Economia

Pesquisa busca
base para o futuro

WALTER VENTURINI - 05/07/2000

Dirigentes sindicais do Grande ABC estão mais sintonizados com as mudanças do processo de globalização e revitalização da economia do que representantes das associações comerciais. A constatação vem de levantamento realizado  pelo Ipeas (Instituto de Pesquisa e Extensão em Ciências Administrativas, Econômicas e Sociais) da UniABC (Universidade do Grande ABC). Para modular essa sintonia, os pesquisadores do Ipeas procuraram saber as opções tecnológicas e os cursos sugeridos pelos entrevistados. Em dois pontos todos concordam: a necessidade de um pólo tecnológico no Grande ABC e  as críticas aos cursos oferecidos pelas universidades.


 


Dos 16 mais importantes sindicatos da área industrial (incluídos Metalúrgicos do ABC, Metalúrgicos de Santo André e Químicos do ABC), outros 10 da área de serviço e das sete associações comerciais, todos concordaram com a necessidade do pólo tecnológico. Quanto à qualidade do ensino universitário, 37% dos entrevistados das associações comerciais avaliam que o conteúdo dos cursos é pouco prático, enquanto 35% dos sindicalistas indicam que não correspondem às necessidades.


 


A pesquisa teve ponto divergente ao apontar os cursos que podem contribuir para a retomada do desenvolvimento econômico da região. Enquanto 69% dos sindicalistas se preocupam com áreas como Robótica, Automação Industrial, Engenharia de Produção e Tecnologia em Plástico, 40% das respostas das associações comerciais apontavam o tradicional curso de Administração de Empresas como prioridade.


 


"Os operários estão mais vinculados às mudanças que ocorrem no mundo. As associações comerciais não estão tão sintonizadas porque ainda preferem mais as áreas de gestão, de administração de empresas" -- avalia o organizador da pesquisa, Edmilson Costa, coordenador do Ipeas e professor da UniABC. O que leva um sindicalista a ter mais sensibilidade para as mudanças são fatos como a entrada de um computador ou robô industrial numa empresa, que pode significar o fechamento de 10 ou mais postos de trabalho. Entre as lideranças sindicais, as diferenças são motivadas pelos setores econômicos. Verificou-se que 75% dos líderes operários querem cursos na área de robótica e automação industrial.


 


A pesquisa é a terceira e última de um ciclo de investigações sobre as novas opções tecnológicas para o Grande ABC a partir do levantamento da demanda educacional do mercado de trabalho. Na primeira, constatou-se que os estudantes do último ano do Ensino Médio se apegam a cursos tradicionais como Direito, Administração e Medicina. Grandes, médios e pequenos empresários, objetos da segunda pesquisa, indicam como necessários cursos como Administração de Empresas, mas já apontam habilitações novas como Mecatrônica, Tecnologia em Plásticos e Logística como fundamentais ao desenvolvimento da região.


 


"As pesquisas têm importância porque mostram às autoridades públicas a opinião tanto do trabalhador como do empresário em relação aos destinos do Grande ABC", -- acredita Edmilson Costa. Para ele, os resultados permitem ao Poder Público traçar estratégias sintonizadas com a nova realidade da globalização, de modo a retirar a região da fase de  estagnação industrial, na busca de novas perspectivas.


 


Produzir conhecimento


 


A próxima fase de trabalho no Ipeas é fazer pesquisa para qualificar os resultados obtidos agora. Todos os levantamentos farão parte de banco de dados do Ipeas. "Queremos ter o máximo de informação sobre a região" -- projeta Costa ao revelar que toda essa carga informativa estará disponível na Internet a partir de setembro. Ele admite que as universidade devem estar melhor preparadas para as novas realidades tecnológicas. "Precisam urgentemente se articular para oferecer conhecimento de acordo com o novo processo de desenvolvimento" -- afirma.


 


O pesquisador entende que é fundamental uma articulação entre a massa crítica da universidade com o Poder Público, sindicalistas e empresários para a implantação de propostas estratégicas. "São propostas que permitirão o resgate da tradição pioneira no desenvolvimento econômico que caracterizou o Grande ABC" -- afirma Edmilson Costa.


 


Se na década de 50, a região cresceu a partir de iniciativas planejadas pelo governo federal e bancadas por multinacionais, agora seria possível a criação de um centro dinâmico a partir de agentes locais. "São as áreas novas, como software, Internet e biotecnologia, que dependem fundamentalmente do intelecto e que dão possibilidade de entrada de novos personagens no desenvolvimento econômico" -- aposta Edmilson.


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