Economia

Itália pode
ser a saída?

ANDRE MARCEL DE LIMA - 05/07/2003

Enquanto o trecho sul do Rodoanel não chega e enquanto o Pólo de Capuava aguarda definições da Petrobras para se expandir, o Grande ABC se aproxima dos italianos para espantar fantasmas socioeconômicos. A Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC ganhou filial da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria, sediada na Avenida Paulista, e a Secretaria de Desenvolvimento e Ação Regional de Santo André já promoveu encontro de empresários com dois dos principais representantes dos interesses italianos no Brasil: Giuseppe Lantermo di Montelupo, responsável pelo escritório de Turim, e Ezio Maranesi, secretário-geral da entidade bilateral. 

Turim foi fundada há 2,2 mil anos (é mais velha que a antiga Roma) e é reconhecida internacionalmente como centro de excelência do setor metalmecânico. A cidade de cerca de um milhão de habitantes soma 1,4 mil empresas que empregam 75 mil funcionários e faturam 13 bilhões de euros por ano, algo em torno de R$ 40 bilhões. "Turim responde por 19% das exportações italianas para o Brasil e 12% das exportações brasileiras à Itália" -- dimensiona Giuseppe Latermo. 

A razão da presença dos italianos é simples: espera-se que negócios firmados com a oitava potência econômica do planeta se convertam em opção adicional de recuperação para a região, duramente atingida na Era FHC. "Empresas de Turim e do Grande ABC podem obter ganhos mútuos por meio de contratos de importação, exportação, representação comercial e joint-ventures. Só precisamos saber o que a região tem para oferecer" -- explicou Giuseppe, diante de uma platéia de 40 empresários reunidos no auditório da Câmara de Santo André. Ele se comprometeu a levar fichas com o perfil de empresas do Grande ABC para Turim e a divulgar os negócios da região em revista bimestral editada pela câmara italiana e que circula com 100 mil exemplares na Europa.    


ABC/Milano falhou -- A desvalorização do Real e a necessidade de abrir novos mercados em uma região e em um País em recessão são aspectos que favorecem a inserção internacional. Mas antes de superestimar o papel das exportações para resgatar a região do atoleiro econômico, é preciso que micro, pequenas e médias empresas regionais superem a histórica ausência de tradição exportadora. Diferentemente da Itália, que exporta 25% do que produz com participação ativa de pequenos e médios empreendedores reunidos em consórcios, no Grande ABC não se tem intimidade com o mercado internacional. Essa constatação nada agradável ficou clara no Projeto ABC/Milano, série de apresentações e encontros promovida em São Bernardo há dois anos.

"O ABC/Milano não foi bem-sucedido porque os empresários da região não se manifestaram. Gastamos tempo e dinheiro para nos conhecer, mas os resultados não vieram porque faltaram esforço e participação. Acho que isso não deveria acontecer novamente" -- alerta o secretário-geral da Câmara Brasil-Itália, Ezio Maranesi.

A timidez no front externo não é triste privilégio das pequenas empresas do Grande ABC. O Brasil participa com menos de 1% do comércio internacional e a maior parte das exportações está ancorada em grandes corporações nacionais e multinacionais como Embraer, Vale do Rio Doce e Volkswagen. 

Além de reconhecer os obstáculos culturais, convém conhecer o tipo de integração provável entre o Primeiro e o Terceiro Mundo no panorama da globalização. Sem qualquer preocupação em soar politicamente incorreto, Ezio Maranesi explica que empresas italianas vêem o Brasil como alternativa vantajosa à China e à Índia pela proximidade cultural e linguística entre as duas nações.

"As empresas italianas abrem mão da produção para se dedicar a atividades como design, projeto e estabelecimento e ampliação de redes internacionais de comercialização" -- explica. Como exemplo, o secretário-geral da câmara cita a Bata, rede de calçados com mais de seis mil pontos-de-venda na Europa e que, a exemplo da norte-americana Nike, não fabrica um par sequer. Outro exemplo é o setor italiano de mármores e granitos, que se abastece de outros países e aparece como grande exportador de produtos acabados.

A filial criada dentro da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC representa a quinta extensão da câmara italiana em território nacional. Além de Santo André, Campinas e Piracicaba, também Curitiba, no Paraná, e Joinville, em Santa Catarina, são servidas por filiais conectadas on-line com a matriz da entidade, que contabiliza 1,1 mil associados. "A câmara também conta com 65 delegados regionais que não atuam com dedicação exclusiva e em período integral como as filiais" -- explica o secretário-geral, que espera incremento de negócios com o Grande ABC por conta do reforço estrutural. A filial regional está sob comando de Cláudio Kovacsics, que atuava como delegado em Mauá. 


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