Imprensa

DEBATE VIRTUAL COM
PAULINHO SERRA (12)

DANIEL LIMA - 08/09/2025

Os leitores mais atentos do Diário do Grande ABC e os leitores integralmente relacionados com a linha editorial de CapitalSocial provavelmente não deixam escapar da curiosidade mórbida o suicídio argumentativo do político Paulinho Serra, agora na 12ª edição desse debate virtual. 

Não custa lembrar que se trata e um debate virtual, originário do impedimento de um debate escrito em forma de livro, conforme foi proposto por este jornalista tempos antes de Paulinho Serra acertar a publicação de coluna no jornal. 

Paulinho  Serra preferiu a mão única das páginas do Diário a um combate democrático com CapitalSocial. Só não esperava, claro, que houvesse uma trincheira digital. Um debate que se está consolidando como o matadouro do discurso do prefeito que vai disputar uma vaga de deputado federal no ano que vem, embora propague intenções não mais que marqueteiras de concorrer ao governo do Estado. Tudo peça de marketing, como se sabe 

Como Paulinho Serra é ruim de enfrentamento tête-à-tête, por assim dizer, mas conta com a mídia para autopromoção permanente, não foi difícil tirá-lo do encastelamento do triunfalismo rastaquera, especialidade a que se dedica diuturnamente. Ao sair para o jogo jogado de mostrar ao menos uma parte do que teria produzido de resultados em Santo André, eis que Paulinho Serra mostra os fundilhos da fragilidade factual. 

Um breve desfilar de dados que Paulinho Serra esgrima como supostas conquistas de Santo André sob seu comando não passa de um mosaico de fake news. Basta acompanhar o que se segue para entender a diferença entre teoria e prática. 

Segue, em forma de debate, o escalonamento do texto de Paulinho Serra de ontem, sob o título “ Gestão eficiente contra a polarização”, no interior da marca adotada na coluna no Diário do Grande ABC: “Mais Gestão, Menos Polarização”.

Em tempo: CapitalSocial está aceitando eventual arrependimento do político Paulinho Serra para o debate sugerido inicialmente, em formato de livro. Com regras reciprocamente preparadas, conciliadas e levadas a cabo.

PAULINHO SERRA

As últimas pesquisas divulgadas pelos institutos de opinião confirmam uma realidade cada vez mais evidente no Brasil: o cansaço da sociedade com o modelo político baseado em radicalização e confronto permanente. Segundo alguns levantamentos nacionais, mais de 60% dos brasileiros rejeitam a possibilidade de Jair Bolsonaro ser candidato novamente e mais de 50% reprovam o governo Lula. Esses números traduzem o esgotamento de uma fórmula que há anos aprisiona o debate público em uma falsa dicotomia, deixando de lado a discussão sobre soluções concretas para os problemas do país. O   eleitor brasileiro demonstra, cada vez mais, que não quer viver refém dessa polarização estéril. O que se espera hoje é equilíbrio, racionalidade e capacidade de gestão. As pessoas estão mais preocupadas com propostas que melhorem sua vida do que com disputas ideológicas que nada acrescentam. O recado das pesquisas é claro: há espaço para a construção de um novo caminho, que una responsabilidade fiscal, inovação administrativa e compromisso social. 

CAPITALSOCIAL 

A polarização de efeitos positivos e também deletérios é o rescaldo do cansaço de parte da sociedade com os conchavos históricos entre petistas e tucanos, principalmente, no comando direto e indireto,  mas sempre influenciador,  do País desde os anos 1990. A sociedade perdeu a paciência com o que foi pesadamente imposto pelo Teatro de Tesouras. Mas, para pouca sorte de Paulinho Serra, jovem-velho político, que há 25 anos está na estrada de um democracia de privilégios,  não há nada no cenário atual que possa beneficiar seus intentos. Dados de uma pesquisa feita pela Genial/Quest asseguram que o cansaço de parte do eleitorado em relação à polarização entre o presidente Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro mostra que um candidato que se apresentar como “outsider” em 2026 pode ter bom, mas insuficiente potencial.  Os pesquisadores perguntaram aos eleitores qual seria o melhor resultado para o País, independentemente da opção de voto de cada um. Para 27% o ideal seria ter alguém de fora da política na Presidência, Lula foi a resposta para 28% dos pesquisados e Bolsonaro foi a escolha de 19%, conforme escreveu o jornalista César Felício, do Valor Econômico. Segundo a interpretação da pesquisa, “outsider”, nessa opção do eleitor, equivaleria a acepção rigorosa do termo: “Trata-se não apenas de uma pessoa alheia ao petismo e ao bolsonarismo, mas também avessa a qualquer opção ideológica. “Os que querem uma direita não bolsonarista somam 10%. Os que querem uma esquerda sem Lula são 4%. Os que optam pelo centro são 5%. Um índice tão alta para um “outsider” dessa natureza significa que o espaço para a antipolítica é bastante significativo” – afirmou o jornalista do Valor Econômico. Ou seja: por mais significativo que fosse, não haveria espaço para o perfil de uma terceira via tão defendida pelo jovem-velho político Paulinho Serra.    

PAULINHO SERRA 

Enquanto no plano nacional prevalece a divisão, experiências locais têm mostrado que a boa gestão conquista a confiança da população. Santo André é um exemplo. No último mês, uma pesquisa de opinião apontou que 78% dos moradores aprovam a atual administração da cidade, comandada pelo jovem e competente Gilvan Ferreira, que é uma continuidade de um modelo de gestão que transformou a cidade a partir de 2017 e complementado por um olhar atual que prepara a cidade do futuro. 

CAPITALSOCIAL

A aprovação do atual prefeito de Santo André, em nível semelhante ao anterior e também dos prefeitos de São Caetano e São Bernardo se deve, em larga escala, à Terceira Divisão Brasileira de importância da política municipal, atrás dos interesses mais abrasivos pela Segunda Divisão do governo do Estado e pela Primeira Divisão do Governo Federal. Não existe em qualquer município da região, de forma vigorosa ou mesmo relativamente sustentável, nada que possa ser chamado de antagonismo declarado, de oposição vigilante,  quanto mais polarização. Salvo alguns episódios notadamente manipulados, a política local é o acasalamento de interesses de uma maioria opressiva e um imenso buraco de desinteresse coletivo. Basta verificar nas pesquisas do Instituto Paraná o nível de aprovação e de reprovação do governador do Estado e do presidente da República, bem abaixo de qualquer prefeito da região. Esse ambiente de controle absoluto dos paços municipais é a pior democracia possível porque permite o artificialismo e a imprecisão de avaliações como a apresentada por Paulinho Serra. No somatório dos sete vencedores das eleições municipais do ano passado, sobraram apenas 35% de média de votos conquistados e contrapostos aos votos disponíveis. O seja: 65% do eleitorado regional descartaram os prefeitos eleitos. A aprovação de quase 80% não combina com esse salto triplo de indiferença ou de oposição aos vencedores. A isso se pode dar o nome de anorexia política. E o sobrenome composto de cidadania fragilizada. 

PAULINHO SERRA 

Os números confirmam a evolução. Nos últimos oito anos e 9 meses, a cidade reduziu sua dívida pública, criando espaço para novos investimentos. No saneamento, o salto foi histórico: o tratamento de esgoto saiu de 27% para 94%, colocando Santo André como referência nacional. Na educação, a cidade se destacou em alfabetização na região Sudeste e capacitação para o emprego, mostrando que eficiência e sensibilidade social podem caminhar juntas. Além disso, houve modernização administrativa, digitalização de serviços, fortalecimento da infraestrutura urbana e expressivo investimento em inovação, entre várias outras políticas públicas. 

CAPITALSOCIAL

Ainda na semana passada a mídia em geral se ocupou do Ranking de Competitividade dos Municípios Brasileiros, com participação de 418 cidades com mais de 80 mil habitantes. Fomos mais longe nas avaliações. Muito mais fundo, para dizer a verdade. Santo André ficou na posição 103, muito abaixo de São Bernardo (13) e São Caetano (8). A maioria dos 65 indicadores que dão lastro ao que chamamos de Campeonato Brasileiro de Competitividade dos Municípios coloca Santo André em situação bastante insatisfatória. Um exemplo? Em Tratamento de Esgoto, ocupa a posição 154. Em Coleta de Resíduos Domésticos é a 294ª colocada. Em Sustentabilidade Fiscal não passa de posição 91. Em Funcionamento da Máquina Pública é a 163ª colocada. Em Acesso à Saúde é a 114ª. Em Qualidade da Saúde é a 168ª colocada. Na Educação é a 168ª colocada em Acesso e a 168 em Qualidade. Resumo: Santo André está completamente em desacordo com o que poderia ser chamado de produtividade social, fiscal e econômica quando se comparam as pífias posições  no ranking e o PIB per Capita, que, por sinal, nos cinco primeiros anos já contabilizados de oito anos de dois mandatos de Paulinho Serra, caiu 34 posições no ranking exclusivamente paulista. 

PAULINHO SERRA 

Esse conjunto de ações não apenas melhorou a qualidade de vida, como também resgatou o orgulho da população pela cidade. E os dados da pesquisa são a prova de que quando a política é exercida com foco em resultados e não em embates vazios, as pessoas reconhecem. A aprovação maciça à gestão municipal é reflexo de um trabalho baseado em planejamento, responsabilidade e proximidade com as necessidades reais da população. O contraste é inevitável. No cenário nacional, vemos dois polos que se retroalimentam no discurso de ódio, transformando cada decisão em um campo de batalha e deixando a sociedade exausta. Já no âmbito local, quando a política se traduz em obras, serviços, educação, saúde, segurança e transparência, a resposta da população é positiva. Santo André mostra que é possível construir políticas públicas eficazes sem cair na armadilha da polarização. 

CAPITALSOCIAL 

A insistência em enfatizar fake news e também de demonizar o ambiente nacional que, repito, é rescaldo do acumulado de incorreções, escândalos, controle da mídia, travessia de mão única e tudo que possa ser catalogado como jogo de conveniência demostra de fato para valer que Paulinho Serra tem mesmo é saudade de tucanos que se perderam no tempo e viram a canoa furada afundar de vez. Alguém que se pronuncia sobre o estágio atual da democracia brasileira de forma genérica, sem apontar o rifle da argumentação em direção a bandoleiros que transformaram instituições em potentados autoritários os não é alguém, convenhamos, incapaz de contribuir com a mudança de rumo do País que, como está provado,  vai muito além do simplismo marqueteiro de Mais Gestão, Menos Polarização. 

PAULINHO SERRA

Esse exemplo reforça uma mensagem importante: o Brasil não precisa escolher entre extremos. Existe, sim, um caminho do meio, que valoriza a boa gestão, a eficiência e o diálogo. A política não deve ser palco de guerras ideológicas, mas instrumento para resolver problemas e gerar oportunidades. 

CAPITALSOCIAL

A assertiva que ancora o colunista temporário Paulinho Serra saiu do esquadrinhamento de marqueteiros que ignoraram completamente o passivo contundente daquele que resolveram contemplar. Um equívoco desmedido. A imaginação foi levada a sério como ferramenta de propagandismo político, sem que se dessem conta de que virou espécie de armadilha. Afinal, não há como conciliar o passado de oito anos de desperdício de tempo à frente da Prefeitura de Santo André e o ideário para colocar o Brasil nos trilhos. 

PAULINHO SERRA 

As pesquisas deste último mês, portanto, trazem uma dupla leitura. De um lado, revelam o desgaste irreversível da polarização nacional; de outro, evidenciam que a população responde de forma afirmativa a projetos políticos equilibrados, sérios e consistentes. É nesse espaço que nasce a esperança de uma nova política, menos barulhenta e mais transformadora. 

CAPITALSOCIAL

A pesquisa da Genial/Quest parece suficientemente sólida ao estabelecer margem de manobra inicial a candidaturas que não carreguem ônus político, situação em que, como afirmei, não contempla um jovem-velho político como Paulinho Serra. Basta imaginar como seria possível o ex-prefeito de Santo André sair de uma sabatina pública diante de leitores ávidos por novidade na política nacional caso lhe fosse endereçado questionamentos sobre as lambanças administrativas cometidas reiteradamente durante oito anos. Fosse o CEO de um empreendimento privado com orçamento de estimados R$ 5 bilhões ao ano, Paulinho Serra não teria resistido à demissão.  Os dados estão fartamente documentados, quando não quantificados e qualificados. 

PAULINHO SERRA 

O Brasil precisa de mais exemplos como o de Santo André: cidades e lideranças comprometidas com gestão eficiente, modernização, responsabilidade fiscal e cuidado com as pessoas. É disso que a sociedade brasileira está cansada de esperar e é isso que, aos poucos, começa a exigir. 

CAPITALSOCIAL 

O modelo administrativo imposto a Santo André durante oito longos anos guarda muita intimidade com o fracasso do Estado brasileiro há muitas décadas, colocando-o entre as piores nações emergentes em inúmeros indicadores. Assim é Santo André, aliás, em ranqueamentos rigorosos e empiricamente respeitados.



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