Economia

Um shopping apressado demais
para receber os consumidores

DANIEL LIMA - 24/10/2013

Dei um passeio ontem na hora do almoço pelo novo shopping inaugurado em São Bernardo, o Golden Square. Vi com meus olhos o que os jornais da região viram mas omitiram no noticiário sobre a festa de abertura no dia anterior. O shopping foi aberto às pressas, após sucessivos adiamentos. Das 200 lojas previstas, não mais que 60 estão abertas aos consumidores. As demais são fachadas de tapumes com logomarcas das empresas que teriam garantido o ponto. Inauguraram um estádio de futebol sem arquibancadas, o gramado está meia boca e as cabines de transmissão dos jogos não têm infraestrutura tecnológica.


 


Como disse ainda ontem, torço pelo empreendedorismo privado na região, porque sei o que pode significar em termos de avanços.  Mas há uma linha divisória entre torcer e distorcer que pode dissolver credibilidades. Jornal que se reporta à inauguração do Golden Square em tom de final vitoriosa de Copa do Mundo da Seleção Brasileira, jornal que se mete nessa enrascada editorial-publicitária, não sabe onde pode parar. Ou talvez saiba.


 


O shopping que conheci ontem numa jornada de duas horas não é o shopping dos meus sonhos de consumidor, quanto mais de jornalista empedernido. O antimarketing prevaleceu.  Não chegaria ao extremo de dizer que o Golden Square é um shopping fantasma, porque vi gente, vi lojas, frequentei três das quais, mas está longe de ter a vibração, o encantamento, a sedução dos shopping de verdade, mesmo que de shoppings arquitetonicamente mais modestos, de lojas mal-ajambradas, de luminosidade menos encantadora.


 


Tempo de espera


 


Vai ser difícil voltar nos próximos meses ao Golden Square, embora antecipe que farei o possível para frequentá-lo, entre outras razões porque me seria cômodo, colado que está à minha residência. Vai ser difícil voltar lá nos próximos tempos porque sei que vou me dar mal. Tenho deficiência orgânica crônica. Sou pouco resistente ao cheiro de tinta, de qualquer tipo de tinta. Sem falar de vernizes e de assemelhados. Produtos de limpeza, então, são um inferno.


 


Como vou ao Golden Square se o Golden Square foi inaugurado em obras, que novas lojas vão trocar tapumes por vitrines, e tudo isso se faz também com produtos químicos?  O cheiro da agressividade invisível não foi detectado no passeio de ontem, mas isso não fecha as portas à ameaça. Minhas narinas deveriam ser requisitadas por forças policiais à descoberta de drogas. Faria melhor papel que os cães farejadores porque posso falar e até mesmo escrever. Possivelmente seria mais útil à sociedade nessa nova função. A praça regional está tomada por gente poderosíssima, acima do bem e do mal.


 


Quero o Golden Square pronto e acabado para voltar a frequentá-lo, mesmo que tenha restrições aos acessos às lojas. Só existe um pavimento de estacionamento sem que se precise atirar-se carro acima em inúmeras curvas de rampas que me levaram ao patamar superior, extremo.  Me senti nas curvas da estrada de Santos. Imaginava, com base no padrão dos shoppings que frequento que, a cada pavimento superado, estacionaria e me dirigiria automaticamente às lojas. Cada pavimento superado foi uma decepção. Teimosamente não se encontrava acesso algum.


 


Tudo bem que essa característica montanhosa do Golden Square não vai me tirar o apetite de frequentá-lo. Confesso certa adoração retardatária por shopping. Trabalhava tanto em horários intensos nas redações que durante muitos anos praticamente ignorei esses centros planejados de compras. Mal os frequentava. Agora com mais maleabilidade de horário, porque não sofro mais de escravagismo editorial, procuro compensar o tempo perdido.


 


Longe estou de me tornar especialista no assunto, mas como consumidor acredito que sei bem o que quero. Por exemplo: das três lojas a que me dirigi ontem no Golden Square, em nenhuma obtive respostas profissionais dos atendentes, embora não lhes tenha feito queixa alguma. Entendi perfeitamente que seria demais exigir deles algo que a própria companhia administradora do espaço foi incapaz de oferecer. A inauguração para cumprir compromissos contratuais levou ao Golden Square jovens atendentes sem o devido preparo que treinamentos garantem.


 


Fosse um time de futebol diria que o Golden Square precisa me provar que tem condições de sair da Série C para a Série A em pouco tempo. Acho que conseguirá, mas que pagará em imagem e receitas o preço da pressa, não tenho dúvida.


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