela Athayde, que organizou esse tipo de evento para o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de Santo Paulo) de Santo André em meados dos anos 90, é necessário que se definam segmentos empresariais e empresas-âncoras com ampla carteira de clientes para se obter sucesso nas rodadas. Angela revela que a experiência de Santo André teve limitações por ter ocorrido em outra época e porque reuniu poucas empresas-âncoras. "Acredito muito em rodadas de negócios, desde que bem montadas. A segmentação tem dado bons resultados em feiras em Ribeirão Preto, Campinas e outros pólos do Interior, principalmente na área de agronegócios" -- avalia a consultora. 

Hitoshi Hyodo, presidente da AegABC, acredita que na rodada de negócios deste ano o papel das empresas-âncoras foi fundamental aos contatos entre participantes. "Procuramos incentivar as grandes empresas para que comprem de empresas menores. É também uma forma de estimular a economia local. Existem produtos com as mesmas especificações e preços, com a vantagem do fornecedor estar na vizinhança" -- garante. Além de duas rodadas no ano que vem, a AegABC estuda a possibilidade de uma feira regional dos novos empreendedores, demanda também detectada durante o encontro de agosto.


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