Imprensa

REPÓRTER DIÁRIO VERSUS
DIÁRIO DO GRANDE ABC

DANIEL LIMA - 13/08/2025

Afinal, que gestão de José Auricchio tivemos em São Caetano, notadamente a quarta neste século, encerrada em dezembro do ano passado? Para o Diário do Grande ABC, Auricchio foi um fracasso. Para o Repórter Diário, que ouviu José Auricchio numa longa entrevista, o prefeito apresentou argumentação tecnicamente forte. Para este jornalista, que acompanha permanentemente a atuação de quem influencia o futuro da região, como se não bastasse o passado, a conclusão é a seguinte: a falta de contraditório de verdade torna o Diário do Grande ABC menos confiável na questão.

O jornalismo profissional, que está em todas as plataformas, impressas e digitais, comporta muitas tipologias editoriais. No caso específico da gestão Auricchio, o Diário do Grande ABC se lançou numa jornada frenética de acusações, o Repórter Diário se pautou por informações convencionais e CapitalSocial por análises ácidas. São características distintas que se fundem de acordo com a ocasião apropriada ou não.

No caso de José Auricchio, os corredores de interligação dessas tipologias foram interditados. Isso significa que cada veículo ficou no respectivo quadrado. Do Diário vieram os denuncismos, do Repórter Diário as reportagens e de CapitalSocial as ponderações sobre macro-administração. 

ATROPELANDO O SONO 

Não há pecado nisso tudo. Os veículos de comunicação têm características nem sempre iguais ou semelhantes. O que interessa é o compromisso com os leitores. A entrevista exibida na versão TV do Repórter Diário durou mais de um hora. Acompanhei cada lance antes de pegar no sono na noite passada. Transgredi, como se observa, o manual do sono tranquilo. Antes, consumi a síntese da entrevista em formato de reportagem. Sempre carrego o celular à cama. Ontem abri uma exceção: ao invés de recortes e alguma mensagens a familiares, acompanhei a longa entrevista.

A versão televisiva do Repórter Diário é melhor porque não deixa espaço a variabilidade interpretativa. José Auricchio pareceu sereno. Mediu cada palavra. Evitou ataques diretos. De vez em quando foi sarcástico. Um sarcasmo diplomático. E mandou recados nas entrelinhas. Principalmente sobre gastos com publicidade da atual Administração. Seriam R$ 9 milhões em oito meses.

Faço umas contas entre o valor despendido e a população, projeto quatro anos de investimentos na área e chego à conclusão que o volume por habitante seria recorde nacional. Nem o governo federal gastaria proporcionalmente tanto.

ESPETÁCULO CIRCENSE

Parece que Auricchio estaria pronto para jogar isso na mesa quando de eventual presença nas sempre circenses CPIs deflagradas por qualquer  Legislativo.  Haveria outras bombas supostamente ameaçadoras. Auricchio parece saber jogar o jogo de puxa e estica que os vereadores rebeldes, ingratos ou profiláticos ameaçariam jogar.  

Precisava acompanhar o bom trabalho jornalístico. Sei que sei que o Repórter Diário não é de meter a mão na massa de avaliações, como CapitalSocial, mas faz as ações de reportar com serenidade. Airton Resende e Carlos Carvalho fizeram entrevista irrepreensível.

Os dois jornalistas foram enfáticos sem serem abusivos. Fizeram questionamentos incômodos. Não havia um cheiro de encomenda. Diferentemente, portanto, do que se observa praticamente em todas as entrevistas da versão televisiva do  Diário do Grande ABC. O enfadonho faz parceria com o chapabranquismo.

ENFRENTAMENTOS

Não vou me estender sobre cada aspecto da entrevista de José Auricchio porque provavelmente seria cansativo. Sei que sei que as abordagens praticamente atingiram todos os pontos que o Diário do Grande ABC explorou neste ano, quando, como se sabe, Auricchio já não é mais prefeito de São Caetano. Mas Auricchio, assim como Orlando Morando, segue sendo alvo de implacáveis incursões, sejam explicitas, sejam implícitas.

Não custa lembrar que tanto um quanto outro tiveram a ousadia de se afastar do Clube dos Prefeitos nos dois últimos anos de mandatos. Eles e Paulinho Serra não se bicam. Paulinho Serra é queridinho do jornal. Pode pintar e bordar que permanecerá intocável. Isso não é apenas interpretação dos fatos, mas os próprios fatos fartamente documentados.

Mesmo repetindo que não quero e não devo estabelecer juízo de valor sobre o conteúdo da entrevista de José Auricchio, mas conhecendo as três partes do que chamaria de conflitos de avaliação, prefiro ficar com a versão do Repórter Diário. E a razão é simples: deu-se oportunidade à contra-argumentação de José Auricchio, diante da avalanche de matérias  acusatórias do Diário do Grande ABC.

FUGIR É ERRO

A pior alternativa de agente público ou privado que se vê diante da necessidade de dar informações é manter-se distante da mídia. Já sugeri aqui várias vezes, me dirigindo especificamente a prefeitos, sobre a imperiosidade de prestarem contas à sociedade.

Entrevistas coletivas trimestrais e temáticas com ampla documentação à comprovação dos enunciados acabariam com potenciais festivais de acusações ou possibilitariam que se confirmassem deslizes. E também permitiriam enquadrar e desmascarar o cotidiano de assessorias de imprensa em forma de jornalismo.  

Vou dar um exemplo para não ficar apenas na teoria: a rodada de entrevistas coletivas que devem ser municipalistas, para posterior programação no âmbito da regionalidade, poderia ter o Desenvolvimento Econômico como centralidade de questionamentos numa primeira etapa.

Já imaginaram o prefeito Marcelo Lima e o secretário Rafael Demarchi, em São Bernardo, com a obrigação de responderem sobre aqueles anunciados 100 mil empregos em quatro anos? Bastaria uma pergunta fundamentada para colocá-los de quatro ante a impossibilidade de tratarem com respeito os consumidores de informações.

Afinal, qual pergunta eles teriam de responder, entre muitas que, por exemplo, este jornalista faria? Veja: nos últimos cinco anos São Bernardo apresentou saldo líquido correspondente a menos de 2% de crescimento do estoque de trabalhadores formais e a projeção de 100 mil empregos representaria cinco vezes essa marca. Portanto, como seria possível chegar ao anunciado sem que se tenha notícia ou projeção sustentável  que despeje na cidade uma chuva de investimentos produtivos? 

OUTRO EXEMPLO 

Querem mais uma pergunta que este jornalista faria na pretendida entrevista coletiva caso Saúde fosse a pauta do encontro? Por que o prefeito Gilvan Júnior passou por cima da gestão do então prefeito Aidan Ravin e denominou o Poupatempo da Saúde como autoria própria, juntamente com Paulinho Serra, se a marca e o conceito foram implementados pelo ex-titular do Paço Municipal?

Cada vez mais estou convencido de que é indispensável na maioria dos casos oferecer condimentos estatísticos e evidencias sólidas para não cair na raia miúda da especulação. Tudo isso se dá  sobretudo porque o mundo da informação ganhou a participação de mais de 200 milhões de gente curiosa, prospectiva, imbecil, inteligente e tudo o mais, quebrando o monopólio nefasto (todo monopólio é nefasto) da Velha Imprensa.   

Ainda vivemos período histórico de transformações, de traçado de um horizonte indefinido, mas o passado velho de guerra é conhecido demais para ser glorificado como modelo de competência intocável.

Não houvesse, nesse caso específico mas em tantas outras situações, um contraponto às denúncias do Diário do Grande ABC, José Auricchio passaria para a história de São Caetano como um predador. Os quatro mandatos que carrega no currículo podem e não são um atestado de intocabilidade gerencial, mas também estão distantes de uma barafunda orquestrada por opositores ávidos pelo espólio eleitoral que adviria do assassinato de reputação administrativa.  

Quem tiver alguma dúvida da independência desta publicação sobre o desempenho de José Auricchio em São Caetano, basta consultar nossos arquivos. Querem um exemplo prático? Vejam o que escrevi em setembro do ano passado: 

 

Quem é o melhor entre

prefeitos reeleitos? (5)

 DANIEL LIMA - 30/09/2024 

Acabou de acabar a produção do que poderia ser chamado de Ranking de Qualidade dos Prefeitos Reeleitos no Grande ABC em 2020, e que por isso mesmo completam oito anos de dois mandatos. O resultado final após a apuração de 10 indicadores coloca, numa escala de Zero a Dez, Orlando Morando em primeiro lugar com média geral de 5,45 pontos, seguido de José Auricchio com 4,80 pontos e por Paulinho Serra, com 2,70 pontos. Não seria por falta de aviso que poderia haver surpresa na qualificação dos dados e interpretações. A situação econômica e social exige políticas públicas agressivas, organizadas e destemidas que faltaram no passado. É relevante explicar que o carregamento de notas não é exclusivamente um retrato fiel do período em que os três prefeitos passaram a ocupar os respectivos paços municipais. Há para o bem e para o mal um processo cumulativo herdado dos antecessores. Sobremodo em questões estruturais de ordem social e econômica. Mas a influência de Paulinho Serra, Orlando Morando e José Auricchio Júnior é predominante. Afinal, são oito anos de dois mandatos seguidos. No caso de José Auricchio, são quatro mandatos que se completam neste século, com intervalo dos quatro anos de outro mandatário. Logo abaixo estão explicadas as notas de três dos últimos 10 indicadores selecionados e que serviram às avaliações. Nas áreas de Desenvolvimento Econômico, Infraestrutura Social e Legado, têm-se o complemento de uma operação analítica inédita. Na edição de quinta-feira vamos reproduzir num mesmo espaço todos os capítulos dessa minissérie exclusiva e inédita de CapitalSocial. Um documento para ser guardado. O passado, o presente e o futuro do Grande ABC passam pelas páginas de CapitalSocial. Sem mistificações. 



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