Os cinco representantes da Província do Grande ABC no G-20 Paulista demitiram trabalhadores do setor industrial com carteira assinada proporcionalmente 31% acima dos demais participantes desse agrupamento dos 20 municípios mais importantes do Estado, exceto a Capital. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá reduziram em 5,77% o estoque de trabalhadores industriais com carteira assinada, contra 3,98% dos demais. Se apresentasse perda semelhante a dos demais integrantes do G-20, os cinco municípios da Província teriam poupado 4.459 postos de trabalho no ano passado. Ou seja: em vez de ter perdido uma Mercedes-Benz e uma Scania de empregos, teríamos reduzido o desastre a um pouco menos que a Mercedes-Benz.
Esses números, relativos ao ano passado, foram muito mais agressivos que a média brasileira, de redução de 1,95% de emprego industrial com carteira assinada. A tradução é a seguinte: o Brasil em crise industrial é muito menos problemático do que a Província do Grande ABC. Quando se consideram Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, que não constam do G-20, a perda de trabalhadores industriais na região é de 5,83% -- o que não altera em nada as análises.
Há muitas explicações conectadas à realidade desses dados que tornam a crise do emprego industrial muito mais dramática na Província do Grande ABC. Talvez a melhor seja a constatação de que a produtividade regional do setor automotivo, base da indústria de transformação regional, está aquém da média de geografias mais competitivas. E nesse ponto entra em campo, mais uma vez, o fator sindical: com o organizado setor metalomecânico protegido pelo sindicalismo no esticamento das chamadas conquistas trabalhistas, as indústrias locais em algum momento recorrem a demissões de forma mais incisiva do que outras geografias em reação à queda de demanda. Sobretudo as pequenas e médias, distantes dos holofotes sindicais, reduzem quadros sem criar embaraços às lideranças trabalhistas.
Visibilidade das maiores
Demissões nas montadoras de veículos que atuam na região com excesso de oito mil trabalhadores são sempre mais traumáticas politicamente. Tanto que o governo federal recorrentemente cede às pressões das empresas e dos sindicatos ao distribuir favores fiscais e trabalhistas. Recorrer a cortes massivos de pessoal é um risco enorme nas grandes companhias sediadas na região. A reação sindical é articulada e politicamente forte.
Recentemente a Volkswagen sofreu os efeitos de ter acertado com o Sindicado dos Metalúrgicos do ABC uma pauta ampla que contemplava programa de demissões voluntárias para 2,1 mil colaboradores. Uma assembleia de trabalhadores rejeitou o acordo de gabinete, a Volks recorreu à estratégia de anunciar 800 demissões, uma greve foi instaurada e em seguida um novo acordo para que todos voltassem ao trabalho contemplou praticamente a pauta inicial, que não previa demissões em massa.
Também tem peso diferenciado na equação que coloca a Província do Grande ABC como espaço territorial mais sensível às sacolejadas da indústria de transformação a dependência maior dos municípios dessa atividade que encolhe no País ao longo dos anos por falta de planejamento compatível com a internacionalização dos negócios. O peso do PIB Industrial na Província é muito maior que o da maior parte dos demais integrantes do G-20. Ou seja: a região depende relativamente muito mais da indústria como fonte de dinamismo econômico do que boa parte dos demais integrantes do agrupamento.
Com base no PIB Industrial de 2012, o mais atualizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) a Província do Grande ABC conta com média de 28,61% de participação da atividade no PIB Geral, enquanto os demais 15 integrantes do G-20 contam com média de 19,51%. No Estado de São Paulo o índice é de 20,48%. A média geral do G-20 é de 21,29%.
Quase a Capital do Estado
O G-20 Paulista, criado por esta revista digital, reúne 20 municípios que se equivalem à população da Capital. São 10.571.575 habitantes, dos quais 2.518.053 milhões da Província e os demais 8.053.522 milhões de Guarulhos, Campinas, São José dos Campos, Sorocaba, Jundiaí e tantos outros endereços.
No ano passado, nenhum Município do G-20 escapou à degola de empregos industriais. A crise foi praticamente generalizada no País. Tanto que se deceparam 163.817 carteiras assinadas. Desse total, o Estado de São Paulo contribuiu com 106.276. E do total paulista o G-20 acusou a perda de 36.919 trabalhadores. Os cinco municípios da região no G-20 perderam 14.370 postos de trabalhos (são 15.093 quando se incluem Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), enquanto os demais 15 endereços perderam R$ 22.549 trabalhadores.
O estoque dos cinco municípios da Província do Grande ABC que compõem o G-20 registrava no final de 2013 o total de 249.028 trabalhadores industriais, enquanto os demais integrantes do agrupamento somavam 566.174 – uma participação relativa de 69,45%. Quanto se atualizam os dados com a quebra de 36.919 postos de trabalho do agrupamento, o estoque do G-5 passa a 234.658 trabalhadores industriais contra 543.625 dos demais integrantes do G-20, totalizando 778.283.
A perda relativa do estoque de empregos industriais do G-20 entre 2013 e 2014 chegou a 4,53%, resultado da comparação entre os 815.202 postos de trabalho de saldo em dezembro de 2013 e os 778.283 de dezembro do ano passado. A perda relativa de 5,77% dos cinco municípios da região listados no G-20 (ou seja, de cada 100 empregos do setor, 5,77% foram para o ralo) está muito acima dos 3,70% dos demais municípios do agrupamento.
Três mais preocupantes
Da lista dos municípios do G-20, apenas Diadema, Mauá e Taubaté ultrapassaram a barreira de 7% de perda relativa de emprego industrial no ano passado. O nível é elevadíssimo quando se compara com a média de queda do próprio G-20 e principalmente com dados nacionais. Outros quatro municípios (Santo André, São Bernardo, Jundiaí e Mogi das Cruzes) também acusaram duros golpes, com queda superior a 5% do estoque. Paulínia, Sorocaba e Sumaré registraram os melhores desempenhos, embora não tenham escapado à redução de trabalhadores industriais: as perdas não chegaram a 2% e se situaram próximas da média nacional.
Na tabela abaixo mostramos o quanto cada Município do G-20 perdeu de emprego industrial no ano passado em números absolutos e também, entre parenteses, qual foi a incidência de perda relativa do estoque de trabalhadores em dezembro de 2013:
Santo André, -1.695 (- 5,05%)
São Bernardo, -5.699 (- 5,66%)
São Caetano, - 742 (-2,63%)
Diadema, - 4.244 (-7,24)
Mauá, -1990 (-7,38)
Campinas, - 2.966 (-4,72%)
Guarulhos, -4501 (-4,04%)
Jundiaí, -3.029 (-5,55%)
Mogi das Cruzes, -1.094 (-5,43%)
Osasco -800 (-3,59%)
Paulínia, -129 (-1,19%)
Piracicaba, -2949 (-4,74%)
Ribeirão Preto, -775 (-3,04%)
Santos, - 238 (-3,13%)
São José do Rio Preto, - 728 (-3,17%)
São José dos Campos, - 1.673 (-349%)
Sorocaba, - 1.319 (-1,93%)
Sumaré, - 7 (-0,03%)
Taubaté, -2.027 (-7,60%)
Total de 2006 matérias | Página 1
08/04/2026 GILVAN ENFRENTA UMA GUERRA DE 65 DESAFIOS