Economia

Decresce número de profissionais
no setor industrial

MARIA DO CARMO ROMEIRO - 05/06/1997

Na última década muito se tem abordado e discutido sobre redução do emprego industrial. Comentários e artigos divulgados amparam-se nos números que mostram redução de vagas no setor ou nos estudos sobre participação relativa dos setores econômicos no total de pessoas ocupadas. Esses dados, quer extraídos, por exemplo, dos registros oficiais do Ministério do Trabalho, quer resultantes de levantamentos amostrais obtidos em pesquisas domiciliares realizadas pelo Seade, Dieese e FIBGE, tendem a apontar sempre na mesma direção: independente do crescimento do volume produzido, o índice de pessoas ocupadas na indústria está em processo descendente.

Esse quadro, que não é específico do Brasil mas da maioria dos países industrializados, implica em forte preocupação no Grande ABC. Em particular, o setor industrial absorvia, em 1989, 41% da população residente nos três principais Municípios da região, com idade mínima de 18 anos. Essa estimativa hoje reduziu-se para 30,3%. Vale observar que, não necessariamente, essa parcela estava integralmente vinculada ao setor industrial instalado na região. Entretanto, era bastante expressiva a parcela de residentes da região que trabalham em estabelecimentos da própria região, quer no setor industrial, quer comercial ou de serviços.

Essa queda retoma seu recrudescimento a partir de 1990. Os motivos, de ordem econômica, estrutural e conjuntural, têm sido largamente discutidos e debatidos nos últimos tempos. O quadro de transformações suscitou interesse especial em conhecer a dimensão do processo migratório relativo à ocupação principal apresentada pelo residente do Grande ABC, considerando o momento atual e o ano de 1989.

Esse questionamento estava geralmente presente quando se abordava a questão da migração dos trabalhadores do setor industrial para o de serviços, este último apresentando, nos últimos anos, alargamento de sua participação relativa no total de pessoas residentes na região e ocupadas economicamente.

O dimensionamento desse fluxo migratório, ainda que se admitindo a margem do erro nos resultados estimados, inerente ao processo adotado para sua apuração, foi pautado na consulta a uma amostra de 718 pessoas, residentes no Grande ABC e com idade a partir de 18 anos, selecionadas por processo de amostragem probabilístico. Nessa parcela foi identificada a ocupação principal - econômica ou não - atualmente apresentada pelo entrevistado e a ocupação principal em agosto de 1989.

Em termos de resultados, em tomando a base de pessoas que estavam ocupadas no setor industrial em agosto/89, estimou-se que 42,8% permanecem no setor industrial; 17,5% apresentam deslocamento final para o setor de serviço e 9,6% para o setor de comércio. Uma outra parcela (4,2%) está desempregada e os demais, ou seja, 30,1%, aposentaram-se ou desligaram-se do mercado de trabalho.

Por outro lado, essa parcela que permanece ocupada no setor industrial tem seu peso relativo aumentado quando tomamos como base o total de residentes atualmente ocupados nesse setor. Ela passa a equivaler a 62,3% dos ocupados no setor industrial. Isso confirma e possibilita obter uma estimativa da redução da base residente do Grande ABC ocupada no setor industrial. Essa redução, em termos de índice, é da ordem de 31 pontos percentuais, no comparativo das situações de agosto/89 e fevereiro/97.

Em síntese, arriscamos pensar que: para cada 100 residentes do ABC que trabalhavam no setor industrial em 1989, em fevereiro/1997 existiriam 69, não necessariamente os mesmos.



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