Economia

Crise do emprego industrial na
região segue maior que no País

DANIEL LIMA - 03/05/2016

O emprego industrial com carteira assinada vive crise muito mais dramática na Província do Grande ABC do que a média nacional. O resultado não deixa de ser um chute nos fundilhos dos sindicalistas da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Eles inventaram o PPE (Programa de Proteção ao Emprego), entre várias modalidades, para atenuar passivos com a queda de produção principalmente do setor automobilístico. A medida favorece exponencialmente apenas às grandes empresas, em detrimento de desequilíbrios nas relações comerciais na cadeia de produção. O que se poupa de um lado, escorrega pelos dedos da desigualdade de outro.

A participação da região no mercado de trabalho nacional é de 2,80%. Entretanto, nos últimos 12 meses encerrados em maio a perda líquida de vagas registrou 3,59%. Uma diferença de 28%.

Esse resultado geral não é sazonal, como poderiam argumentar sindicalistas em eventual defesa do PPE. Trata-se de descompasso contínuo. O chamado Custo ABC tão detestado por lideranças sindicais que não aceitam mudanças nas regras de um jogo que protege trabalhadores de grandes corporações em detrimento de pequenas e médias é uma realidade que vem do passado e tende a se agravar. Pequenas e médias indústrias sofrem muito mais com o descarrilamento da economia nacional.

Queda acentuada

Entre março do ano passado e março deste ano a Província do Grande ABC perdeu 25.115 postos de trabalho com carteira assinada no setor industrial. Uma queda de 10,60% no período. Eram 236.828 vagas em 2015 contra 211.713 em março deste ano. A perda líquida de mão de obra no setor industrial do Brasil no mesmo período foi de 8,49% -- ou 20,05% menos na comparação com a região. O País contava com 8.250.282 trabalhadores em março do ano passado contra 7.549.883 em março deste ano.

A participação relativa dos empregos industriais na região em março do ano passado, em comparação com o estoque nacional, era de 2,867%. Um ano depois passou para 2,800%.

A situação mais preocupante continua a ser de Diadema, integrada principalmente por pequenas e médias empresas industriais do setor metalúrgico e químico/petroquímico. Enquanto a média de demissões na região é de 10,60%, em Diadema chegou a 14,01%. O Município que nos últimos 35 anos foi comandado por partido de esquerda, exceto a atual gestão de Lauro Michels, perdeu 7.474 postos de trabalho nos últimos 12 meses. Eram 53.347 trabalhadores industriais. Agora são 45.873.

Números alarmantes

Para se ter ideia da gravidade do quadro, se Diadema fosse um dos Estados brasileiros, só seria superado por Amazonas (23,25%) e Alagoas (23,98%) no ranking dos endereços mais destruidores de mão de obra do setor. Dadas as dimensões geográficas, a crise em Diadema é alarmante. Três municípios da região registram perda de mão de obra industrial nos últimos 12 meses na faixa de dois dígitos. Santo André perdeu 10,47% do estoque, Mauá 10,02% e Ribeirão Pires 10,97%. São Bernardo e São Caetano, dependentes em larga escala do setor automotivo, que vive forte crise, aproximaram-se da barreira: o primeiro perdeu 9,24% dos trabalhadores no período, enquanto o segundo perdeu 9,51%. Somente a minúscula Rio Grande da Serra, que participa com apenas 0,2% do PIB regional, registrou dado positivo: saldo positivo de nove postos de trabalho, que significaram 0,53%  do estoque geral. Eram 953 trabalhadores industriais no ano passado e agora são 962.

Se no confronto com os dados nacionais a Província do Grande ABC sofre revés de quase 30% em volume de baixas no mercado de trabalho, num contexto mais próximo, da Região Metropolitana de São Paulo, de 39 municípios, a diferença é menos expressiva. A baixa de emprego com carteira assinada na indústria de transformação na metrópole foi de 9.14% nos 12 meses pesquisados com base no banco de dados do Ministério do Trabalho. A indústria da metrópole perdeu 100.880 postos de trabalho no período, ante queda de 700.449 no Brasil como um todo no setor.

Setores mais atingidos

Proporcionalmente (ou seja, número de demissões em relação ao total de estoque de trabalhadores) três setores foram mais atingidos: indústria metalúrgica (13,59%), indústria de material de transporte (13,87%) e indústria de calçados (12,38%). Todos os setores industriais representam estoque atualizado até março deste ano de 1.036.319 postos de trabalho. Eram 1.137.199 em março do ano passado. Os 211.713 trabalhadores da região significam participação relativa de 20,37% de postos de trabalho na Grande São Paulo.

Quando se contabiliza a perda de postos de trabalhos nos 12 meses encerrados em março levando-se em conta todos os setores econômicos (extrativa mineral, indústria de transformação, serviços industriais de utilidade pública, construção civil, comércio, serviços, administração pública e agropecuária) a Província do Grande ABC aponta 48.010 baixas. E Diadema permanece na liderança, agora com quebra de estoque de 9,46%. Muito acima de Santo André (4,53%), São Bernardo (6,85%), São Caetano (4,74%) Mauá (5,18%), Ribeirão Pires (5,43%) e Rio Grande da Serra (3,12%).

Na construção civil, o pior resultado é registrado em São Bernardo, sempre considerando o período de 12 meses. A quebra líquida do estoque de empregos no setor registrou 15,63%. Bem acima de Santo André (10,47%), São Caetano (1,03%) Diadema (4,78%), Mauá (4,39%). Ribeirão Pires não teve movimento, enquanto Rio Grande da Serra não deve ser considerado, porque está sujeito a sazonalidades por conta da baixa expressividade do setor. Tanto que a demissão de 130 trabalhadores da construção no período pesquisado significaram baixa de 18,57%.



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