Economia

Avanço e retrocesso
no front automotivo

ANDRE MARCEL DE LIMA - 11/02/2005

Ao mesmo tempo em que comemora a criação de 17 mil empregos industriais com carteira assinada no ano passado — volume equivalente ao efetivo da Volks de São Bernardo — o Grande ABC sofre ameaça de retrocesso no front da competitividade. Foi só a economia melhorar um pouco e os metalúrgicos da CUT (Central Única dos Trabalhadores) voltaram a empunhar a bandeira da redução da carga horária evidentemente sem a contrapartida da diminuição proporcional de rendimentos. Querem trabalhar menos e ganhar a mesma quantia.


Num momento em que França e Alemanha abandonam o sistema para não ver milhares de empregos voarem em direção ao mais econômico Leste Europeu, a proposta soa no mínimo despropositada. Tão inverossímil como a que pretende instituir piso salarial unificado para todos os metalúrgicos do País com base nos custos inflados do Grande ABC.


A intenção por trás do plano de diminuição da jornada é nobre. Empregadores seriam obrigados a contratar mão-de-obra adicional e empurrariam para baixo indicadores de desemprego. Mas se a preocupação for mesmo alargar a base de assalariados, o alvo da campanha poderia ser outro: redução dos elevadíssimos impostos que incidem sobre o trabalho com carteira assinada, uma das distorções que obriga indústrias a recorrer a horas extras em períodos de pico produtivo. 


É exatamente no front valioso do trabalho industrial formalizado que o Grande ABC colheu saldo de 17 mil empregos no ano passado. Essa Volks Anchieta amenizou o quadro de 100 mil empregos industriais com carteira assinada evaporados durante os anos 90.


Nas asas da globalização 


A mesma globalização que ceifou algo como uma população de Ribeirão Pires das linhas de produção é a grande responsável pela relativa recuperação de vagas no ano passado. A explicação da aparente contradição está na inversão de mão do processo caracterizado pelo livre acesso de mercadorias e serviços. Se durante a desastrada paridade cambial o Brasil se viu invadido por veículos e autopeças, após a maxidesvalorização de janeiro de 1999 passou a utilizar vendas externas para compensar a anorexia do mercado doméstico. O processo atingiu o apogeu no ano passado com exportação de 600 mil do total de 2,2 milhões de veículos produzidos. 


Mas nuvens negras não recomendam otimismo exagerado. O real tem registrado valorização preocupante aos olhos dos exportadores, apesar de recorrentes intervenções do Banco Central no mercado de câmbio. Além disso, China e países do Leste Europeu prometem infestar o planeta com automóveis baratos, o que pode restringir o mercado para os produtos made in Brazil. 


No caso do Grande ABC, exportações são ainda mais importantes porque a região é a mais cara do País. Os salários dos metalúrgicos da região são mais altos que o das demais regiões. Além disso, dificuldades logísticas impõem prejuízos adicionais. Exportar será sempre ótimo artifício enquanto custos de produção mais generosos puderem ser escamoteados na desvalorização da moeda nacional.


Além de 17 mil empregos industriais, o Grande ABC contabilizou 30 mil em outros setores, o que elevou o saldo positivo do ano passado para 47 mil, de acordo com levantamento do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos) com base em dados do Ministério do Trabalho. A performance ajudou a derrubar em dois pontos percentuais o nível de desemprego medido pela PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego). A média ficou em 18,3% em 2004 ante 20,3% em 2003.  


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