O resultado da enquete que a revista digital CapitalSocial realizou com o Conselhão Regional, instância de cooperação da publicação, iluminou o perfil da candidatura da supersecretária de São Caetano, Regina Maura Zetone, à sucessão do prefeito José Auricchio Júnior. Das três alternativas colocadas à análise dos formadores de opinião, a que contou com menor número de apoio relaciona-se à dependência unilateral da imagem de Regina Maura à da presidente Dilma Rousseff. Com uma margem pouco superior ao enunciado que coloca a questão de gênero como ponto decisivo da escolha da candidata, prevaleceu entre os conselheiros a alternativa que valoriza tanto o desempenho técnico de Regina Maura à frente de pastas sociais da Administração como a forte influência do prefeito, que conta com alta aprovação popular.
A enquete de CapitalSocial não tem respaldo cientifico, mas pode ser interpretada como espécie de pesquisa qualitativa com formadores de opinião da classe média tradicional, base do eleitorado de São Caetano. Dos 126 integrantes do Conselhão Regional, 42 participaram do trabalho. Houve natural recuo em relação à enquete anterior, que abordou a clivagem "Grande ABC versus Província do Grande ABC". O vácuo já era esperado. A maioria dos conselheiros entende que o temário proposto é de exclusiva importância municipal, não de gênero, como propôs e enfatizou CapitalSocial.
A próxima enquete de CapitalSocial vai abordar aspectos do plano de carreira do petista Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo pré-candidato ao governo do Estado nas eleições de 2018. Apenas 14,28% dos integrantes do Conselhão Regional optaram pelo primeiro cenário apontado por CapitalSocial quanto à escolha de Regina Maura Zetone para concorrer à Prefeitura de São Caetano. Vejam o enunciado:
A candidatura de Regina Maura Zetone é uma articulação de marketing do prefeito José Auricchio Júnior, detentor de alto nível de aprovação popular. Regina Maura Zetone está na disputa principalmente por questão de gênero, apesar da reconhecida competência técnica. Regina Maura será embalada subliminarmente pela presidente Dilma Rousseff, com recorde de aprovação popular, superando inclusive Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso em tempo semelhante de governo. A candidatura de uma mulher numa sociedade conservadora e patriarcal como a de São Caetano não é, portanto, uma jornada cega. Muito pelo contrário: é a segurança de que a imagem de austeridade, responsabilidade e compromisso com a ética pública, observada na aprovação de Dilma Rousseff, poderá ser repassada em larga escala à indicada do prefeito de São Caetano. Regina Maura é a expressão da competência feminina num mundo político congestionado por homens.
A segunda alternativa proposta por CapitalSocial obteve 35,71% de aprovação do Conselhão Regional. O enunciado mostra um equilíbrio entre os valores técnicos e de gênero entre Regina Maura Zetone e a presidente da República. Leiam:
A candidatura de Regina Maura Zetone é a associação de qualidades técnicas da escolhida pelo prefeito José Auricchio Júnior com a imagem pública da presidente Dilma Rousseff. Há um equilíbrio subjacente que envolve as razões do processo de escolha de Regina Maura Zetone. Nem tanto ao mar do sucesso de Dilma Rousseff como suporte à candidata do Paço de São Caetano nem tanto à terra de que a decisão teria se fixado basicamente nas atividades de superassessora que Regina Maura Zetone desempenha na Prefeitura. É do equilíbrio entre o real, ou seja, da prática funcional da candidata, e da imagem positiva de uma mulher no poder máximo da República, a preferência indicativa do grupo comandado pelo prefeito.
O terceiro enunciado da enquete contou com maior índice de aprovação do Conselhão Regional. Um total de 42,85% dos conselheiros optou pelo seguinte enunciado:
Fundamentalmente, a escolha de Regina Maura Zetone para concorrer à Prefeitura de um Município conservador e patriarcal se deve às qualidades técnicas, políticas e pessoais da candidata, detectadas pelo seu entorno político, comandado pelo prefeito José Auricchio Júnior. Por mais que a presidente Dilma Rousseff seja largamente aprovada pela população brasileira, não se pode, de forma alguma, confundir as bolas. Prefeitura é uma coisa, Presidência da República é outra. Não há motivos para fundir as imagens de duas mulheres em cargos tão distintos. Trata-se apenas de coincidência. Regina Maura seria concorrente mesmo se Dilma Rousseff não houvesse ganhado a eleição presidencial ou se eventualmente não desfrutasse de indicadores tão festejados.
Três dos conselheiros que se manifestaram na enquete optaram por descartar todas as alternativas. CapitalSocial vai publicar, ainda nesta semana, comentários de conselheiros que autorizaram expressamente suas manifestações.
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS