Imprensa

DEBATE VIRTUAL COM
PAULINHO SERRA (8)

DANIEL LIMA - 11/08/2025

A nova edição da coluna temporária do ex-prefeito de Santo André, Paulinho Serra, no Diário do Grande ABC (veja logo abaixo), soa como espécie de mea-culpa. Mas é  mea-culpa involuntária. O desejo de Paulinho Serra é exatamente o oposto de quem presta contas do que fez nos últimos anos com a certeza marqueteira de que é um revolucionário. A coluna de ontem, portanto, não é nada diferente das anteriores. O objetivo evidente são as eleições parlamentares do ano que vem.

Entre o Paulinho Serra que ocupou o Paço de Santo André durante oito anos e que está há 25 anos na política e o Paulinho Serra colunista e agora apresentador de programa semanal nas manhãs de domingo da TV Bandeirantes existe distância estratosférica. Mas vá dizer isso para ele para ver o que acontece. As provas em contrário à pregação triunfalista e de sabe-tudo estão em seguida. Como se não bastassem às apresentadas  nas edições anteriores.

Traduzindo tudo isso numa simples constatação: há inversão desmesurada da imposição professoral que Paulinho Serra expõe tanto nas páginas do Diário do Grande ABC como agora na TV Bandeirantes. Que inversão é essa? Simples: se a ordem dos fatores não deve alterar o produto final, Paulinho Serra deveria exibir frutos de experiência praticada nas duas plataformas de comunicação. A iniciação midiática descarta essa premissa à pontapés de oportunismo. Afinal,  trata-se de princípio oposto porque  não dialoga consistentemente com a lógica primária de tom professoral como resultado de experiência vitoriosa.

BOM DE VOTO

Sei que esse trecho é um pouco sofisticado. Não era minha intenção. Mas uma segunda leitura no recorte acima resolve o problema.

Traduzindo tudo isso em linguagem popular: o que escrevi é que Paulinho Serra não tem o que ensinar  aos gestores públicos porque não fez a lição de casa quando na ativa de oito jornadas no Paço de Santo André. Bom de voto e ruim de governo não é outra coisa senão o resumo da ópera em questão. Se o leitor duvida disso, então não perca os próximos parágrafos.

O Paulinho Serra supostamente influenciador, comunicador, apresentador ou seja lá o que for não tem o respaldo do Paulinho Serra gestor público. Nem pode sequer dizer que não tem culpa no cartório de falhas à frente de Santo André. Oito anos são suficientes para apresentar um cartel relativamente positivo. Moeda Verde, o programa efetivamente vitorioso da gestão, sobretudo no campo eleitoral, é muito pouco.

SISTEMA DUDA LIMA

Entretanto, porém e todavia, tudo isso não o coloca necessariamente numa situação de desprezo pelo que faz tanto no jornal quanto agora na TV. Nem também o desclassifica como agente público, por mais que carregue  déficit extraordinário como agente público. Colocar em qualquer ambientes midiático conceitos que auxiliam a construir massa crítica à avaliação de gente ligada ao poder público é sempre bem-vinda. Só não se pode subverter a história, apresentando-se como suprassumo em gestão.

Quem promove tudo isso por Paulinho Serra, porque Paulinho Serra é sua ferramenta de experimentos, é o marqueteiro Duda Lima, profissional de gabarito quando o conceito de gabarito é tudo que representa conhecimento da demanda dos eleitores. Paulinho Serra não entregou Santo André como um sucesso de público por obra do acaso. Entre tantos fatores, os marqueteiros trataram de vender resultados positivos a todo custo. A maquinaria populista funcionou a todo vapor.

GATOS PARDOS

O fato que desagrada a Paulinho Serra e  assessores é que nem todos os gatos são pardos de concordância acrítica no jornalismo regional. Escrutinar o ex-prefeito nessa jornada agora dupla de comunicador  é necessário para que a dicotomia entre o teórico extraordinário da versão oficial  e o fracasso na prática administrativa  não seja subordinada aos efeitos marqueteiros.  

A realidade da Santo André de dois mandatos de Paulinho Serra é inquietante porque ele recebeu uma herança maldita e fez muito pouco para mudanças, quando não as tornou mais dramática ainda. Marketing isoladamente não segura o rojão. Garante votos de massa de votantes que passa a semana fora da cidade em empregos que a desindustrialização levou. São cidadãos, quando são, de finais de semana.

Paulinho Serra repete na coluna de domingo do Diário velhos truques de um biografia que não resiste ao contraditório. Mas, paradoxalmente, a iniciativa de protagonizar um programa de televisão com cases de sucesso em prefeituras do Estado é uma oportunidade de ouro para, vejam só, oferecer de bandeja a ele e a seus assessores alguma pautas extraordinárias para levar aos telespectadores.

A matéria-prima para o efeito duplo de desmascarar o tom professoral de quem não fez e pretende ensinar como que teria feito está num dos mais respeitados grupo de estudiosos dos municípios brasileiros. O Ranking de Competitividade dos Municípios, responsabilidade do Centro de Liderança Pública deveria ser consultado por Paulinho Serra para não perder bala na agulha e reproduzir , em forma de reportagem, um vasto material agora sim pedagógico de como a  Administração Pública conta com lastro para vender em matéria de competência. E como Santo André se arrasta em resultados decepcionantes.

Dividido em três dimensões (Instituições, Sociedade e Economia) o Ranking de Competividade dos Municípios é um atestado de incompetência história de Santo André. Na classificação geral, entre 408 municípios  brasileiros com mais de 80 mil habitantes, dos quais 87  paulistas que passaram por rigorosas investigações, Santo André ocupa a 117ª posição nacional e a 54ª estadual.

Estritamente no Estado de São Paulo está  uma posição abaixo de Cubatão, além de  Jandira, Marilia, Ribeirão Pires, Sertãozinho e tantas outras. 

PRIMEIRA DIMENSÃO

Na primeira dimensão  -- “Instituições” --, Santo André ocupa a 362ª  posição nacional quanto se avaliam os 10 indicadores. E “Instituições” não é outra coisa senão  gestão municipal, mote da coluna de Paulinho Serra, como se verifica logo abaixo. A posição 362 resulta, por exemplo, da posição 352 que envolve o macroindicador  “Custo da Função Administrativa”, que agrega Custo da Função Legislativa, Qualidade da Informação Contábil e Fiscal, Qualificação do Servidor, Tempo para Abertura de Empresas e Transparência Municipal.

No outro macroindicador da dimensão “Instituições”,  no caso “Sustentabilidade Fiscal”, Santo André ocupa a posição 294, resultado dos indicadores Dependência Fiscal, Despesa com Pessoal, Endividamento e Taxa de Investimento. 

SEGUNDA DIMENSÃO

Na segunda Dimensão  -- “Sociedade” --  com quase duas dezenas de indicadores com dependência total da Gestão Pública, Santo André ocupa a posição 67 no Ranking de Competividade dos Municípios Nacional. No macroindicador “Acesso à Educação” que conta com seis indicadores, Santo André não passa da posição 142 entre os 408 municípios.  No indicador “Acesso à Saúde”, é a 231ª colocada. No indicador “Meio Ambiente”, registra a posição 82. Em “Qualidade da Educação” é a 91ª colocada. Na “Qualidade de Saúde” está na posição 148. Em “Saneamento”, divide o primeiro colocar com vários municípios, num processo que se sabe histórico. Em “Segurança”, a posição ocupada é a 110ª.  Isso mesmo: centésima décima. 

TERCEIRA DIMENSÃO

Para completar o desastre histórico de Santo André que se agravou durante os oito anos do prefeito Paulinho Serra, na dimensão “Economia”, a posição geral é de 207ª colocada entre os 408 municípios. Nesse macroindicador, no indicador “Capital Humano”, Santo André ocupa a posição 204. Em “Inovação e Dinamismo Econômico” é a 118ª colocada. Em “Inserção Econômica” chega à 93ª colocação. E em “Telecomunicações” está na rabeirinha, na posição 386. 

Depois de tudo isso, o leitor está convidado a acompanhar a coluna de ontem de Paulinho Serra no Diário do Grande ABC. Sobre a estreia na TV Bandeirantes, deixo para outra ocasião.  Uma observação se faz mais uma vez necessária em função ao conceito da coluna no Diário do Grande ABC: “Mais Gestão, Menos Polarização” jamais poderá ser utilizado como argumento de pretenso sucesso de Paulinho Serra  como administrador público. Aliás, muito distante disso.  

Afinal, ao invés de extremistas intolerantes, de polarização supostamente improdutiva, o então prefeito Paulinho Serra contou com a mais ampla proteção política e institucional, além de quase que total e monolítico apoio midiático. Nada disso se configurou mais ruinoso a uma Santo André carente de contraditório, de cobrança, de preocupação social e de tudo o mais para acordar de um pesadelo em forma de silenciosa e covarde decadência econômica. 

Nas páginas e nas telas! 

A partir deste domingo (10), às 9h, estreio na tela da Band com um novo programa semanal que tem tudo a ver com os temas que já tratamos por aqui: mais gestão, menos polarização. Em um Brasil ainda tão marcado por disputas ideológicas estéreis e narrativas que pouco tocam na vida real das pessoas, queremos abrir espaço para aquilo que realmente transforma: a boa administração pública. E não há lugar melhor para começar essa conversa do que pelas cidades. 

O programa será exibido todas manhã dos domingos, e nasce com um propósito claro: mostrar que é possível fazer diferente. Vamos percorrer o estado de São Paulo para apresentar experiências concretas de municípios que inovaram, romperam paradigmas, enfrentaram desafios e, com criatividade, competência e responsabilidade, conseguiram melhorar a qualidade de vida de sua população. Experiências que podem – e devem – inspirar outras cidades, outros gestores e toda a sociedade. 

Afinal, é nas cidades que a vida acontece. É onde o cidadão vive, trabalha, se desloca, estuda, acessa serviços públicos, sente o peso – ou o alívio – da eficiência administrativa. E é também nas cidades que as soluções podem ser mais ágeis, mais próximas, mais efetivas. Por isso, o municipalismo não é apenas uma bandeira política: é uma estratégia de transformação do país a partir da base. 

Ao invés de discursos vazios, queremos apresentar resultados. Vamos mostrar cidades que avançaram com programas de inclusão produtiva, com redes de saúde mais humanizadas, com projetos de educação que realmente alfabetizam, com políticas urbanas que recuperam espaços públicos e promovem bem-estar. Cidades que enfrentaram problemas estruturais com gestão técnica, parcerias responsáveis e escuta da população. E, acima de tudo, vamos ouvir as pessoas: gestores, servidores, moradores, empreendedores, todos que fazem a cidade funcionar. 

Nosso objetivo é criar uma vitrine de boas práticas, romper bolhas e promover um intercâmbio positivo entre municípios. Não importa o tamanho da cidade, a cor partidária do prefeito ou a região do país: o que importa é a entrega. É isso que o Brasil precisa enxergar e valorizar. Porque enquanto o debate político nacional muitas vezes se perde em polarizações estéreis, há prefeitos e equipes que estão fazendo a diferença no dia a dia das pessoas, sem alarde, sem manchete – mas com impacto real. 

Assim como fazemos nesta coluna, vamos continuar insistindo na ideia de que a política precisa se reconectar com a boa gestão. Que governar não é apenas vencer eleições, mas entregar resultados. Que é possível e necessário sair da lógica do “nós contra eles” e entrar numa lógica de “todos por todos”. E que isso começa com exemplos concretos, visíveis e replicáveis – muitos dos quais estão nas cidades paulistas.  

O Brasil que dá certo já existe. Está em muitos lugares, esperando apenas ser mostrado, compreendido e multiplicado. É esse Brasil que vamos apresentar todos os domingos na Band. Com leveza, mas com profundidade. Com entusiasmo, mas com responsabilidade. E sempre com o compromisso de contribuir para um Estado e País mais justo, eficiente e equilibrado. 

Conto com a sua audiência, com o seu olhar atento e com a sua disposição para espalhar essas boas ideias. Porque quando uma cidade vai bem, sua região se fortalece. E, por consequência, o País inteiro avança.

Nos vemos sempre aos domingos. Por aqui e também nas telas…



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