Sociedade

Província sofre 7 a 1 econômico
há duas décadas e ainda festeja

DANIEL LIMA - 10/07/2014

A diferença entre o 7 a 1 vergonhoso a que foi submetida a Seleção Brasileira no confronto com os alemães e o 7 a 1 a que se submete a Província do Grande ABC desde pelo menos a chegada do Plano Real é que certamente haverá um caldo de cultura de inconformismo a promover mudanças estruturais no futebol nacional, enquanto vivemos aqui uma paralisia anestesiante que conta com a complacência quando não com a parceria de instituições que se arvoram representativas da sociedade.


 


Somos há pelo menos duas décadas uma Seleção Brasileira abatida num Mineirão lotado, mas sem o poder de reação do pós-jogo do entorno disposto a mudar a situação. Pior: contamos com a desvantagem sistêmica da turma do Festeja Grande ABC, formada por mandachuvas e mandachuvinhas que tentam impor a ideia de que somos a terra prometida. 


 


É impossível deixar de correlacionar o fracasso anunciado da badaladíssima Seleção Brasileira de Felipe Scolari e a situação econômica da região. Há muito estamos caindo pelas tabelas de organização do esporte mais popular do País. Foi preciso um vexame internacional para que se projetem medidas que deverão alterar profundamente o quadro. Já a economia da Província, que viveu nos anos 1990 aqueles supostos seis minutos de apagão da Seleção Brasileira, é incapaz de reagir e depende cada vez mais do Neymarismo da indústria automobilística, agora em queda.


 


Sobram Galvões Bueno


 


Não nos faltam Galvões Bueno a narrar ilusões e mentiras sobre o quadro regional. As institucionalidades estão aí. Não há uma entidade de classe sequer, de trabalhadores e de empresários, de organizações de serviços sociais e da comunidade, a reagir coordenadamente em busca de saídas para o contínuo empobrecimento regional que cansamos de provar estatisticamente nestas páginas. Como se não bastasse uma caminhada pelas ruas do centro e dos bairros.


 


Sorte do futebol brasileiro que terá institucionalidades a aquecer o jogo de debates que acabarão resultando em medidas que poderão minimizar uma infraestrutura em flagrante empobrecimento e desatualização. O placar de 7 a 1 dos alemães não ficará impune porque o ambiente pós-goleada não se aquietará, por mais que haja comprometimentos mesquinhos entre instâncias nacionais. A mídia não deixará que tudo continue como está.


 


Já no caso da Província do Grande ABC, a mídia não só se limita a relatar bobageiras de instâncias oficiais, como, em larga medida, omite-se, amesquinha-se, compactua e se deleita com os podres poderes de plantão. Vivemos num regime de exceção democrática disfarçada. O dinheiro escasso em forma de publicidade do mercado é substituído cada vez mais largamente pelo dinheiro público exigente de contrapartidas que entorpecem qualquer resquício de criticidade. Pobres daqueles que ousam contrariar os podres poderes de plantão.


 


A goleada que os alemães infligiram ao futebol brasileiro não foi obra do acaso, embora tenha cores fortes demais a demarcar as profundas diferenças que os favorecem dentro e fora de campo. Já a goleada que a Província do Grande ABC sofreu a partir do Plano Real, mas que já se ensaiara antes, com um movimento sindical que perdeu o rumo ao se meter em política partidária, essa goleada é permanente e eterna enquanto dura.


 


O desastre da desindustrialização, acentuado durante o governo Fernando Henrique Cardoso, com baixa de quase 86 mil postos de trabalho com carteira assinada no setor, foi minimizado nos primeiros anos do governo Lula da Silva por conta dos incentivos à compra de veículos. Nada, entretanto, que sustentasse estruturalmente uma reação regional. Como estes dias estão provando, com quedas sucessivas de produção e de vendas de nossa galinha dos ovos de ouro.


 


A Província do Grande ABC lembra, no organograma oficial e informal de mandachuvas e mandachuvinhas que comanda seu destino, a patetice da comissão técnica da Seleção Brasileira na entrevista coletiva de ontem, para justificar o descarrilamento do dia anterior.


 


Exemplares caquéticos


 


Não nos faltam exemplares caquéticos de Felipões, com o agravante de que nossos Felipões desafiam a biologia e o comodismo pós-títulos ao se apresentarem permanentemente como exemplares envelhecidos de ideias e de projetos mesmo estando, muitos deles, em plena flor da idade.


 


Nossos jovens políticos e dirigentes em geral envelhecem sem ter amadurecido, numa associação abusiva de ignorância e arrogância. 


 


Nossos jovens dirigentes políticos, sociais, sindicais e empresariais formam um bando de medíocres porque a transição geracional se dá com velhas raposas especializadas em delitos éticos e morais, além de incompetentes como agentes de transformações sociais. Eles, esses jovens, se reproduzem seletivamente nas mais diferentes instâncias diante de uma plateia embevecida como os torcedores brasileiros ante a demagogia eletrônica de Galvão Bueno e seus seguidores midiáticos.



Já vivemos e continuamos a viver os efeitos de um 7 a 1 germânico na economia regional. Estamos sistematicamente à deriva. Quando será o dia de nosso juízo final? 


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