Esta é a sexta edição de uma série especial sem data para terminar porque só terminará quando o tempo do político Paulinho Serra se esgotar como colunista temporão do Diário do Grande ABC. Como se tem observado, a cada domingo de Paulinho Serra colunista, mais aprofunda o fosso que separa teoria e prática. Uma prática de oito anos como prefeito e duas décadas e meia desde que se tornou ativista político como vereador no começo deste século.
Paulinho Serra transformou o passeio com a família no Japão em suposta experiência nesse período de vacância profissional como presidente estadual de um PSDB à nocaute. As informações que repassa em forma de artigo sugerem roteiro de turista que qualquer Inteligência Artificial pode produzir.
A Paulinho Serra faltou, inclusive, conexão mais apropriada entre o texto que assina e o título da coluna no Diário. A menção que faz ao colocar “Mais Japão, menos Polarização”, como sinônimo conceitual de “Mais Gestão, menos Polarização” está perdida no tempo. Basta consultar o movimento das pedras políticas, econômicas, fiscais e sociais do Japão. Como em múltiplas partes do mundo, o modelo está-se esgota-se na medida em que se clarificam na sociedade os desatinos do Estado dominador da cena de ações e fracassos.
DEMOCRACRIA EBULITIVA
Tanto é verdade que o Japão também rompe com uma democracia estática, automática, de águas plácidas. O candidato do partido político vencedor das últimas disputas parlamentares é rotulado de “Trump Oriental”. Não cabe destrinchar a situação do Japão nestas linhas, algo do qual Paulinho Serra excluiu do manual de viagem.
Tanto na marca da coluna que assina quanto na adaptação do título de domingo, o certo é que Paulinho Serra insiste numa Terceira Via velha de guerra que sucumbe às próprias fragilidades fiscais quanto às demandas da sociedade. As demonizadas redes sociais expõem diariamente a distância entre mandachuvas e contribuintes. Exceto, claro, em territórios regionais como o do Grande ABC metropolitano como um todo.
PAULINHO SERRA
Tive a oportunidade de visitar o Japão neste último mês e posso afirmar que é bem mais do que fazer uma viagem ao outro lado do mundo. É atravessar fronteiras culturais, temporais e de desenvolvimento humano. Em poucos dias, é possível caminhar por templos milenares de Kyoto pela manhã e, à tarde, embarcar no trem-bala rumo a Tóquio, onde a cidade pulsa com tecnologia de ponta e soluções urbanas de tirar o fôlego. Essa convivência harmoniosa entre tradição e inovação é, sem dúvida, uma das maiores marcas do povo japonês — e uma das grandes lições que trago dessa experiência.
CAPITALSOCIAL
Seria ótimo, para não dizer providencial, o testemunho do agora colunista temporão Paulinho Serra tendo como palco de experiência muito mais longeva, quando não efetiva, o território de 180 quilômetros quadrados de Santo André, após oito anos de comando do Paço Municipal e outros 15 como político no Legislativo local e também como secretário do petista Carlos Grana. Salvo engano, essa trajetória crítica foi motivo de avaliação pública. Nem se pode dizer que tenha sido omissão por falta de aconselhamento. Paulinho Serra, como se sabe, preferiu inaugurar o placar de uma história que começou há séculos. A Santo André de janeiro de 2017 a dezembro de 2024, restrita à própria Administração, portanto, sempre ganhou cores de felicidade.
PAULINHO SERRA
O Japão é um país que impressiona por vários motivos. A começar pela organização da sociedade, que se reflete no cuidado com o espaço público, na pontualidade exemplar dos serviços, na segurança nas ruas e na valorização do bem coletivo. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) japonês está entre os mais altos do mundo, e isso não é por acaso. Há um investimento constante em educação, tecnologia e inclusão. E foi exatamente sobre esses três pilares que se estruturou minha imersão por terras nipônicas.
CAPITALSOCIAL
Ótimo que o político Paulinho Serra se tenha dado conta de que ao visitar o Japão, há ativos materializados que dispensam efeitos especiais que desaparecem a cada nova jornada de desencanto prático. Os indicadores econômicos e sociais de Santo André após oito anos de gestão de Paulinho Serra se agravaram enormemente por conta de uma trajetória de enfraquecimento imparável que vem do passado.
PAULINHO SERRA
Um dos pontos altos da viagem foi conhecer a impressionante malha ferroviária do país, em especial o Shinkansen, o famoso trem-bala. Mais do que uma solução de transporte rápido, esse sistema simboliza o compromisso do Japão com a eficiência, a mobilidade e o respeito ao tempo do cidadão. O investimento em transporte de alta performance, pontual, seguro e limpo revela muito sobre as prioridades de uma nação que valoriza a qualidade de vida e a sustentabilidade urbana. É impossível não pensar em como esse modelo poderia inspirar melhorias nos sistemas de transporte público das cidades brasileiras — ainda marcados pela lentidão, superlotação e falta de integração.
CAPITALSOCIAL
Como teria sido maravilhoso se Paulinho Serra prefeito de dois mandatos houvesse lançado um grande programa transformador de um Município que perdeu o rumo e o prumo. As copias mal-ajambradas de programas inspirados no legado de Celso Daniel praticamente desapareceram. Nem mesmo o Santo André 500 Anos, corruptela de Santo André Cidade Futuro, de Celso Daniel, resistiu ao repasse do poder pelo sucessor de Paulinho Serra. O prefeito Gilvan Júnior jamais se pronunciou sobre o que já vinha cambaleando pateticamente nos últimos anos de gestão de Paulinho Serra. Apesar de propagar que se trata de uma Administração de continuidade, parece que se instalou no Paço Municipal a consciência crítica de que muito do que foi vendido como certo jamais certo foi.
PAULINHO SERRA
Outro momento marcante foi conhecer um projeto de inclusão produtiva de pessoas com deficiência baseado em tecnologia de avatares. A iniciativa permite que pessoas com limitações motoras severas possam trabalhar remotamente, por meio de robôs humanoides que interagem com o público em tempo real. A tecnologia japonesa, nesse caso, não substitui o ser humano — ela potencializa sua presença e amplia sua participação no mercado de trabalho. É um exemplo admirável de como inovação e empatia podem caminhar juntas. No Brasil, onde a inclusão ainda é um desafio, projetos como esse poderiam transformar vidas e romper barreiras invisíveis.
CAPITALSOCIAL
Uma pena que o principal e vitorioso programa de inclusão social da gestão de Paulinho Serra tenha sido o assistencialista e personalista Moeda Verde, reciclado de ação institucional de Celso Daniel. O programa consiste em conquistar os mais pobres e miseráveis para o recolhimento de materiais plásticos em geral como mercadorias de auxílio social em forma de troca por gêneros alimentícios. É claro que a elasticidade político-eleitoral não pode ser jamais descartada. O sucesso da iniciativa foi tamanho que a primeira-dama, Carolina Serra, nadou de braçadas rumo ao Legislativo Estadual. Mais de uma centena de organizações sociais que se dedicam a pobres e miseráveis formam um exército emblemático do empobrecimento de Santo André.
PAULINHO SERRA
E por falar em compromisso com o futuro, não poderia deixar de destacar a preocupação do Japão com a agenda climática. Foi em Kyoto, em 1997, que o mundo deu um passo importante com a assinatura do Protocolo de Kyoto, o primeiro grande tratado global para a redução de emissões de gases do efeito estufa. Esse espírito de responsabilidade ambiental permanece vivo no país. O Japão investe pesado em tecnologias verdes, eficiência energética, transporte limpo e educação ambiental. As cidades japonesas são laboratórios vivos de sustentabilidade aplicada, onde pequenas ações cotidianas geram grandes impactos positivos. Essa visão de longo prazo é algo que precisamos importar com urgência para a gestão pública brasileira.
CAPITALSOCIAL
É fato que a gestão de Paulinho Serra tomou algumas iniciativas de preocupação climática, mas nada que ganhasse configuração de prioridade de gestão, quanto menos de propagação pedagógica de perpetuação. A pauta ambiental em Santo André não difere da quase totalidade dos municípios brasileiros.
PAULINHO SERRA
Ao olhar para essa experiência de forma mais ampla, fica claro que o Japão é mais do que um país desenvolvido — é um exemplo de como se faz boa gestão com propósito, planejamento e respeito ao ser humano. É claro que não se trata de copiar modelos prontos, mas sim de aprender com as boas práticas e adaptá-las à nossa realidade. Se quisermos transformar nossas cidades em lugares mais inclusivos, modernos e sustentáveis, precisamos buscar inspiração em quem já percorreu esse caminho.
CAPITALSOCIAL
Paulinho Serra faz uma inadvertida declaração pública de que os oito anos à frente da Prefeitura de Santo André poderiam ter sido mais produtivos. Por exemplo? Ao invés de criar a Secretaria de Efeitos Especiais, que turbinaram estatísticas e programas completamente descolocados da realidade, poderia ter investido para valer numa seleção de alguns cases de sucesso no ambiente tropical, especialmente de municípios que constam dos primeiros postos de classificação em diversas competições voltadas à cidadania como um todo. Ranqueamentos nos quais Paulinho Serra recebeu de herança posicionamentos sofríveis de uma cidade sem compromisso com o futuro. Mesmo assim, não foi capaz de soar o alarme de emergência. A opção preferencial por agir como avestruz, de supostamente não mexer com a autoestima da população, se converteu em péssimo resultado prático de governo, embora bom de voto.
PAULINHO SERRA
Essa viagem não foi apenas uma oportunidade de aprendizado — foi um convite à reflexão sobre o que queremos para o futuro do nosso país. E mais do que isso: foi uma reafirmação de que é possível fazer diferente, e melhor, quando colocamos a inovação a serviço das pessoas, a tradição a serviço da identidade e a gestão a serviço do bem comum.
CAPITALSOCIAL
Também soa, a respeito de tantas outras constatações de Paulinho Serra ao longo desta série, que os dois mandatos em Santo André foram mesmo um tempo em que não houve preocupação especial com o que distingue um prefeito qualquer de um prefeito inesquecível: a capacidade de transformação ou de plantio de sementes de transformação da sociedade. Paulinho Serra não fez qualquer menção no roteiro turístico exposto após o passeio com a família no maior drama daquele povo, no caso os estragos da explosão atômica que arrasou Hiroshima e Nagasaki. Nenhuma surpresa para quem, à frente da Prefeitura de Santo André, simplesmente deixou de lado, e, mais que isso, agiu triunfalmente todo o tempo ao desprezar a Hiroshima da desindustrialização e seus efeitos econômicos arrasadores e também os danos da Nagasaki em forma de esfarelamento da cidadania por conta da debandada de cérebros rumo a outros endereços em busca de ocupação profissional.
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