Imprensa

DEBATE VIRTUAL COM
PAULINHO SERRA (11)

DANIEL LIMA - 01/09/2025

A coluna assinada por Paulinho Serra na edição de ontem do Diário do Grande ABC é a prova provada, documentada e desastrada de que o ex-prefeito de Santo André, candidato a deputado federal no ano que vem, não pode ser subestimado. É infinita a capacidade de extrapolar todos os limites de contradição e despreparo como pretenso articulista e como gestor público bom de voto,  mas ruim de governo. Bom de voto qualquer um pode ser. Bom gestor são outros quinhentos.

Paulinho Serra produziu uma joia rara de estupidez analítica, ou pretensamente analítica. Ele simplesmente debitou na conta da polarização nacional, com direita e esquerda dominando o cenário político, um escândalo de profundas ramificações envolvendo o crime organizado e um modelo de capitalismo financeiro que não pode ser confundido com capitalismo produtivo. É claro que estamos falando do desbaratamento de parte do arsenal do Primeiro Comando da Capital.

O passado de criminalidade permitida, quando não incentivada, por tucanos e petistas no Estado de  São Paulo simplesmente foi esquecido pelo tucano que, como tantos, assistiu a tudo sem jamais mexer uma palha no combate aos efeitos senão diretos, ao menos colaterais.

MUITA CONTRADIÇÃO

Reiterar que Paulinho Serra é tucano desde sempre não é chover no molhado explicativo. É refrescar a memória do leitor para que não caia na gandaia discursiva de que o PSDB de Paulinho Serra não tem ligações históricas. Mais que isso: o partido está na gênese do PCC.

A observação de Paulinho Serra de pregação anti-polarização para salvar a honra dos responsáveis diretos e indiretos é uma acusação infundada. Mais que isso: é uma nova estocada contra quem não frequenta a especialidade do autor da coluna, no caso o muro de vantagens de equilibrar-se longe da zona de tensão. Tradução? A abordagem de Paulinho Serra é descabida de fundamentos técnicos. É diversionismo puro.

Paulinho Serra desfila uma coleção de argumentos que seriam robustos,  não fosse um detalhe: durante oito anos à frente da Prefeitura de Santo André e há 25 anos como político profissional, jamais fez qualquer movimento contrário às forças ocultas, perceptíveis e também evidentes da influência do Primeiro Comando da Capital na Administração Pública.  

TIRO NO PRÓPRIO PÉ

Paulinho Serra é um somatório de incoerências e contradições ao teorizar sobre o que na prática jamais desempenhou. Mais que isso: o silêncio de Paulinho Serra como vereador e prefeito  ajudou a deteriorar o padrão já bastante vulnerável da ética político-administrativa.

Paulinho Serra colecionou buracos negros no que poderia ser chamado de preocupação com transparência gerencial à frente da Prefeitura de Santo André. Ao vincular o crime organizado à polarização política, Paulinho Serra executou mais uma vez em forma de anedota o mote da coluna que assina, mas não escreve, no Diário do Grande ABC. Como se sabe e tenho reafirmado com argumentos e provas, “Mais Gestão, Menos Polarização” é um tiro no próprio pé.

Primeiro porque Paulinho Serra deixou uma herança maldita em Santo André como administrador que fez do marketing eleitoral fortaleza de bom de voto. Segundo porque em nenhuma situação em que houve desconfiança sobre métodos que utilizou ele prestou contas à sociedade. Ou seja: Paulinho Serra atuou à sombra da transparência que defende agora como teórico sem lastro.

MUITAS INTERROGAÇÕES

Foram tantas as dúvidas lançadas e muitas lastreadas por fatos e documentos sobre as quais Paulinho Serra não reagiu durante os oito anos de dois mandatos que a temática do esquema do PCC perde sentido como manifestação a ser levada em conta no balanço parcial da megaoperação.

A nebulosa concessão do Semasa à Sabesp, as irregularidades confirmadas por órgãos do governo federal durante a pandemia, a banda podre do mercado imobiliário que deixou passivos criminais jamais levados adiante pela Administração Municipal, a gestão na Fundação do ABC e tantas outras questões são mesmo um amontoado de interrogações às quais  Paulinho Serra sempre desdenhou.

Por essas e outras, e mesmo concebendo o direito não só da dúvida, mas também da inocência da Administração de Santo André, o que salta aos olhos é a opacidade pública do gestor. Jamais houve qualquer iniciativa para descaracterizar as denúncias, as desconfianças e tudo o mais. Bastaria chamar representantes da sociedade, mesmo se considerando que a sociedade de Santo André é de inoperância coletiva estarrecedora.

BENDITA POLARIZAÇÃO

Pior mesmo é o arremedo do texto que os leitores vão acompanhar logo abaixo. Diferentemente do que afirma o político, não foi a polarização política que botou o PSDB fora do jogo nacional, o mesmo PSDB do qual Paulinho Serra virou presidente estadual por falta de interessados em participar do funeral.

O que ocorreu foi justamente a polarização em busca da paternidade da operação envolvendo o governador Tarcísio de Freitas, candidatíssimo  à presidência da República, e o governo federal, de Lula da Silva, decidido a um quarto mandato, que levou Polícia Estadual, Ministério Público Estadual, Polícia Federal e tudo o mais a promover uma caça às bruxas da bandidagem profissionalizada.

Prova provada de que a bandidagem profissionalizada do PCC é consequência do oposto colocado à mesa de besteiras de Paulinho Serra é a própria origem da organização.

Foi durante o governo tucano que dominou a política paulista por 30 anos que o PCC não só foi criado como se expandiu e virou multinacional do crime. E o PT, que contracenava como figurante barulhento o poder estadual com o PSDB, jamais demonstrou qualquer disposição a contraditórios no ambiental criminal de arranjos no Estado. Os Direitos Humanos sempre foram colocados à frente, antes mesmo de o PCC dominar a cena.

É muita desfaçatez dos marqueteiros de Paulinho Serra acreditarem que só existem  consumidores de informações idiotizados no mercado da cidadania.

PREGAÇÃO RADICAL

Goste-se ou não, não houvesse o emergir da direita conservadora num País que antes patrocinava sem complicação alguma o Teatro de Tesouras entre tucanos e petistas, e , também, não houvesse a Internet e as redes sociais no contrabalanço do jornalismo profissional repleto de compadrios, vícios, interesses escusos e tudo o mais, a operação criminal que ganhou as manchetes nacionais jamais teria ocorrido.

O que quero dizer é que precisa ser muito, mas muito pretensioso, quando não abusivo, não bastasse a estupidez explícita, acreditar que a polarização é uma vestimenta que cabe em qualquer situação de entrevero nacional e, portanto, algo que precisa ser extirpada para o bem de povo e felicidade geral da nação.

Por essas e outras, a coluna de ontem no Diário do Grande ABC, que segue abaixo, é algo para ser jogado na lata do lixo por todos aqueles que não aceitam tanta subestimação à capacidade cognitiva da sociedade servil e desorganizada.

COMPETITIVIDADE CRUEL

Mais uma vez, como se observa, os marqueteiros de Paulinho Serra, os mesmos que lubrificaram os oito anos de dois mandatos à frente da Prefeitura de Santo André, acreditam piamente que podem entorpecer a opinião pública.

Como em situações anteriores desse colunismo promocional que não encaixa um golpe certeiro de coerência, o que se apresenta como argumentação são falácias em tom professoral. Trata-se, portanto, de puro diversionismo temático.

Seria problemático para Paulinho Serra encarar, por exemplo, os resultados tecnicamente insofismáveis divulgados pelo Centro de Liderança Pública, organização idônea que constrói o ranking dos 418   maiores municípios, ou seja, o Campeonato Brasileiro de Competitividade. Santo André perde feio na classificação geral e também na classificação de três estruturas interdependentes – Fiscal, Social e Econômica – tanto para São Bernardo quanto para São Caetano. Até mesmo Ribeirão Pires ocupa melhor posição. São nada menos que 65 indicadores de 13 divisões. Não  existe conexão entre os resultados de Santo André e a marca da coluna que Paulinho Serra assina no Diário do Grande ABC.

PREMISSA EQUIVOCADA

O que estamos vivendo nessa mistura indomável de patetices entre o político Paulinho Serra travestido de colunista e o ex-prefeito de Santo André é um festival de erros de abordagem, de conceitos, de razoabilidade entre fatos e imaginação. Mais Gestão, Menos Polarização é uma premissa equivocada e excludente entre competência e ambiente político e social. Amarrado a uma concepção simplória, que não se sustenta, tudo para Paulinho Serra se resume nos dois caminhos que se cruzariam.

A operação que colocou o PCC e ramificações no noticiário nacional só existiu – e a repetição é uma forma de reafirmar o inquestionável – porque há para valer radicalismos que opõem direita e esquerda. Uma polarização que,  em determinadas  questões,  pode sim ser improdutiva.

No caso do crime organizado,  significa o desmascaramento da ideia de que o tilintar de algemas significaria a abertura do placar de uma situação de anormalidade institucional. De fato, e para valer, a megaoperação é o rompimento do silêncio dos arranjos longevos que emperraram o futuro do País. Menos Hipocrisia, Mais Prisões. 

 

Política integrada contra

o crime organizado

Um dos grandes desafios do Brasil é conseguir alinhar esforços entre as diferentes esferas de governo – municipal, estadual e federal – em torno de objetivos comuns. Muitas vezes, vemos disputas políticas e partidárias que, em vez de resolver problemas, acabam paralisando o País. É como se a polarização tivesse tomado conta do debate, deixando em segundo plano aquilo que realmente importa: resultados concretos para a população. 

Mas quando se consegue deixar de lado as diferenças ideológicas e colocar a gestão à frente da política de confronto, os frutos aparecem. A boa governança não depende apenas de boas intenções, mas sim da capacidade de coordenar, integrar e somar forças. Essa coordenação é o que transforma ações pontuais em políticas efetivas, capazes de gerar impacto real e duradouro. 

Um exemplo claro disso aconteceu nesta semana, com a megaoperação contra a lavagem de dinheiro do crime organizado. Ela nasceu de investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo, mas não parou aí. O trabalho foi ampliado e fortalecido graças à integração com órgãos federais, como a Receita Federal e a Polícia Federal. Essa união de esforços permitiu que a operação ultrapassasse as fronteiras de São Paulo e atingisse outros Estados do Brasil, desarticulando uma rede criminosa de alcance nacional. 

Esse caso é emblemático porque mostra que, quando cada esfera de poder faz a sua parte, sem vaidade e sem disputa política, o resultado é muito mais poderoso. O crime organizado não respeita limites geográficos nem diferenças partidárias. Ele se aproveita justamente da descoordenação do Estado para se fortalecer. Por isso, só com cooperação e gestão eficiente é possível enfrentá-lo de verdade. 

Vale destacar que essa operação não foi fruto de improviso, mas de planejamento e integração institucional. O Ministério Público trouxe a expertise investigativa, a Receita Federal contribuiu com inteligência tributária e financeira, seguindo e monitorando o “dinheiro do crime” e a Polícia Federal garantiu a execução em vários pontos do País. Cada instituição cumpriu seu papel, e todas trabalharam em sinergia. Essa soma de competências produziu um resultado que dificilmente seria alcançado se cada um tivesse agido isoladamente: centenas de operações simultâneas em várias cidades com mais de 1.400 agentes de segurança e de inteligência nas ruas. Um ataque pesado ao financiamento e a lavagem de dinheiro do crime! 

Esse exemplo nos deixa uma lição importante: quando o foco está no bem comum, o Brasil funciona. E funciona melhor. Ao invés de dividir, se soma. Ao invés de travar, se avança. Assim, pouco importa quem foi o “pai”da operação, governador, secretários, ministros ou presidente; para o cidadão comum, que muitas vezes se sente esquecido no meio das disputas políticas, o importante é o resultado. É ele quem ganha mais segurança, mais eficiência e mais confiança nas instituições. 

Infelizmente, essa postura ainda é exceção no nosso País. Muitas vezes, vemos governos que preferem alimentar narrativas de confronto, jogando uns contra os outros, em vez de assumir a responsabilidade compartilhada de enfrentar os grandes desafios nacionais. Essa lógica da polarização enfraquece o Estado e fortalece os problemas que deveríamos combater.

Por isso, é preciso insistir na ideia de “mais gestão, menos polarização”. Não se trata de negar as diferenças políticas ou ideológicas – elas são parte da democracia. Mas sim de compreender que, diante de problemas reais, como o crime organizado, a violência, a falta de infraestrutura ou as desigualdades sociais, não há espaço para disputas estéreis. A população cobra soluções, e não discursos. 

A operação contra o crime organizado desta semana é um lembrete poderoso de que, quando unimos forças, somos capazes de enfrentar até os problemas mais complexos. Esse é o caminho que o Brasil precisa seguir em tantas outras áreas: saúde, educação, infraestrutura, combate à pobreza. O desafio é grande, mas a fórmula já está dada: coordenação, cooperação e foco em resultados.

Se quisermos um País mais forte, justo e seguro, precisamos continuar a trilhar esse caminho. E isso só será possível quando a política deixar de ser palco de polarização e voltar a ser instrumento de gestão eficiente.



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