Quem pensa ou imagina que a revista impressa LivreMercado, criada em março de 1990, tratava apenas (apenas é força de expressão, porque a publicação inaugurou o placar do jornalismo econômico no Grande ABC) não tem ideia do conteúdo editorial que se aperfeiçoou e se ampliou ao longo dos tempos. Tanto é verdade que o 19º capítulo que recupera o legado de 30ANOS do melhor jornalismo regional do País (com a junção de CapitalSocial) mostra num texto breve um dos mais valiosos times que o Santo André já levou a campo.
Não vamos adiantar nada. Apenas reproduzir o texto. Até porque o texto diz tudo. O Santo André ganhou várias vezes os títulos da Série A-2 (antiga Segunda Divisão) do futebol paulista. Também ganhou a Copa Paulista e a Copa do Brasil, na finalíssima contra o Flamengo no Maracanã. Também foi vice-campeão paulista numa final com o Santos de Neymar e Paulo Henrique Ganso.
O time que foi vice-campeão da então Segunda Divisão de 1997 repetiu, guardadas as devidas proporções, o fracasso-sucesso da Seleção Brasileira de Telê Santana, em 1992, quando foi eliminada pela Itália na semifinal da Copa do Mundo. O Santo André de 1997 é um dos melhores times da história da agremiação fundada em 1967 nos interiores do Tiro de Guerra, numa noite em que velas substituíram luzes que se apagaram com a tempestade.
Esta série também mostrará outros feitos do futebol do Grande ABC. É só aguardar. Os anos dourados do São Caetano, por exemplo, não ficarão na penumbra da lembrança. LivreMercado/CapitalSocial é uma sucessão de registros analíticos do Grande ABC.
Melhor time é um
sofrido consolo
DANIEL LIMA - 05/08/1997
O produto mais popular da indústria esportiva do Grande ABC, o Esporte Clube Santo André, vai estar pelo quarto ano consecutivo fora da maior feira de exposição estadual do País, o Campeonato Paulista da Primeira Divisão de Futebol. Líder e invicto ao final da fase classificatória da Segunda Divisão, o Santo André acabou vítima de uma contradição. Que outro carimbo se daria a um time formado por experientes profissionais, balzaquianos mesmo, que perderam o controle dos nervos no quadrangular decisivo, quando não uma, mas duas vagas garantiriam o acesso? A bem mais jovem Matonense, de Matão, e o meio-termo etário do Ituano, de Itu, chegaram respectivamente em primeiro e segundo lugares.
O grande adversário do Santo André foi o acúmulo de sucessos nos primeiros três turnos classificatórios. Ganhou ou empatou todos os jogos. Colecionou o maior número de pontos da competição e entrou na fase final com a vantagem de, se chegasse em segundo, empatado com qualquer outro concorrente, a vaga estaria garantida.
A invencibilidade de 24 jogos foi sua perdição. Poderia ter perdido o jogo para o Ituano por 2 a 1, em Itu, mas preservado as forças para os três jogos que lhe restavam, dois dos quais em casa. Acabou, entretanto, traído pelo emocional de ver ruir a oportunidade de virar história, porque ficara a um jogo do recorde de 30 anos do XV de Piracicaba.
Reclamou de uma atuação desastrada de um apitador que consta da lista do Escândalo Ivens Mendes, o festival de mutretas patrocinado pelo ex-chefete da arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol, e ficou sem vários titulares importantes nos jogos seguintes, os quais se somaram a outros igualmente expulsos ou suspensos pelo terceiro cartão amarelo. Um desmanche que culminou com apenas cinco titulares no jogo final e fatal contra o Novorizontino.
Esfacelado, o time que entusiasmava pelo conjunto se viu reduzido a pó. Só ganhou dois dos seis pontos que disputou em casa no segundo turno, quando teve de improvisar jogadores e lançar mão de jovens inexperientes. A mistura de balzaquianos com noviços deu revertério.
Acesso, bem melhor
Os prejuízos de continuar na Segunda Divisão por pelo menos mais uma temporada são incalculáveis. No orçamento do próximo ano não entra dinheiro da televisão, da Loteria Esportiva, de placas de publicidades mais valorizadas, de patrocinadores mais interessados. E principalmente de negociar jogadores que aparecem bem mais numa competição tratada a pão-de-ló pela mídia.
Além da conta de 24 jogos sem perder, restou ao Santo André o consolo de ter entusiasmado a torcida. Seus jogos lotaram a arquibancada do Estádio Bruno Daniel e fizeram ressurgir o grito de regionalismo esportivo que parecia sufocado de vez pelos grandes clubes da Capital e a asfixiante transformação do futebol em espetáculo de televisão restrito às grandes audiências.
Entregue, como dezenas de clubes de médio e grande portes, à sanha de incompetência dos dirigentes da Federação Paulista de Futebol, o Santo André só voltará a disputar a possibilidade de retornar à Primeira Divisão em março do ano que vem. Até lá deverá disputar alguma competição mambembe, sem empolgação.
Um produto fora da prateleira da cidadania e dos negócios durante sete dos 12 meses de uma temporada. Sobrou o reconhecimento dos adversários, caso do técnico da campeã Matonense, que, desesperado no jogo em que sua equipe vencia por 3 a 2 e tinha um jogador a mais em campo, gritava para seus jogadores não se descuidarem porque estavam enfrentando, como registrou a TV Bandeirantes, “o melhor time do campeonato”. É um consolo, mas a torcida preferia a sua parte em acesso.
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20/02/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (21)