Sociedade

Afinal, como ficará a OAB após
o acordão com o prefeito Grana?

DANIEL LIMA - 21/05/2014

Alguém tem alguma dúvida, uma duvidazinha sequer, de que nada sobrará ao presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Fábio Picarelli, após a publicação da denúncia desta revista digital de que fez um acordão com a Administração Carlos Grana para se inserir de vez no grupo dos todo-poderosos que não dão bola para a plateia e para os contribuintes?


 


Em outros tempos, tempos em que Santo André e a Província do Grande ABC como um todo reunia um pouquinho de vergonha na cara, a OAB estaria em crise. Mas nestes tempos de sem-vergonhice generalizada, em que aquele acordão e tantos outros se dão com o caradurismo dos que se sentem impunes, provavelmente não haverá desdobramento algum senão, quem sabe, uma nova tentativa de calar este jornalista com alguma ação judicial. Que venha, mas não demore.


 


De todos os municípios da região Santo André é o que detém a maior parcela de promiscuidades institucionais. Entenda-se por promiscuidades institucionais tudo que colide com pressupostos de ética, apartidarismo e respeito aos associados e filiados. Peguem o estatuto da OAB de Santo André e de qualquer unidade assemelhada na região e verifiquem o quanto é desrespeitado. A entidade outrora reduto de resistência aos desmandos dos governantes virou uma casa da sogra político-partidária, atreladíssima aos administradores públicos e a seus entornos nebulosos.


 


Todos aqueles que acreditaram que Fábio Picarelli seria um ponto de renovação de costumes estão a ver navios porque o dirigente da OAB de Santo André bandeou-se de tal maneira em direção ao absolutismo da Administração Carlos Grana que chega a agredir o menos sensível dos companheiros de diretoria e o mais distante associado. A negociata com a gestão Carlos Grana está mais que caracterizada com a ascensão de José Luiz Ribas à função de Ouvidor da Prefeitura. Uma ouvidoria que não se distingue da anterior e de tantas de outros municípios que adotaram a iniciativa para vender à sociedade uma mentira clássica: a de que existe controle sobre a máquina pública por um representante social. Pura balela. Um controlador-geral como o que o prefeito da Capital, Fernando Haddad, oferece aos paulistanos, é algo impensável por estas bandas. Quem tomaria a iniciativa de, como na Capital, enfrentar os podres poderes da banda suja do mercado imobiliário, caixa de ressonância dos anseios de financiamento eleitoral da maioria dos políticos?


 


Linha auxiliar


 


O alinhamento do ouvidor de Santo André aos ditames dos poderosos de plantão foi automático. A ouvidoria que se anunciou revolucionária não passa de uma linha auxiliar do Executivo, com o apoio incontido e inconfesso de uma parcela da mídia chapa branca. Entenda-se por mídia chapa branca os veículos de comunicação que fecham os olhos a todos os equívocos e incompetências do prefeito Carlos Grana, mas adotam regime de espancamento contínuo, por exemplo, na gestão de Luiz Marinho, a qual, apesar de todos os problemas, é muito menos sofrível que a de Santo André.


 


Os leitores de CapitalSocial não têm na revelação dos meandros da eleição do ouvidor de Santo André uma exceção à regra de desnudamento do método de fortalecimento da governabilidade da Administração Carlos Grana. Trata-se de um ritual do qual não abrimos mão e que se expande a todos os administradores públicos locais. Uma das provas é a constituição do Observatório de Promessas e Lorotas, implacável contra todos aqueles que usam a mídia para vender ilusões.


 


A governabilidade escandalosamente adquirida por Carlos Grana não é obra do acaso. O prefeito de Santo André sabe o quanto é vulnerável e despreparado, por isso precisa contar com a subordinação de todas as instâncias sociais que tenham entre seus comandantes gente ambiciosa que não mede consequências éticas para juntar-se à turma. 


 


Será que o alinhamento político-partidário de Fábio Picarelli não sofrerá qualquer tipo de contestação na Ordem dos Advogados do Brasil em Santo André ou chegamos ao ponto em que a decisão de surrar os preceitos básicos da entidade não quer dizer nada? Teria a OAB se convertido definitivamente num campo de provas de negociatas políticas? Acredita a OAB de Santo André que as ações sociais que desempenha garantirão imunidade em questões macrodecisivas para o futuro do Município? Teria o presidente Fábio Picarelli acreditado que conta com respaldo midiático suficiente para deitar e rolar numa falsa operação de modernidade político-administrativa que o catapultaria a cargos públicos dependentes dos eleitores?


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