Sociedade

Fantástico refresca agenda para
atuação contundente do Defenda

DANIEL LIMA - 09/06/2014

O que o Fantástico da Rede Globo exibiu no fechamento da edição de ontem, com direito a chamadas durante vários dias da programação, é simplesmente o refrescar de uma temática que estamos cansados de apontar neste espaço. Mais que isso: deverá se tornar o ponto nuclear de iniciativas do Defenda Grande ABC, movimento que está em fase de articulação e sobre o qual ainda não se pode afirmar com a certeza inclusive dos céticos que não sofrerá aniquilamento coercitivo.


 


O Defenda Grande ABC contraria os contraventores que dominam a cena política e econômica da região, num conluio que visa manter as peças do tabuleiro de desigualdades e safadezas nos respectivos lugares.


 


A corrupção institucionalizada no meio político, com ramificações por todos os setores (o que o Fantástico não mostrou) é uma questão fundamental para que não se produza nada que pareça bobagem. Há corruptos aos montes nos jornais da região e da Capital que acabei de ler nesta manhã de segunda-feira. Basta querer investigá-los ou continuar a investigá-los. Eles são poderosíssimos na arte de sedução editorial. Têm espaços à disposição, muitos dos quais não mais que bajulativos, quando não em ritmo de campanha eleitoral. Quem não consegue veredas informativas ou denunciatórias são os representantes da sociedade resistentes aos jogos de cartas marcadas.


 


Para memorizar


 


O Fantástico mostrou quanto custa eleger um candidato na base da desonestidade, da troca de favores. Os denunciantes, cujas identidades foram mantidas em segredo e que têm experiência prática de trafegar pelos meandros políticos, são contundentes. Algumas frases que valem a pena memorizar para que se lancem desconfiança sobre quase ou sobre todos os políticos:


 


 Político não tem remorso. Político tem conta bancária.


 


 Não precisa fazer muita coisa para ter o voto porque a população não tem força nem segurança para contestar nada.


 


 Para ser eleito é preciso pagar, comprar apoio politico, e que é essa a base dos gastos de campanha.


 


 As empresas, elas não doam. Elas antecipam um dinheiro que será depois obtido e multiplicado por muitas vezes através de contratos dirigidos e direcionados.


 


 Eles (deputados) vinculam a destinação da emenda à retenção de uma importante parcela do valor daquela emenda. Uma porcentagem que, segundo todas as minhas fontes, é de no mínimo 20%. E que pode chegar a parcelas bem maiores, de 30% e até 50%.


 


 Os deputados que eu conheço, todos pegam retorno das suas emendas. Se ele põe R$ 1 milhão, na faixa de uns R$ 300 mil fica para a campanha do deputado.


 


 O desvio é feito de duas formas. Uma: o superfaturamento da obra que é apresentada, um valor maior do que realmente deveria ter. Ou então com a execução da obra em padrão distinto daquele tecnicamente definido. Além de superfaturar, ainda se constrói abaixo dos requisitos técnicos.


 


Níveis civilizatórios


 


Não vejo maneira mais apropriada de enquadrar em níveis civilizatórios a ação dos marginais da política senão com instrumentos sociais como o já perseguido Defenda Grande ABC, do qual sou incentivador, divulgador mas jamais teria qualquer cargo diretivo porque há profissionais de várias áreas que podem exercer funções com amplas vantagens institucionais.


 


Por isso a reunião desta terça-feira dos voluntários do movimento, que deverão dar o passo mais importante na direção da institucionalidade legal, deverá ter como ferramenta de mobilização a reportagem do Fantástico. Sim, a reportagem do Fantástico já que, por mais que se lute contra, nosso Complexo de Gata Borralheira nem sempre é rompido quando as denúncias partem de um jornalista da região que não tem rabo preso com ninguém.


 


Espero sinceramente que o Fantástico ajude a mobilizar os voluntários do Defenda Grande ABC, porque outras corporações classistas da Província morreram sem se dar conta ou sobrevivem de favores espúrios com a classe política, quando não mergulhados no mesmo pântano de corrupção.


 


Que os integrantes do Defenda Grande ABC não temam represálias como alguns já temeram e se afastaram. Que sigam em frente porque por mais que o ambiente regional e nacional transmita a sensação de que tudo não passa de cortina de fumaça que se dissipará sem grandes transformações, há mudanças sim no horizonte. O que podemos fazer é tentar apressá-las e despertar o Ministério Público da Província do Grande ABC que, em várias situações, não imprime o ritmo típico de emergências latentes.


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