Imprensa

Grande Mídia faz fake news
para incriminar Bolsonaro

DANIEL LIMA - 25/05/2020

Autodenominado ombudsman não autorizado, função que desempenho quando a coisa no jornalismo está para lá de obscura, quando não estúpida, alerto aos leitores que vou destroçar a versão da chamada Grande Mídia de que o presidente Jair Bolsonaro interferiu na Polícia Federal, conforme insinuou o então e depois ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro. Pisou na bola sobre atribuições constitucionais. 

A Grande Mídia, todos sabem, sabota o governo federal. Produz verdades, meias-verdades e enormes mentiras ao sabor de forças de pressão. No caso, a Globo ocupa a linha de frente.

O que se coloca adiante são trechos que de fato interessam da reunião ministerial de 22 de abril em que teria sido acionado o motor de arranque de impropriedades legais do presidente da República, levando-o ao cadafalso do impeachment mais que justificável. Um tiro nágua.

Escrevi num aplicativo com o qual mantenho contato ao longo do dia com dois milhares de leitores de CapitalSocial (muitos outros milhares recebem material por outros mecanismos tecnológicos) que a maior prova de que a bala de prata virou bala de festim e, em seguida, um tiro pela culatra, está na pós-apresentação do vídeo. Tirou-se do foco suposta impropriedade legal do presidente Bolsonaro e se colocou na alça de mira o comportamento de vários ministros.

A Grande Mídia faz qualquer coisa, inclusive coisas relevantes, para desgastar e tentar derrubar o presidente da República.

Como milicianos digitais

Segue-se o meu lado ombudsman de ser na análise da reportagem de ontem do Estadão, que ocupou a manchetíssima de primeira página (manchete das manchetes). Uma reportagem que, antes mesmo de virar peça impressa, foi exaustivamente condecorada pelos integrantes da Grande Mídia – além do Estadão, a Folha de S. Paulo e os veículos sob o controle do Grupo Globo.

A mesma Grande Mídia que faz campanha ostensiva contra as redes sociais coalhadas de fake news (e nesse ponto está certíssima), também opera na clandestinidade ética. A diferença é que o grosseiro entre amadores é letal entre os profissionais.

O caso da suposta interferência do presidente da República na Polícia Federal (que abordo abaixo) é típico de fake news da Grande Mídia. Sem pudor e sem engenhosidade. Coisa de milicianos à direita e à esquerda das redes sociais.

Sei que leitores avessos ao presidente da República e que o trata como aquilo que o mesmo presidente da República se referiu no vídeo do barulho ao governador paulista e ao governador fluminense não vão gostar do que se segue.

Também detestava análises frias do jogo em que meu time perdera. Era mais torcedor que jornalista.  Agora tento me equilibrar. Tanto que ainda outro dia escrevi que o Flamengo é o maior campeão brasileiro da história. E olhem que torço para o Vasco da Gama lá no Rio e para outro alvinegro em São Paulo. O alvinegro original, conforme brinco com meus amigos santistas.

Como torcedor fanático

Suportar as dores do parto do que se segue, portanto, será comportamento típico de quem ganhará amadurecimento. Aqueles que não amaldiçoarem o autor poderão dizer para si mesmos que estão imunes à polaridade ideológica insuportável destes tempos, quando a razão cede espaço ao fanatismo.

A Grande Mídia industrializadora de fake news (há muitos outros aspectos relativos ao vídeo do barulho sobre os quais me abstenho neste texto) requer curadoria para que não use nem abuse de pecaminosas incursões. Uma curadoria dos próprios leitores. É o que este ombudsman não autorizado produz neste texto. Os inconformados que tratem de apurar o senso crítico.

Para completar: é uma tremenda manipulação entender que o então ministro Sérgio Moro não foi hostilizado durante a reunião ministerial. Em várias intervenções (inclusive em algumas que constam do material abaixo) ele foi diretamente atingido por não cumprir funções de ministro. Cabia-lhe, fosse como ministro o que fora como juiz da Lava Jato, levantar-se e pedir demissão. Preferiu adiar a decisão. Havia parceiros com os quais procuraria transformar ônus em bônus.

O que se segue, agora como intervenção do ombudsman não autorizado, é a reprodução escalonada da matéria publicada no Estadão deste domingo, trechos principais da reunião ministerial do dia 22 de abril e declarações do ex-Diretor-Geral da Polícia Federal, Maurício Valejo, em inquérito instaurado para investigar a conduta do presidente da República.  

 A matéria do Estadão

 Uma série de mensagens trocadas entre Jair Bolsonaro e o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, evidencia que o presidente falava da Polícia Federal, e não da sua segurança pessoal, quando exigiu substituições nessa área na reunião ministerial do dia 22 de abril. A cronologia de oito diálogos aos quais o Estadão teve acesso mostra que, três horas antes da reunião, Bolsonaro havia comunicado a Moro que o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, seria demitido, sem dar ao seu ministro qualquer alternativa. As oito mensagens inéditas trocadas por WhatsApp obtidas pelo Estadão constam do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura se Bolsonaro interferiu na Polícia Federal para ter acesso a informações de investigações sigilosas contra seus filhos e amigos, como acusou Moro. A reunião ministerial é uma das provas anexadas ao inquérito, que tem como relator o ministro do STF Celso de Mello. Foi o magistrado quem autorizou a divulgação do vídeo com o conteúdo da reunião, na última sexta-feira. 

 Explicação de CapitalSocial

A interpretação do Estado é falha. O presidente Jair Bolsonaro não se referia diretamente à Polícia Federal durante a reunião ministerial do dia 22 de abril. A advertência era ao então ministro da Justiça, Sérgio Moro. Eis a reprodução dos trechos a que se refere o Estadão, suprimido em larga porção na matéria de domingo:

Jair Bolsonaro: Então é um apelo que cu faço a todos, que se preocupem com política, pra não ser surpreendido. Eu não vou esperar o barco começar a afundar pra tirar água. Estou tirando água, e vou continuar tirando água de todos os ministérios no tocante a isso. A pessoa tem que entender. Se não quer entender, paciência, pô! E eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção. Nos bancos eu falo com o Paulo Guedes, se tiver que interferir. Nunca tive problema com ele, zero problema com Paulo Guedes. Agora os demais, vou! Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações. 

Jair Bolsonaro: Eu tenho as ... as inteligências das Forças Armadas que não tenho informações. ABIN tem os seus problemas, tenho algumas informações. Só não tenho mais porque tá faltando, realmente, temos problemas, pô! Aparelhamento etc. Mas a gente num pode viver sem informação. Sem info ... co ... quem é que nunca ficou atrás do ... da ... da ... da ... da ... da ... da ... da porta ouvindo o que seu filho ou sua filha tá ... tá comentando. Tem que ver pra depois que e ... depois que ela engravida, não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes ... depois que o moleque encheu os cornos de ... de droga, já não adianta mais falar com ele, já era. E informação é assim. Eu tava vendo, estudando em fim de semana aqui como é que o serviço chinês, secreto, trabalha nos Estados Unidos. uai a preocupação nossa aqui? [trecho com tarja] E simples o negócio. "A, não deve publicamente" . Devo falar como? Tá todo mundo vendo o que tá acontecendo. [trecho com tarja] Tudo bem. [trecho com tarja] Você tira o [treco com tarja] porra da [trecho com tarja] tu não tira. 

Jair Bolsonaro: É uma realidade. Não adianta esconder mais, tapar o sol com a peneira, né? Tem, não é ... em vá ... em alguns ministérios tem gente deles~ aqui dentro, né? Então não queremos brigar com [trecho com tarja] , zero briga com a [trecho com tarja]• Precisamos deles pra vender? Sim. Eles precisam também de nós. Porque se não precisassem não estariam comprando a soja da gente não. Precisam. E é um negócio, pô. E devemos aliar com quem tem umas ... alguma afinidade conosco. Pra gente poder faz ... fazer valer a nossa vontade naquele momento. Não adianta se esconder aqui, depois tem um problema, daí liga pro tio, "O tio". Vou falar "Pô cara, você me ignorou até hoje!". Você só não me chamou de imperialista, igual a esquerdalha e o FHC falavam no passado, no resto ... agora não dá mais. Então essa é a preocupação que temos que ter. A questão estratégica, que não estamos tendo. E me desculpe, o serviço de informações nosso, todos, é uma ... são uma vergonha, uma vergonha! Que eu não sou informado! 

Jair Bolsonaro: E não dá pra trabalhar assim. Fica difícil. Por isso, vou interferir! E ponto final, pô! Não é ameaça, não é uma ... urna extrapolação da minha parte. É uma verdade. Como eu falei, né? Dei os ministérios pros senhores. O poder de veto. Mudou agora. Tem que mudar, pô. E eu quero, é realmente, é governar o Brasil. Não, é o problema de todos aqui, como disse o Marinho, né? É o mesmo barquinho, é o mesmo barco. Se alguém cavar o fu ... cavar no porão aqui, vai, vai todo mundo pro saco aqui, vai todo mundo morrer afogado. Então ess ... isso que a gente precisa, é pensar além do que tem que fazer internamente aqui. Quando explodiu o INMETRO, conversei com o Paulo Guedes. Uma, desculpe o linguajar, uma putaria! Putaria o INMETRO! Trocar tacógrafo, trocar taxímetro, botar chip na bomba de combustível, putaria! Igualzinho a tomada de três pinos. Tá muito bem agora lá. A imprensa enfiou a porrada. "A, botou um coronel" . Coronel é formado pelo IME. Num ia botar um coronel sem u ... sem uma formação, tá? 

 Mais matéria do Estadão

 Bolsonaro disse que o encontro do dia 22 de abril não comprova que ele atuou para blindar seus parentes. Repetiu, ainda, que falou em trocar a sua “segurança” no Rio, e não o comando da Polícia Federal. As novas mensagens reveladas, contudo, mostram que ele chegou à reunião com a decisão já tomada de demitir o diretor-geral da PF.  “Moro, Valeixo sai esta semana”, escreveu o presidente às 6h26 do dia 22 de abril. “Está decidido”, continuou ele, em outra mensagem enviada na sequência. “Você pode dizer apenas a forma. A pedido ou ex oficio” (sic). A resposta de Moro foi enviada 11 minutos depois, às 6h37. “Presidente, sobre esse assunto precisamos conversar pessoalmente. Estou ah (sic) disposição para tanto”, respondeu o então ministro. Em outra sequência de mensagens, enviadas também antes da reunião ministerial, Bolsonaro encaminha dois vídeos e reclama com Moro de ser informado por “terceiros”. “Força Nacional, Ibama, Funai... As coisas chegam para mim por terceiros... Eu não vou me omitir”, disse o presidente às 8h01m.

 Mais explicação CapitalSocial

Independentemente da data em que Jair Bolsonaro enviou mensagem ao então ministro Sérgio Moro, a decisão de demitir o diretor-geral da Polícia Federal é uma prerrogativa legal do presidente da República. E não se tratou, mesmo que efetivada àquela data, de arbitrariedade ou surpresa. Basta acompanhar alguns trechos do depoimento de Maurício Valeixo à Polícia Federal, segunda-feira, 11 de maio:

Perguntado: Dentro da doutrina da Polícia Federal, o Presidente da República pode solicitar relatórios de inteligência da Polícia Federal?, respondeu que eventualmente o presidente pode solicitar tais relatórios quando envolver questões estratégicas, que envolva a tomada de decisões, como, por exemplo, em questões que envolvam questões de repercussão nacional, o que também é feito por outros órgãos, como a PRF, as Forças Armadas, e a própria ABIN; que esclarecer que nesse caso, apesar de envolver informações reservadas, não se trata de matéria envolvendo investigações em curso na Polícia Federal, ou seja, matéria de polícia envolvendo investigações em curso na Polícia Federal, ou seja, matéria de polícia judiciária;

Perguntado: Como o Ministro da Justiça era informado a respeito de operações de polícia judiciária?, respondeu que no início do dia, após a deflagração, eram transmitidas algumas informações de acordo com aquilo que era disponibilizado pela coordenação daquela investigação, dependendo se havia ou não levantamento do sigilo, que havia um filtro do que poderia ser divulgado em razão do sigilo aplicado, o que era feito pelos delegados que coordenavam determinada investigação, seguindo a cadeia de comando, sempre após a deflagração;

Perguntado: A Presidência da República solicitou ao depoente algum dado sobre investigação policial em curso, seja pelo nome de relatório de inteligência ou informação policial?, respondeu que não;

Perguntado: Em algum momento o Presidente da República reclamou ao depoente sobre o não encaminhamento de Relatórios de Inteligência?, respondeu que não; que não sabe dizer a razão pela qual, em março de 2020, lhe foi transmitido pelo Ministro da Justiça uma nova solicitação da presidência da república para a troca da superintendência do Rio de Janeiro;

Perguntado: Em seu Termo de Declarações, o ex-Ministro Sérgio Moro disse que recebeu uma mensagem do Presidente Jair Bolsonaro cujo teor era mais ou menos o seguinte: Moro você tem 27 superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro. O ex-Ministro Moro lhe mostrou essa mensagem? Você discutiu esse assunto com o ex-Ministro Moro numa viagem aos Estados Unidos? respondeu que se encontrava na embaixada do Brasil em Washington, em março de 2020, quando o ex-Ministro Moro pediu ao depoente para conversarem de forma reservada, momento em que o ex-Ministro lhe transmitiu o desejo do Presidente da República em mudar o superintendente do Rio de Janeiro, novamente;

QUE não viu a mensagem citada, a qual apenas tomou conhecimento quando da publicação do Termo de Declarações prestado por Sérgio Moro;

QUE desde a crise em agosto, o depoente teria comunicado por diversas vezes ao ex-Ministro Sérgio Moro seu desejo de deixar o cargo de Diretor Geral da Polícia Federal;

QUE no auge da crise o ex-Ministro Sérgio Moro compreendeu a posição do depoente, que se sentia desgastado no cargo no final do segundo semestre de 2019, e que o depoente entendia que o melhor para a Polícia Federal seria sua substituição; 

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 Na reunião ministerial, que começou às 10 horas, Bolsonaro demonstrou irritação. “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu (sic), porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”, disse o presidente, olhando para Moro.

 Mais explicação de CapitalSocial

Um novo trecho de declarações do presidente Jair Bolsonaro durante a reunião ministerial do vídeo barulhento. Ele faz espécie de complementação à advertência a Sérgio Moro:

Jair Bolsonaro: O meu particular funciona. Os ofi... que tem oficialmente, desinforma. E voltando ao ... ao tema: prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho. Então, pessoal, muitos vão poder sair do Brasil, mas não quero sair e ver a minha a irmã de Eldorado, outra de Cajati, o coitado do meu irmão capitão do Exército de ... de ... de ... lá de Miracatu se foder, porra! Como é perseguido o tempo todo. Aí a bosta da Folha de São Paulo, diz que meu irmão foi expulso dum açougue em Registro, que tava comprando carne sem máscara. Comprovou no papel, tava em São Paulo esse dia. O dono do ... do restaurante do ... do pa ... de ... do açougue falou que ele não tava lá. E fica por isso mesmo. Eu sei que é problema dele, né? Mas é a putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira.

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 As mensagens que agora vêm à tona, trocadas entre o presidente e o então ministro, contrariam a versão de Bolsonaro de que Valeixo pediu para ser demitido. Além disso, ajudam a explicar o comportamento de Moro na reunião ministerial. O ex-juiz da Lava Jato ficou em silêncio quando foi constrangido por Bolsonaro, que cobrou mudanças nas áreas de inteligência. Àquela altura, ele já havia sido comunicado da decisão unilateral de demitir Valeixo, sem que pudesse opinar a respeito. 

 Mais explicação de CapitalSocial

A voluntariedade de Valeixo em deixar a direção-geral da Polícia Federal está tipificada no depoimento mencionado acima. Quanto a cobranças a Sérgio Moro nas áreas de inteligência da Polícia Federal, nada mais natural, porque o ministro da Justiça representava o titular do Palácio do Planalto nas relações com aquela instituição. Como determina a Constituição. A qual inclusive Sérgio Moro não acusou Bolsonaro de haver desrespeitado.

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 Bolsonaro tem sustentado em entrevistas que foi Valeixo quem pediu para ser demitido. Segundo ele, isso comprova que não houve interferência da sua parte. “O senhor Valeixo de há muito vinha falando que queria sair. Na véspera da coletiva do senhor Sérgio Moro, dia 24 (de abril), o senhor Valeixo fez uma videoconferência com os 27 superintendentes do Brasil, onde disse que iria sair. Eu liguei pro senhor Valeixo, o qual respeito, na quinta-feira, à noite. Primeiro ele ligou pra mim. Depois eu retornei a ligação pra ele. ‘Valeixo, tudo bem?. Sai amanhã? Ex-officio ou a pedido?’. A pedido (foi a resposta de Valeixo, segundo Bolsonaro). E assim foi publicado no DOU. Lamento ter constado o nome do ministro da Justiça ali. É porque é praxe”, disse Bolsonaro, na noite de sexta-feira, após a divulgação do vídeo. Em depoimento no inquérito, no dia 11 de maio, Valeixo contou que jamais formalizou um pedido de demissão. De acordo com ele, um dia antes da publicação no Diário Oficial da União, recebeu um telefonema do próprio presidente questionando se ele concordava que sua exoneração saísse a pedido. Sem alternativa, assentiu. Valeixo relatou, ainda, que Bolsonaro justificou que queria alguém no cargo com quem tivesse “afinidade”.

 Mais explicação de CapitalSocial

Vejam os trechos do depoimento de Valeixo no inquérito que apura o caso.

Perguntado: Na reunião que realizou com os superintendentes na semana em que foi exonerado, o senhor comunicou algum pedido de exoneração?, respondeu que a reunião com superintendentes é algo que ocorre semanalmente por meio de videoconferência;

QUE havia notícias sobre a troca do Diretor Geral, e que às vezes recebia de outras superintendentes mensagens sobre tais notícias;

QUE por essa razão, na videoconferência realizada na quinta-feira, dia 23 de abril de 2020, antes de tratar dos assuntos que seriam temas daquela reunião abordou de forma geral o desgaste que vinha sofrendo desde agosto de 2019, mencionou que não tinha apego pelo cargo, o qual se encontra e sempre esteve, disposição do Ministério da Justiça e do presidente da República, os quais estavam tratando sobre sua substituição, mas que não houve qualquer antecipação sobre a exoneração, tampouco comunicou nessa reunião que iria pedir exoneração;

QUE em outras ocasiões o depoente já havia manifestado ao então ministro Moro seu desgaste e colocado o cargo à disposição e que tomou conhecimento que as tratativas do então ministro Moro para a escolha de um nome por ele indicado não haviam sido bem-sucedidas, motivo pelo qual o então ministro Moro solicitou ao depoente que permanecesse no cargo;

QUE somente tomou conhecimento sobre o teor da reunião do conselho de ministros reunido em 22 de abril de 2020;

QUE o Presidente da República teria sido explícito sobre a troca do Diretor Geral (...) de declarações prestadas pelo ex-ministro Sérgio Moro;

QUE o ex-ministro Sérgio Moro não lhe reportou o fato de tal reunião não ter indagação com o que (...) superintendência no dia seguinte;

QUE na noite do dia 23 de abril de 2020, que havia em seu celular chamadas não atendidas e mensagens do (...) Delegado Ramagem, solicitando que o depoente entrasse em contato com a presidência da República;

QUE o depoente, por meio de um (...) retornou a ligação, momento em que o telefone foi passado para o Presidente da República Jair Bolsonaro; que nessa ligação, o presidente comunicou ao depoente que sua exoneração do cargo de Diretor Geral ocorreria no dia seguinte, bem como indagou ao depoente se ele considerava que a publicação se desse como “a pedido”, momento em que o depoente disse que sim, que estava tudo bem, concordando com a publicação da exoneração como “a pedido”;

QUE recorda que na tarde do dia 23 de abril de 2020, quinta-feira, o ex-ministro Sérgio Moro teria lhe perguntado se estaria tudo bem se o depoente fosse exonerado “a pedido” desde que o ex-ministro Sérgio Moro conseguisse o compromisso do Presidente da República de que nomeasse o Dr. Rosseti em seu lugar; que nesse caso, o depoente concordou que, se necessário, faria uma solicitação formal ao ex-ministro de exoneração “a pedido”;

QUE ressalta que se tratava de um cenário envolvendo sua exoneração que se arrastava há cerca de 9 meses; que se recorda que já tarde da noite do dia 23 de abril de 2020, recebeu uma ligação do ex-ministro Sérgio Moro lhe comunicando sobre sua exoneração no dia seguinte sem mencionar de que forma se daria, se a pedido ou não, ou se o Dr. Rosseti seria o seu substituto;

QUE no dia seguinte, 24 de abril, após a publicação de sua exoneração, o depoente reporta ao ex-ministro as circunstâncias que se deu a conversa telefônica com o Presidente da República, na qual foi indagado se concordava que sua exoneração fosse publicada como “a pedido”;

QUE essa conversa com o ex-ministro Moro ocorreu antes do pronunciamento no qual ele expôs as razões de sua exoneração;

QUE não houve formalização do pedido de exoneração;

Aberta a palavra à Procuradoria Geral da República:

Perguntado: A relação entre o Presidente da República e a Polícia Federal foi diferente nessa nova gestão especialmente no que diz respeito à nomeação de cargos de confiança?; respondeu que no tocante o protocolo e trâmites das indicações não houve nenhuma mudança, já que todas as indicações são encaminhadas à casa Civil e na atual Administração todas elas foram confirmadas, nenhum nome foi vetado, fazendo com que ele tivesse que substituir; que nada chamou a sua atenção em relação aos trâmites adotados; 

 Mais matéria do Estadão 

 Próximo da família Bolsonaro, o delegado Alexandre Ramagem, atual chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi nomeado para o comando da PF, mas não pôde tomar posse por uma decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes. Com isso, a direção-geral da corporação foi entregue ao delegado Rolando Alexandre de Souza, considerado braço direito de Ramagem. A troca de mensagens foi retirada do celular do ex-ministro Sérgio Moro durante seu depoimento à Polícia Federal. Na ocasião, peritos da PF fizeram uma varredura completa no celular do ex-juiz para extrair mensagens que poderiam comprovar a acusação contra o presidente. Na sexta-feira, o ministro Celso de Mello encaminhou à Procuradoria-Geral da República um pedido de partidos de oposição para que o celular de Bolsonaro fosse apreendido em busca de mais provas da suposta interferência dele na PF. 

A reação do Planalto veio do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, que, em nota, disse que uma decisão favorável a esse pedido poderia ter “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”. Três horas depois dos diálogos obtidos pelo Estadão nos quais Bolsonaro dá a ordem para mudar a Polícia Federal ocorreria a reunião ministerial tornada pública na sexta-feira, na qual Bolsonaro afirma claramente que desejava troca na “segurança” do Rio. Chegou a dizer que era alvo de “putaria o tempo todo” para atingir não só ele como sua família. Bolsonaro disse ali que não podia ser “surpreendido com notícias”. “Pô, eu tenho a PF que não me dá informações”, reclamou. O presidente assegurou, ainda, que ia interferir em todos os ministérios. “E não dá pra trabalhar assim. Fica difícil. Por isso, vou interferir! E ponto final, pô! Não é ameaça, não é uma … uma extrapolação da minha parte. É uma verdade”, afirmou Bolsonaro, olhando para o lado onde estava Moro.

A versão de que o presidente se referia à sua segurança pessoal no Rio, e não à PF, é colocada em xeque por mudanças ocorridas no escritório do GSI no Rio, dois meses antes da reunião ministerial. A contradição foi revelada pelo Jornal Nacional, da TV Globo. A reportagem mostrou também que, 28 dias antes daquela reunião, o responsável pela segurança do presidente havia sido promovido. M Em 5 de maio, Bolsonaro exibiu o seu celular com mensagens trocadas por ele e  Moro na tarde do dia 22 de abril para dizer que o ex-ministro havia mudado de versão sobre a tentativa de interferência na PF.  “Isso é uma mentira deslavada”, disse. No entanto, a conversa ocorrida na manhã do dia 22, em que Bolsonaro avisa a Moro que demitirá Valeixo, não foi mostrada pelo presidente. O Estadão procurou a Secretaria Especial de Comunicação (Secom) para falar sobre as mensagens, mas o Planalto informou que não iria comentar. A defesa de Moro disse que “as declarações do presidente da República demonstram, de maneira inquestionável, sua vontade de interferir indevidamente” na Polícia Federal. “Esses elementos probatórios somam-se às demais diligências investigatórias, inclusive ao vídeo da reunião de 22 de abril, comprovando as afirmações do ex-ministro Sérgio Moro”, afirmou o advogado Rodrigo Rios.

 Mais explicação de CapitalSocial

Não é necessariamente o fato de ter havido mudaNças na segurança pessoal do presidente da República, no âmbito da GSI, que também necessariamente o problema tenha sido resolvido. A transcrição do vídeo da reunião ministerial (conforme acima) não deixa dúvida sobre o endereçamento das queixas de Jair Bolsonaro nesse caso específico. Tanto quanto a decepção com a atuação do então ministro Sérgio Moro ao se referir especialmente sobre os casos de arbitrariedades de governadores e prefeitos em episódios relacionados ao isolamento social para combater a pandemia do Coronavírus. Leiam um dos trechos do desabafo do presidente: 

Jair Bolsonaro: E assim nós devemos agir. Como tava discutindo agora. O IPHAN, não é? Tá la vinculado a Cultura. Eu fiz a cagada em escolher, nu ... não escolher uma , uma pessoa que tivesse o ... também um outro perfil. E uma excelente pessoa que tá lá, tá? Mas tinha que ter um outro perfil também. O IPHAN para qualquer obra do Brasil, como para a do Luciano Hang. Enquanto tá lá um cocô petrificado de índio, para a obra, pô! Para a obra. O que que tem que fazer? Alguém do IPHAN que resolva o assunto, né? E assim nós temos que proceder. E assim, cada órgão, como eu falei da Teresa Cristina, que mudou uma Instrução Normativa, revogou uma Instrução Normativa, ajudou quatrocentos mil pessoas no Vale do Ribeira - parabéns a ela - assim são outras decisões. A questão de armamento, né? As questões de ... mas por quê? Espera aí! Ministro da Justi ... senhor ministro da Justiça, por favor. Foi decidido a pouco tempo que não podia botar algema em quase ninguém. Por que tão botando algema, em cidadão que tá trabalhando, ou mulher que tá em praça pública, e a Justiça não fala nada?

Jair Bolsonaro: Tem que falar, pô! Vai ficar quieto até quando? Ou eu tenho que continuar me expondo? Tem que falar, botar pra fora, esculachar! Não pode botar algema! Decisão do próprio Supremo. E vamos ficar quieto até quando? Fica humilhando nosso povo, por quê? Isso tá crescendo. Pessoal fica apontando pra mim, "votei em você pra você fazer alguma coisa!", "votei em você pra você tomar decisões, pra você brigar! ". E é verdade. Eu tô me lixando com a reeleição. Eu quero mais que alguém seja re ... seja eleito, se eu vier candidato, tá? Pra eu ter. .. eu quero ter paz no Brasil, mais nada. Porque se for a esquerda, eu e uma porrada de vocês aqui tem que sair do Brasil, porque vão ser presos. E eu tenho certeza que vão me condenar por homofobia, oito anos por homofobia. Daí inventam um racismo, como inventaram agora pro Weintraub. Desculpa, desculpa o ... o desabafo: puta que o pariu! O Weintraub pode ter falado a maior merda do mundo, mas racista? Vamos ter que reagir pessoal, é outra briga.



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