Economia

Kasinski ainda
espera resposta

DA REDAÇÃO - 05/08/1998

Estacionado na boa vontade dos Poderes Públicos, mas com sinal no amarelo, o que ainda significa abertura à possibilidade de viabilização. É com essas metáforas que o ex-ministro do Trabalho Murilo Macedo, hoje executivo da Fundação Abraham Kasinski, define a situação do projeto de erguer em Mauá a sonhada Universidade do Trabalhador. Depois do veto dos ecologistas ao uso do Parque Guapituba, o que abriu sinal vermelho à concretização dessa que será uma escola de vanguarda de Terceiro Grau no Grande ABC, o amarelo voltou a acender com a sugestão da Prefeitura de área do INSS próxima ao Paço Municipal. Mas a largada com o brilho do sinal verde só será dada com o desimpedimento total do Ministério da Previdência Social na parte legal, além da compatibilidade do terreno do INSS à arquitetura e engenharia já traçadas para a universidade no Guapituba. "Só vamos reestudar o assunto depois desses dois pré-requisitos" -- comenta Macedo.


Tanto o idealizador Abraham Kasinski quanto o articulador Murilo Macedo confessam que perderam o entusiasmo original com a Universidade do Trabalhador diante dos obstáculos sucessivos. A Prefeitura de Santo André, inclusive, chegou a flertar Kasinski. Mas a secretária de Planejamento e Meio Ambiente de Mauá, Josiene Francisco da Silva, se diz animada. O que ouve de Brasília é que a tramitação está demorada devido aos remanejamentos no Ministério por causa das desincompatibilizações para as próximas eleições, o que atingiu o próprio ex-ministro Reinold Stephanes. Sua esperança está no chefe de gabinete da Previdência, José Tinoco, que permanece no cargo e já declarou apoio à causa, já que o pedido de liberação da área de 220 mil metros quadrados do INSS foi vinculado a fins exclusivamente educacionais. O contato de cobranças em Brasília está sendo o deputado Jair Meneguelli. 


"Temos visão do valor de uma Universidade do Trabalhador não só para Mauá, mas para o Grande ABC, já que se trata de ensino de novas tecnologias para atender às empresas dentro da realidade globalizante em que vivemos. Um dos cursos, de química fina, interessa particularmente ao pólo petroquímico que tanta importância tem para o desenvolvimento regional. O terreno do INSS está desocupado e é mais central, próximo do Paço, portanto de melhor acesso" -- sublinha Josiene.


A secretária atenua a pressão dos ecologistas contra o uso do Parque Guapituba. Argumenta que além de a área ser preservada pelo Código Florestal Federal, a nova lei de crimes ambientais, em vigor desde março último, inviabilizou qualquer intervenção no parque, que, entre outros, sedia araucárias seculares. "O Parque Ecológico de Lavras, em Minas, recuperado pela Fundação Abraham Kasinski, era local absolutamente degradado. Foi possível explorar ali recursos paisagísticos e hidrológicos, já que havia também interesse comercial no potencial da água. O Guapituba já era área preservada" -- justifica Josiene, em resposta à argumentação da Fundação de que em Lavras o valor ecológico foi prioridade zero, algo que se repetiria no Guapituba. Naquela cidade mineira, Abraham Kasinski abriu negócio de engarrafamento de água.


O megaempreendimento educacional projetado pelo ex-comandante da Cofap pretende ser uma universidade vocacionada para formar tecnólogos em quatro áreas: eletromecânica, química fina, práticas comerciais e secretariado executivo. Serão a princípio 450 vagas em cursos com duração de três anos e conteúdo pedagógico em dia com tecnologias avançadas e modernos modelos de gestão. A Fundação comprometeu-se a destinar 50% das vagas para moradores de Mauá, além de 10 bolsas de estudo. Uma inovação está na distribuição da carga horária. A idéia é criar turnos em horários compatíveis com jornadas de trabalho dos estudantes, segundo consta de prospecto encaminhado ao Conselho Nacional de Educação. A universidade também será capacitada a realizar atividades de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) para empresas da região. O tecnólogo é uma qualificação intermediária entre técnico de Segundo Grau e formação com curso superior. De doutores, diz Kasinski, o Brasil está cheio. Faltam técnicos melhor preparados.


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