Sociedade

Maioria do Conselho reprova grau
de regionalidade do Grande ABC

DANIEL LIMA - 19/04/2011

O grau de regionalidade do Grande ABC sob a percepção dos conselheiros editoriais da revista CapitalSocial está muito aquém do entusiasmo que agentes públicos evocam aos quatro cantos. Levando-se em conta que o núcleo conceitual de regionalidade é a efetiva integração dos sete municípios da região, o nível de aprovação é baixo. Apenas 14 dos 112 conselheiros (12,5%) estão convencidos de que Clube dos Prefeitos, lançado em 1990, e Agência de Desenvolvimento Econômico, de 1997, entre outras iniciativas, deram resultados extremamente positivos. Na outra ponta, apenas quatro conselheiros (3,5%) revelaram-se completamente descrentes.


Não sou conselheiro de CapitalSocial e se respondesse ao questionário não teria dúvidas em cravar a alternativa “trata-se de causa perdida”. Que a cidadania anoréxica do Grande ABC trate de me desmentir.


Os resultados do questionário respondido por mais de uma centena de formadores de opinião que atuam como conselheiros editoriais de CapitalSocial estão muito distantes de desclassificação metodológica. Eles representam em larga parte a classe média tradicional da região. Vivem o dia a dia regional no trabalho, nas relações sociais, nas atividades mais diversas. Eles dialogam com quem decide, com quem influencia, com quem procura de alguma forma inserir-se no destino de cada Município e da região como um todo.


O enunciado levado ao Conselho Editorial que tratou de regionalidade e as alternativas excludentes à resposta foi exatamente o seguinte:


Sinceramente, qual é o grau de regionalidade que estabelece para o Grande ABC:


 Extremamente positiva


  Comedidamente positiva


  Estou sempre com os pés atrás


  Extremamente desconfiado


  Trata-se de causa perdida


Notem os leitores que as variáveis aos conselheiros iam do mar de rosas do “extremamente positiva” ao inferno do “Trata-se de causa perdida”.


Outros três campos à resposta foram expostos aos menos otimistas e aos menos incendiários. Somando-se as duas primeiras alternativas, que poderiam enquadrar-se no critério de confiabilidade na regionalidade do Grande ABC, chega-se a 50 respostas do total de 112 (44,6%), enquanto o grupo de conselheiros inquietos com o grau de integração regional alcançou 62 apontamentos (55,4%).


Entusiasmo mesmo com a regionalidade, que a primeira alternativa expõe de forma cristalina, apenas 14 apontamentos em 112 respostas. Uma derrota para quem, como este jornalista, há tanto tempo bate na tecla de coletivismo regional.


Já expus posicionamento no início do artigo e o repito agora, com um pouco mais de detalhamento. Sou da turma dos extremistas que não botam fé na regionalidade porque o passado recomenda moderação e me absolve.


Tenho razões de sobra para perfilar entre os que já jogaram a toalha. Dedico-me à temática muito antes do lançamento do Clube dos Prefeitos em dezembro de 1990. Afinal, criei a revista LivreMercado em março daquele mesmo ano. Mais que isso: estou em atividade jornalística no Grande ABC desde o final dos anos 1960. Jornalismo é seara à qual me dedico desde menino, aos 14 anos de idade.


Por conta de tudo isso, não acredito em mudança no quadro que já defini no livro Complexo de Gata Borralheira e também nos demais que me propus dissecar o Grande ABC em vários aspectos: somos muito menores que a soma de todas as partes. E seremos cada vez mais, porque a disputa político-partidária, base da democracia mas também caixa de Pandora de esquizofrenias sociais, intensifica-se com a multiplicação de veículos de comunicação e também de piratas da comunicação a bordo da tecnologia da informação.


Menos mal, entretanto, que haja gente influente na região, e integrantes do Conselho Editorial, que não comunguem o pensamento deste jornalista quanto à perda de esperança de que regionalidade não vire palavrão.


Tanto que 36 deles (ou 32%) optaram por “comedidamente positiva” quando responderam à questão central de regionalidade. Já aqueles que preferiram “estou sempre com os pés atrás” foram maioria, com 42 votos (ou 37,5%). Os “extremamente desconfiados” formam um batalhão de 16 votos (14,3%). Apenas um conselheiro não se manifestou, mantendo em branco os quadradinhos para apor um “xis”.


Entre os conselheiros editoriais que votaram em José Auricchio Júnior, prefeito de São Caetano, eleito a maior liderança regional, grande parte optou por quadro mais róseo de regionalidade. Foram 23 votos do total alcançado por Auricchio que se dividiram entre o primeiro e o segundo enunciados, ou seja, “extremamente positiva” e “comedidamente positiva”. Outros 16 eleitores de Auricchio ficaram com a alternativa “estou sempre com os pés atrás” quanto à regionalidade. Ou seja: embora 39% dos conselheiros tenham votado no prefeito de São Caetano, o universo foi maior (praticamente 50%) quando se trata de botar fé na regionalidade.


O contingente de conselheiros que votaram no prefeito de Santo André, Aidan Ravin, como maior líder regional, inclinou-se também para a banda otimista da regionalidade. Diferentemente dos conselheiros que votaram em Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo.


No próximo texto sobre os resultados do questionário respondido pelos conselheiros editoriais de CapitalSocial, revelaremos o que eles pensam das entidades empresariais, sindicais e sociais do Grande ABC.


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