Economia

O buraco é bem
mais embaixo

VERA GUAZZELLI - 05/03/2004

O descompasso entre a velocidade de ação do poder público e o dinamismo exigido pelo mundo dos negócios produz capítulo pouco recomendável para empreendedores no Pólo do Sertãozinho, em Mauá. A principal reserva de áreas industriais da região e alvo principal do  trabalho de atração de empresas realizado pela Prefeitura de Mauá desde 1995 aponta que o buraco é mais embaixo.


As más condições viárias de um trecho de apenas um quilômetro, mas vital para o escoamento da produção,  têm tirado o sono de um empresariado que deveria estar preocupado apenas com as questões econômicas e gerenciais dos negócios.


O problema, que mais parece reclamação de moradores da periferia, ganha outra dimensão se analisado sob os desdobramentos do desenvolvimento econômico e coloca em xeque a capacidade das prefeituras de estarem mais atentas ao próprio quintal.


O trecho com problemas abriga em média 30 empresas que dependem de ruas em condições ideais de tráfego para garantir tanto o abastecimento de suas linhas de produção quanto dos clientes que atendem. Parece pouca coisa, mas trata-se de logística.


Custo do desperdício


O reflexo operacional e financeiro de um caminhão que quebra ou atrasa a viagem porque encalhou na buraqueira aparece implacável nas inflexíveis planilhas de custo das empresas. "Parece que estamos falando de um  detalhe pequeno, mas agilidade é fundamental para solucionar esse tipo de problema" -- reivindica a presidente da Aepis (Associação dos Empresários do Pólo Industrial de Sertãozinho), Roseli Biason Mussini.


"Existe disposição em ajudar, mas faltam recursos para solucionar a questão de forma definitiva" -- desculpa-se o secretário de Desenvolvimento Econômico, Paulo Suares. A justificativa oficial é que a deterioração das ruas naquele trecho do pólo tem origem nas obras inadequadas de infra-estrutura realizadas pela empresa que loteou a área no início da década de 90.


Como o caso não pode ser solucionado com medidas paliativas e a  famosa operação tapa-buraco só adia o problema, a Prefeitura vai apresentar aos empresários um plano de asfalto comunitário. Da mesma forma que ocorre nos bairros, a idéia é ratear os custos da obra entre os beneficiados. Estudo preliminar aponta que seriam necessários R$ 1,5 milhão para recapear 700 metros lineares de via, além de galerias e obras de drenagem. O trecho a ser recuperado é  a artéria de ligação com a Papa João XXIII, avenida estrategicamente localizada entre o futuro trecho sul do Rodoanel e o prolongamento da Jacu-Pêssego na pretendida conexão entre o Porto de Santos e o Aeroporto de Guarulhos.


Descuido duplo


A bronca da Aepis não é novidade num Grande ABC onde o empresariado gerador de riqueza e impostos ainda não tem a atenção devida por parte dos administradores públicos. A própria Aepis surgiu há dois anos com o propósito de reivindicar mais segurança, mas o projeto da base comunitária também não saiu do papel.


Dentro do contexto, fica ainda explícita a ineficiência do Ciesp como porta-voz de quem empreende e o verdadeiro alcance da Aciam (Associação Comercial e Industrial de Mauá) na articulação de fatores relevantes à atividade produtiva. A Aciam tem 48 anos de atividades e somente em outubro de 2003 criou uma diretoria industrial na tentativa de preencher esse buraco. "A aproximação deve acrescentar importante reforço nas negociações" -- espera o presidente da Aciam, Sidnei Garcia.


Recentemente a entidade foi pega de surpresa com o anúncio de que a Prefeitura pretende regularizar lotes industriais com menos de 500 metros quadrados, em Capuava. A associação não participou da discussão e soube do projeto por meio da imprensa.


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