Economia

Região espera a
locomotiva chinesa

WALTER VENTURINI - 05/06/2004

O futuro do Rodoanel e do Ferroanel pode estar do outro lado do mundo, na China, para onde viajou o governador Geraldo Alckmin no mês passado com a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A conjunção de interesses comerciais dos governos brasileiro e chinês abre perspectivas para duas obras que há anos se resumem a projetos desenhados no papel e muita promessa de autoridades públicas.


A paralisia que atinge o Rodoanel e o Ferroanel pode ser curada com um remédio chinês chamado investimento. A receita consta do memorando assinado em maio pelo Ministério do Planejamento do Brasil e o Ministério do Comércio da China no qual ficou firmado que dinheiro e equipamentos ferroviários chineses podem ser trocados por soja brasileira.


Quem está interessado na receita é o médico Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, que falou principalmente sobre o Ferroanel para os chineses nos contatos que manteve em Pequim e Xangai. “Estamos abordando bastante a asa sul do Ferroanel, para poder chegar ao Porto de Santos. Várias empresas já tinham nos procurado no Brasil e agora reiteraram esse interesse na China. Acho que as coisas estão caminhando. Não é tão simples. As decisões aqui têm uma fase de maturidade, mas estão caminhando” — afirmou o governador durante teleconferência com a imprensa direto do território chinês.


Problema é o dinheiro


Geraldo Alckmin garante que não há qualquer dificuldade quanto ao projeto e à engenharia do Ferroanel. “O problema são os R$ 400 milhões” — afirma o governador, ao falar sobre o custo previsto dos 47 quilômetros da ferrovia que ligará Mauá a Parelheiros, na zona sul da Capital. O trecho sul do Rodoanel, com 53,7 quilômetros entre a Rodovia Régis Bittencourt e o Grande ABC, está orçado em R$ 2 bilhões. Os dois traçados estão unidos por uma única obra de terraplenagem porque correrão paralelos, o que representa notável economia na conta final. A faixa de domínio (área de margem a margem) da rodovia é de 130 metros e a da ferrovia, de no máximo oito metros.


Com cerca de US$ 500 bilhões para investir, produto de seguidos superávits durante mais de 20 anos, quando cresceu a taxas anuais de 9% e 10%, a China precisa de matérias-primas, principalmente ferro e soja. “Os chineses querem diminuir o custo do frete de suas importações do Brasil. Além da logística regional, o Rodoanel e o Ferroanel são empreendimentos importantes para o País, que aumenta as possibilidades de colocar produtos no mercado internacional. Os chineses estão vendo isso e é preciso que o governo federal também veja” — analisa Renato Maués, assessor executivo do Consórcio de Prefeitos do Grande ABC para a área de logística e transportes.


PPP é a saída


Maués avalia que o governador Alckmin está empenhado nos projetos, mas gostaria que o presidente Lula interviesse para acelerar a viabilização das obras. Para o assessor, no entanto, Ferroanel e Rodoanel só saem do papel com a PPP (Parceria Público-Privada), que garante investimento privado para grandes obras de infra-estrutura e acaba de ser aprovada pela Assembléia Legislativa.


Os projetos são mais do que viáveis. Além da economia ao se evitar o gargalo viário da Grande São Paulo, o aumento do transporte de carga cresce a cada ano. As ferrovias transportavam há cinco anos 4% da carga para o Porto de Santos. Em 2003, a participação chegou a 18%. Diante desse quadro, é premente a necessidade de o Rodoanel e Ferroanel saírem do papel. Não basta, por exemplo, a aprovação de previsão orçamentária para essas obras na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) do governo do Estado para 2005. Até porque, há cinco anos esses projetos são incluídos nos orçamentos do Estado sem que um metro de estrada ou ferrovia seja construído. É preciso paciência oriental como a usada para construir a muralha da China, mas também é fundamental muitos e muitos yuans, a moeda oficial dos chineses.


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