Imprensa

PROMESSAS, FAKE NEWS E
LOROTAS INESQUECÍVEIS (2)

DANIEL LIMA - 28/07/2025

O que os leitores vão acompanhar na sequência é uma análise do jornalista André Marcel de Lima produzida há quase 20 anos para a revista LivreMercado, antecessora de CapitalSocial. É, de fato, uma microanálise em volume físico-digital, porque assim se exigia a questão colocada. Se fosse possível classificar a matéria entre os três corredores críticos propostos, no caso “promessas”, “fake news” e “lorotas”, parece impossível não plantar os pés na segunda opção. Não se trata de fake news escandalosa, dessas que se encontram em diferentes plataformas, inclusive nas mídias tradicionais, mas tem tudo de “fake news”. Afinal, quando a realidade é subvertida por desconhecimento,  mesmo sem dolo, mesmo sem esperteza, mesmo sem combinação com terceiros,  também se configura atentado aos consumidores de informação.  

 

Um Grande ABC

que já não existe

 ANDRE MARCEL DE LIMA - 07/03/2007 

Quem se deixou levar pela promessa de marketing e foi à palestra do jornalista Paulo Henrique Amorim em busca de análises, ideias ou considerações sobre a economia do Grande ABC perdeu tempo no auditório do Hotel Pampas Palace, em São Bernardo, dia oito de fevereiro. 

Ex-correspondente da revista Veja e da Rede Globo em Nova Iorque e atual apresentador do Domingo Espetacular, na TV Record, Paulo Henrique Amorim deu espécie de aula magna sobre as potencialidades do Brasil, mas deixou a desejar em relação à região. 

Primeiro, por demonstrar visão ufanista. Na abertura da apresentação, logo após pronunciamento de William Dib, no qual o prefeito de São Bernardo destacou a necessidade de recobrar o desenvolvimento econômico como instrumento para sanear dívidas sociais, Paulo Henrique Amorim disse: “É uma honra estar no ABC, essa região de que todos nós brasileiros nos orgulhamos. Eu discordo (do prefeito William Dib). Não acredito que haja a menor possibilidade de haver arrefecimento do crescimento, do dinamismo, da pujança desta região” -- afirmou. 

UMA RECOMENDAÇÃO 

Recomenda-se que leia Reportagem de Capa da edição de fevereiro de LivreMercado na qual São Bernardo, Mauá e Ribeirão Pires aparecem nas últimas colocações no campeonato estadual da produção de riqueza por habitante. Ou que acompanhe, na mesma edição, entrevista do economista Jefferson José da Conceição sobre o perigo representado pela China para a cadeia automotiva do Grande ABC. 

Além do arroubo ufanista, Paulo Henrique Amorim recorreu a lugares-comuns ao afirmar que o Grande ABC é uma das regiões mais industrializadas e importantes do País, não apenas pelo potencial econômico, mas também por ter sido o berço do sindicalismo, ao citar que a valorização cambial atrapalha a exportação de veículos e ao comentar que a melhoria do padrão de renda do País deve fazer com que mais brasileiros consumam automóveis produzidos em São Bernardo. Ele provavelmente desconhece que a participação do Grande ABC na produção nacional de veículos de passeio está em queda livre. 

DESCONHECIMENTO 

Depois da palestra em que tratou exclusivamente de temas nacionais, Paulo Henrique Amorim reconheceu a falta de familiaridade com o território de 2,5 milhões de habitantes. Ao responder pergunta sobre a importância do Rodoanel, disse literalmente que não pretendia ensinar o pai-nosso ao vigário, isto é, aconselhar os prefeitos da região sobre o assunto. Limitou-se a sugerir, com base em conversa com William Dib minutos antes da palestra, que os prefeitos continuem intensificando a pressão sobre o governo estadual. 

PELA METADE 

A visão superficial não surpreende. Fluência em assuntos macroeconômicos e internacionais não garante passaporte de conhecimento nas entranhas da região que mais perdeu empregos e Valor Adicionado com a inserção atrapalhada do Brasil no mercado internacional e com a pulverização das montadoras e autopeças.

Economia regional é ciência que exige dedicação na coleta e interpretação de informações, principalmente em se tratando do Grande ABC. O paradoxal é que, para compreender a dinâmica das cadeias produtivas e de que maneira se relacionam ou não com os atores públicos, educacionais e sindicais, é indispensável reunir conhecimentos macroeconômicos e estar antenado ao que acontece no mundo. 

A palestra sobre o Brasil assumiu tom flagrantemente otimista. Paulo Henrique Amorim acredita que o País segue firme na rota de se transformar em grande economia capitalista na qual a classe média -- cada vez mais numerosa, a seu ver -- impulsionará setores econômicos pela via do aquecimento da demanda. 

O alcance da palestra foi restrito na medida em que 20% das cadeiras estavam ocupadas e William Dib alegou compromisso e se ausentou logo no início. O evento foi promovido pela agência ABC Comunicação com apoio do Ciesp de São Bernardo.



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