Economia

Empreendedorismo para
quem será empreendedor

DANIEL LIMA - 29/08/2003

Há um inesgotável manancial de práticas gerenciais vitoriosas no Grande ABC que o Prêmio Desempenho realça a cada temporada. Somos uma sociedade empreendedora por excelência ou por necessidade. Os indicadores de sucesso só não são mais expressivos porque o Estado brasileiro, em diferentes esferas, não tem a menor vocação para dar suporte à livre-iniciativa de pequeno e de médio porte, salvo raras exceções pontuais, e as entidades de classe empresarial, em larga escala, são depósito de egocentrismo vazio.


 


No próximo 9 de setembro, quando será lançada a Edição Especial do Prêmio Desempenho, um microcosmo do Grande ABC que dá certo estará à mão de milhares de leitores. Será uma ótima oportunidade para compreender a dimensão do que tem significado para a economia regional os quase 14 anos da revista LivreMercado, período mais fértil e revolucionário da vida deste jornalista. Aliás, sobre isso, não esqueço uma frase que me disse um dia a também jornalista Tuga Martins, ex-colaboradora desta casa.


 


Disse ela que atingi o máximo que todo jornalista sonha -- ser dono do próprio veículo. Não tive condições de lhe responder, mas qualquer dia exponho o que penso sobre isso neste espaço. Só posso antecipar que sempre fui dono do meu próprio nariz jornalístico. A diferença, lógico, é que num veículo do qual sou acionista, embora não tenha controle administrativo, pude promover com minha equipe série de medidas que eliminaram o conservadorismo da mídia impressa diária. Mas essa é outra história.


 


Montanha de exemplos


 


Voltando aos cases vencedores do Prêmio Desempenho, gostaria de sugerir aos comandantes das instituições de ensino do Grande ABC, especialmente dos Ensinos Médio e Superior, que olhem com mais carinho a montanha de exemplos de empreendedorismo reunida na Edição Especial. Em vez de convidar para debates e palestras profissionais manjadíssimos que dizem sempre a mesma coisa na mídia e repetem à exaustão também nos encontros com estudantes, que convidem esses gestores públicos, privados e não-governamentais para contar suas experiências práticas.


 


Confesso que me alegro e sofro com o que vejo nas ruas em matéria de empreendedorismo. Conhecedor da macro-realidade regional, costumo desafiar minhas próprias teorias quando observo novos negócios saltarem de fachadas cintilantes ou modestas mas sempre emolduradas de esperança. Infelizmente não costumo errar.


 


Um restaurante imenso e isolado numa avenida de tráfego rápido e próximo de um supermercado não me parece o melhor caminho para ganhar dinheiro. Uma padaria que se instala no raio de ação de outra mais tradicional também pode dar dores de cabeça ao proprietário se não conseguir somar elementos de marketing que demova a fidelidade dos consumidores à casa mais antiga. Um novo lava-rápido que se instala perto de um posto de combustíveis também está fadado a quebrar se, entre outras medidas, não rebaixar os custos fixos e oferecer vantagens comparativas em preço e qualidade, personalizando o atendimento. Uma padaria 24 horas que massifique a novidade de jamais fechar também pode ver o movimento da madrugada transformar-se exclusivamente em despesas. Mão-de-obra e consumo de energia elétrica representam peso considerável na atividade e a concorrência com os supermercados estreitou as margens de lucros. Já não é mais possível ganhar muito vendendo pouco.


 


Caminhos complicados


 


Os caminhos que levam ao empreendedorismo de sucesso são intrincadíssimos. Particularmente no Grande ABC vitimado pela abertura econômica mais irresponsável que um governo federal poderia proceder, as levas de desempregados industriais se defrontaram no tempo e no espaço com a chegada incontrolável e avassaladora de megaconglomerados comerciais.


 


Há relatos de indenizações trabalhistas que viraram pesadelo porque invariavelmente todos acompanharam a mesma onda de empreendedorismo que se esfacelaram pela sinistra combinação de competição demais e demanda de menos. Se as próprias montadoras de veículos não suportam esse jogo bruto e recorrem ao caixa de suas matrizes para tentar manter os negócios, o que dizer então dos pequenos comerciantes e prestadores de serviços egressos das fábricas?


 


Por isso tudo e por muito mais, os Vencedores do Prêmio Desemprenho, sobretudo os representantes da livre iniciativa, são heróis da resistência do período mais demolidor da economia do Grande ABC. Fazer fortunas no passado de glórias da região era relativamente fácil. Bastava uma boa idéia e trabalhar, trabalhar, trabalhar. Às vezes, trabalhar pouco bastava, porque a competição industrial estava anestesiada pelo autarquismo econômico e nos setores de comércio e serviços poucos se aventuraram, porque era mais conveniente a segurança de um bom emprego industrial.


 


De uns tempos para cá, só uma boa idéia não tem servido e trabalhar já não é suficiente. É preciso também ajustar todos os parafusos do empreendimento, sincronizá-los, aperfeiçoá-los, estar atento ao mercado, à macroeconomia, e, também, rezar, rezar e rezar para que os clientes não sejam ainda mais volúveis e inadimplentes e os fornecedores ainda mais restritivos.


 


Senhores reitores e diretores de escolas do Grande ABC: coloquem os líderes das instituições vencedoras do Prêmio Desempenho para contar suas experiências aos estudantes. Grande parte desse pessoal que ocupa as salas de aula não vai encontrar emprego para exercitar aprendizado e, certamente, recorrerá necessariamente ao empreendedorismo. Nada melhor, portanto, do que ouvir uma ínfima parcela de perto de 70 mil negócios formais que atuam no Grande ABC. Seus representantes são Indianas Jones dessa selva econômico em que se transformou a região.


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