Não existe antídoto mais apropriado a eventuais restrições a esta série do que voltar no tempo. Retomo mais uma vez o Planejamento Editorial Estratégico que preparei e apliquei durante 11 meses à frente da Redação do Diário do Grande ABC, entre 2004-2005.
Coloquei ali, cuidadosamente, todos os ovos de uma maquinaria de concepções e conceitos que deveriam determinar o rumo editorial e mesmo empresarial do Diário do Grande ABC durante um período inicial de cinco anos – esse foi o combinado com Ronan Maria Pinto -- então novo e ainda controlador do jornal -- sem que fosse necessário assinar qualquer documento.
O texto de abertura do Planejamento Editorial Estratégico que se segue é uma estrada interrompido por obstáculos que se desnudam no decorrer desta série. Uma estrada interrompida, mas não insuperável. Encontrou-se uma variante, fora do Diário do Grande ABC. O fiz à frente da revista digital CapitalSocial, sucessora da revista de papel LivreMercado.
Aliás, verdade seja dita: o site CapitalSocial conhecido dos leitores é uma reprodução com características mais autorais de LivreMercado, publicação criada em março de 1990 e que circulou durante 19 anos. Foi por conta do comando editorial de LivreMercado que acabei desembarcando no Diário do Grande ABC em 2004, depois de um intervalo de duas décadas – atuara no jornal entre 1970 e 1995.
Não é por outra razão, aliás, que a longevidade de CapitalSocial não se mede a partir de 2001, quando passou a frequentar o ambiente digital em paralelo com a publicação de papel LivreMercado. A história se fundiu.
Tanto se fundiu que CapitalSocial incorporou ao batismo editorial os anos anteriores de LivreMercado. Até chegar, agora, a 34 jornadas gregorianas.
O que os leitores vão acompanhar em seguida é um jogo combinado, no bom sentido, entre o passado do Planejamento Editorial Estratégico moldado para o Diário do Grande ABC, e o presente de atualização daquelas propostas.
A situação que se apresenta é desestimulante porque invade o terreno do que poderia ser chamado literalmente de perda de tempo. Tanto que, fosse simplesmente repassado o material de 2004, sem a comunicação de que se trata de 2004, muitos o entenderiam como retrato do presente. O nível de encaixe de uma realidade do fim do século passado poderia ser confundido com os dias atuais. A atualidade é mais insatisfatória. Tudo se agravou.
Fiquem com a troca de passes entre o passado e o presente. E entendam por que o time da regionalidade em forma de um jornal diário de papel acumula tantos gols contra.
Cinco anos para Diário se adaptar
aos conceitos de regionalidade
DANIEL LIMA - 03/03/2004
DOCUMENTO DE 2004
Tem o presente documento o compromisso de delinear conceitos e programas que pautarão nossa atividade na condução operacional, técnica, orçamentária e gestora dos departamentos editoriais do Diário do Grande ABC. Esse material está sujeito a novas incursões do autor, seja por meio de supressões, seja por emendas, dada a possibilidade de a experiência prática no front se comprovar além ou aquém das expectativas aqui traçadas. Antecipadamente, podemos afirmar que há enormes probabilidades de as afirmativas aqui impressas estarem subestimadas. O produto editorial da companhia navega nas águas rebeldes de evidente inadequação ao contexto socioeconômico em que vivem os sete municípios do Grande ABC — Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra — distribuídos em espaço metropolitano extraordinariamente ebulitivo e transformador.
REALIDADE ATUAL
Nenhum eventual detrator que pretenda retirar da bitola exclusivamente jornalística esta série especial sobre o Diário do Grande ABC em forma de Carta Aberta resistirá, de imediato, aos primeiros trechos do Planejamento Editorial Estratégico que preparei para o jornal há praticamente 20 anos. Quem continuar a leitura desse confronto entre o passado e o presente terá plena convicção do que se trata para valer esse trabalho. O tempo que passou é um atestado de sincronismo entre o passado e o presente em forma de conceitos.
DOCUMENTO DE 2004
Poucos agentes regionais se aperceberam de que o Grande ABC de 2,4 milhões de habitantes e o quarto potencial de consumo do País vive a mais intrigante metamorfose da história, cinco décadas depois de a indústria automotiva aqui se instalar e revirar de ponta-cabeça os cromossomos de uma região então acanhada economicamente. Que perdemos riqueza industrial e ganhamos migalhas de comércio e serviços, todo mundo sabe ou deveria saber. Quase ninguém percebeu, entretanto, que a transposição do Grande ABC industrial para o Grande ABC de serviços alterou o comportamento sociológico da comunidade local.
REALIDADE ATUAL
Vão reparando os leitores que o encadeamento do projeto que levei literalmente debaixo do braço ao Diário do Grande ABC tinha fundamentos agregados. Até então, naquele 2004, já acumulava 14 anos de controle editorial da revista de papel LivreMercado, a melhor publicação regional que esse País já conheceu e que foi descontinuada em janeiro de 2009, cedendo espaço a edição digital de CapitalSocial. Toda a experiência teórica e prática de LivreMercado, que segue neste CapitalSocial, foi levada à reestruturação proposta ao Diário do Grande ABC.
DOCUMENTO DE 2004
Vivemos já há alguns pares de anos imensa febre de empreendedorismo de diversos matizes para tentar sufocar os estragos da desindustrialização e o surgimento de imensas ilhas de exclusão social. Nenhuma outra região do País, por não ter as características majoritariamente automotivas do Grande ABC, passou por esse autêntico corredor polonês. E o que o jornal diário da região fez para acompanhar ou mesmo antecipar-se às tendências? Absolutamente nada, ou quase nada, em seu núcleo editorial.
REALIDADE ATUAL
Também o jornal do empresário Ronan Maria Pinto destes dias não pode erguer a voz de inconformismo eventual por conta dessas edições de Carta Aberta porque àquela oportunidade não poupei a publicação à qual o novo proprietário mostrava-se descontente, mesmo sem conhecer as nuances de jornalismo profissional.
DOCUMENTO DE 2004
O Grande ABC que viceja pós-demolição de parte de suas indústrias — notadamente de pequeno e médio porte — é um território cuja população se vira como pode como empreendedora formal e informal, já que escasseiam empregos mesmo nos setores de serviços. Nossa demanda por empregos ultrapassa a 30 mil novas vagas por ano, conforme dados estatísticos, mas não conseguimos repor quase nada disso. No ano passado abriram-se pouco mais de oito mil vagas com carteira assinada, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Muito pouco quando se sabe que, além da nova leva de jovens economicamente ativos, encontramos um turbilhão de desempregados cumulativos.
REALIDADE ATUAL
Até parece que 19 anos não se passaram, que vivemos um Feitiço do Tempo. A região naquele 2004 se assemelha muito à região de agora. A diferença é que como o tempo passa e a região fica para trás em Desenvolvimento Econômico, o que parece igual ou semelhante de fato é mais grave. Perdemos qualquer disputa em produção de riqueza para municípios anteriormente abaixo de nossas competências.
DOCUMENTO DE 2004
Só nos anos 1990 perdemos 100 mil empregos industriais com carteira assinada, aqueles que oferecem as melhores contrapartidas de proteção social negadas pelo Estado. Contingente predominante desses desafortunados recorreu aos negócios próprios. Muitos quebraram a cara porque os grandes conglomerados comerciais e de serviços descobriram nosso potencial de consumo e aqui se instalaram com pompa e circunstância. Contaram para isso com a omissão ignorante, quando não com apoio interesseiro, de governos municipais e entidades empresariais e sindicais. Todos ficaram como baratas-tontas incapazes de reagir de forma minimamente coordenada senão para barrar os novos investimentos — o que seria uma afronta às leis de mercado — pelo menos para erigir redes compensatórias sobre as quais dispensamos detalhes agora, mas que estão presentes nas economias mais maduras.
REALIDADE ATUAL
O Diário do Grande ABC sob o controle acionário de Ronan Maria Pinto e cada vez mais esquartejado na linha editorial deixou passar em brancas nuvens, entre outras barbaridades, os estragos dos dois anos de recessão mais grave da história da região, durante o governo de Dilma Rousseff. O jornal parece ter feito um pacto com o silêncio, quando não com a omissão. Até hoje, passado tanto tempo, os anos Dilma Rousseff não existem nas páginas do Diário do Grande ABC em forma de estrondo destruidor do PIB Geral da região. Foram 22% de queda do indicador em 24 meses, com quase 100 mil empregos gerais lançados à fogueira da destruição. E o Diário do Grande ABC nada registrou.
DOCUMENTO DE 2004
Pois é esse Grande ABC terceirizado, informal em larga escala, ressentido pelo status desempregador que atingiu duramente quem carregava no uniforme de trabalho logomarcas das montadoras de veículos, é esse Grande ABC profundamente alterado em seu genoma social e econômico que está aí para ser desvendado, para ser modificado permanentemente até exibir novo formato, não essa peça disforme e inquietante que facilmente detectamos no estado de petrificação em que se encontra.
REALIDADE ATUAL
Quem supostamente interpretava algum exagero no que escrevi em 2004 não sabe da missa um terço, agora diante do estágio econômico e social do ABC Paulista. O PIB desabou neste século de forma insistente e comprometedora, enquanto o jornal navega em águas turvas de um triunfalismo vazio recheado de algumas boas notícias circunstanciais.
DOCUMENTO DE 2004
Pois enquanto esse Grande ABC está aí a nos esfregar nas fuças todos os problemas e eventualmente também muitas soluções inovadoras, o jornal vive na mais absoluta inanição editorial. Preferem seus profissionais fechar os olhos, contaminados pela grandiloquência de um passado ainda recente de que devemos nos ombrear às coberturas do noticiário nacional e internacional.
REALIDADE ATUAL
A única expressiva mudança que se viu é que tanto o noticiário nacional quanto o internacional praticamente desapareceram das páginas do Diário do Grande ABC. A baixíssima disponibilidade de espaço não dá conta do noticiário regional.
DOCUMENTO DE 2004
Ou acordamos para esmiuçar esse Grande ABC instigante com que nos defrontamos após o período mais dantesco das atividades econômicas, ou seremos literalmente soterrados pelo desconhecimento do que se passa em nossas próprias fronteiras. Seria trágico não fosse estúpido admitir que às nossas barbas, em 840 quilômetros de território regional, as grandes alterações históricas se passam sem que o veículo de comunicação que lhe emprestou o nome se tornasse capaz de relatar criteriosamente os fatos, de elucidar dramas, de tematizar prioridades, de conjecturar propostas, de cobrar ação de todos que estão encastelados nas frondosas árvores do poder político, econômico e social.
REALIDADE ATUAL
Pois é tudo isso e muito mais que temos hoje nas páginas do Diário do Grande ABC. Em capítulos específicos abordaremos as páginas do Diário do Grande ABC de hoje. A constatação de que os 840 quilômetros quadrados são cada vez menos identificados nas páginas do jornal mais tradicional da região não é o que se poderia chamar de excesso crítico. É tudo que se configura como descompasso entre o cotidiano da região e as páginas impressas e digitais. O Diário do Grande ABC, como já abordamos, ficou no meio do caminho da perdição, entre o esfacelamento de papel e a demora em engatar uma marcha vigorosa no digital.
DOCUMENTO DE 2004
Haveria absurdo maior para a mídia mais tradicional e poderosa do Grande ABC senão continuar observando com certo desdém — quando não com deliberado desinteresse — o que se passa em sua geografia? Que tiro mais estúpido no próprio pé editorial e econômico para a companhia senão a irritante teimosia de seguir o haraquiri de caricaturizar os jornais paulistanos, em vez de esculpir a própria cara? Até quando nossa cultura — e entenda-se cultura nesse caso como o conjunto cumulativo de características sociais e econômicas de nossa região — estará subordinada ao intelectualismo obtuso que aprofunda nosso Complexo de Gata Borralheira mirando a Cinderela da Capital, onde estão os jornais diários mais importantes do País?
REALIDADE ATUAL
Reafirmando a nova realidade para pior das páginas do Diário do Grande ABC, o fim do dilema dos bons tempos em que o jornal se debatia internamente entre o noticiário local e o noticiário nacional e internacional é o que se constatou com a escassez de páginas e as mudanças tecnológicas a massificar o noticiário em geral.
DOCUMENTO DE 2004
Que gataborralheirismo é esse — e trato disso no livro específico sobre a fragmentação social do Grande ABC — que, na tentativa de negar, mais resplandece servilismo à Capital? E quem são os contestadores do Complexo de Gata Borralheira — esse é o nome que dei à obra — senão sabujos da Capital que se fingem de regionalistas? O que vale mais nessas alturas do campeonato: um regionalismo realístico, que não esconde nosso gataborralheirismo mas faz tudo o que é possível para mudar o enredo com pressupostos de modernidade, ou um falseamento do conceito de contemporaneidade que no fundo, no fundo, não busca outra saída senão subjugar nosso gataborralheirismo à predisposição de impor — muitas vezes acriticamente — as supostas qualidades da Capital?
REALIDADE ATUAL
O Complexo de Gata Borralheira que impera em todas as áreas da região é frequentador assíduo das páginas do Diário do Grande ABC, quer nos editoriais da publicação, quer nas declarações de entrevistados. Luta-se desesperadamente por um lugar ao sol da regionalidade sem que a maioria tenha noção do que é de fato regionalidade. Confundem a bola de municipalismo, de regionalização, de combinações entre um e outro municípios, com os conceitos de regionalidade, muito mais sofisticados e intrinsecamente transformadores.
DOCUMENTO DE 2004
Neste estudo-proposta, questões vinculadas à regionalidade serão suficientemente expostas. É sobre esse eixo que vai girar a roda de transformações conceituais no campo editorial que definirão os agregados de valor na esfera econômica. Traduzindo em miúdos: a mesma estrada de conteúdo que colocaria o jornal na trilha de aproximação mais concreta e sustentável com os leitores permitiria o assentamento de bases estruturais para conquistas econômicas. Essa confluência sem falsas aparências deve mover nossos passos na condução da reviravolta editorial com consequentes ganhos comerciais. Por isso, é imperioso o relacionamento prospectivo entre as duas áreas vitais à consolidação do produto: o editorial e o comercial.
REALIDADE ATUAL
Os abalos tectônicos que impactaram a região como um todo no campo econômico e social foram ainda mais rigorosos no Diário do Grande ABC. O desmantelamento editorial na esteira também de descuidos na implantação da versão digital com inovações de marketing fragilizou o Diário do Grande como empresa publicadora do jornal. A recorrente queda de receitas expressa com clareza nas páginas praticamente sem propaganda dão uma ideia da dificuldade de escapar às armadilhas deste século.
DOCUMENTO DE 2004
Nossa experiência jornalística e empreendedora à frente da Editora Livre Mercado, onde desempenhamos funções executivas que se consolidaram em torno dos insumos editoriais como as que objetivamos agora nessa nova empreitada, nos ensinou que a animosidade entre editorial e comercial é uma estrada da perdição só frequentada por quem olha atavicamente para o próprio umbigo. Não temos o menor receio — muito pelo contrário — de imantar as relações com os demais departamentos da companhia, porque os valores que determinarão a interatividade corporativa estarão ancorados nos conceitos que preparamos para o núcleo de insumos editoriais do jornal. Sempre foi assim na Editora Livre Mercado. Os eventuais exageros cometidos pelo Departamento Comercial da Editora Livre Mercado sempre foram olimpicamente neutralizados editorialmente num aprendizado frequente.
REALIDADE ATUAL
Uma análise sobre as interações e as dissensões entre os departamentos de Redação e Comercial do Diário do Grande ABC teria de passar por rigorosos estudos, mas de maneira geral não se acredita que tenha havido nesse período maiores dificuldades de relacionamento interno, porque prevalece o voluntarismo editorial sujeito a intervenções de ocasião. Ou seja: é praticamente impossível que surjam problemas quando uma das áreas praticamente inexiste (a área comercial, irreversivelmente abatida no Diário como em tantos outros jornais por conta da Internet) e a outra vive em permanente estado de penúria.
DOCUMENTO DE 2004
Reconhecemos as dificuldades que encontraremos em traçar novo perfil editorial para um produto que — agora me manifesto como jornalista — há muito tempo deixou de justificar a própria denominação. Muitos dos problemas que vivenciamos no Grande ABC de uns tempos a esta parte estão situados na zona de aderência do jornal. Reações e inações de uma sociedade declaradamente à deriva resultam de coragem e identificação editorial que o jornal há muito abdicou. Tem-se a impressão — agora me manifesto também como leitor — que o Diário do Grande ABC sofre com a ameaça de uma permanente espada que lhe cortaria a cabeça e lhe retalharia o resto do corpo. Como justificar, em contrário, posicionamentos erráticos, quando não inconsistentes, e dúbios, quando não omissos? Somente a prática nos dará mais respostas a perguntas e afirmações que decidimos não provocar neste estudo-análise.
REALIDADE ATUAL
As premissas acima só reafirmam a inexistência de conflito ético e conceitual nas críticas que faço hoje ao Diário do Grande ABC em relação ao que produzi num passado de duas décadas. Há uma linha reta e sustentável de clareza, coerência e independência que retira dos especuladores de hoje qualquer linha mestra de desclassificação de meus escritos tendo como pretensa justificativa o fato de que não sou colaborador da publicação. Quando o fui, como se vê, não poupava o estágio em que se encontrava – agora agravadíssimo.
DOCUMENTO DE 2004
Nada é mais emblemático do que o cotidiano de muito trabalho. A função de analista da situação que encontraríamos no campo de batalha em que se constituiria a formatação de um produto regionalmente forte terá de ser nos primeiros tempos igualmente cumulativa de operacionalidade. Dependeremos de informações de terceiros, mas fundamentalmente dos nossos próprios olhos e juízo para aferir desconfianças ou poucas certezas com respeito à estrutura funcional do jornal. Não bastasse a demolição de eventuais encastelamentos antiprodutivos, teremos de espichar olhos e preparar ouvidos para o atendimento das demandas externas dos consumidores de informação.
REALIDADE ATUAL
Minha colaboração atual com o Diário do Grande ABC é, como ombudsman do ABC Paulista, apontar inconveniências, incongruências, inconformidades em geral. É uma tarefa sem a entrega de ombudsman oficial, posição que ocupei durante dois períodos na publicação. O Diário do Grande ABC visto de fora por quem já foi ombudsman do jornal e hoje é ombudsman além do jornal é parte integrante das pedras no caminho de uma região em busca de mudança.
DOCUMENTO DE 2004
Nada, entretanto, deverá obstar nosso caminho. A retaguarda dos acionistas, plenamente conscientes de que esse é um projeto de reconstrução do produto, não nos deixa dúvida sobre o resultado final. Teremos pelo menos 50 meses iniciais para elevar o produto às raízes de sua própria criação há quase 50 anos, ou seja, voltado à comunidade do Grande ABC. Com a impressionante diferença de que agora vivemos num mundo globalizado que nos cobra múltiplas atenções. Por isso não podemos perder o foco de um regionalismo contemporâneo. Acreditamos francamente na enorme possibilidade de iniciar e encerrar de forma vitoriosa a contagem regressiva dos 50 anos deste veículo de transcendental importância para a comunidade do Grande ABC. Será uma tarefa árdua, desgastante, maratonista. Não haverá vaga para acomodados. Da mesma forma que não sobrará espaço aos interlocutores da comunidade cuja percepção da realidade crônica do Grande ABC se esgota no levar vantagem em tudo e no compromisso social de quem se descontrai num parque de diversões. Este é apenas o começo de um provavelmente único plano plurianual editorial concebido na história do Diário do Grande ABC. Através deste documento, creiam, saberemos onde registrar nossos passos nos próximos tempos. Da mesma forma, saberemos onde também deverão registrar seus passos todos aqueles que representam o que chamaria de esgarçado capital social da região — os governos locais, os agentes econômicos e os representantes sociais. Ou seja: a missão histórica que se apresenta a todos que se envolverem nesse projeto ultrapassa a corporação do Diário do Grande ABC porque se sintoniza com os anseios de uma comunidade aparvalhada com as consequências macroeconômicas. Sem paternalismo, sem tutela, porque não poderemos repetir os erros do passado. Somos um produto vocacionado a agitar a sociedade regional. Essa missão precisa ser desempenhada com denodo e perseverança.
REALIDADE ATUAL
Não se trata de impressão, mas de certeza: a direção do jornal, inadvertidamente, parece ter confundido as bolas e compreendido os últimos trechos do Planejamento Editorial Estratégico como desafio insondável de, vejam só, piorar deliberadamente o que já estava ruim. E pior ficou mesmo. O Diário do Grande ABC destes tempos rebaixou ainda mais e muito mais o nível de qualidade do produto que vai às ruas todos os dias. Chegou ao fundo do poço em qualidade editorial e abrangência regional contrapostas à demanda. O Diário do Grande ABC deste começo de terceira década de novo século provavelmente é o Diário do Grande ABC mais duramente abatido como produto editorial ao longo de quase 70 anos de circulação.
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20/02/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (21)