Economia

Agora, apenas uma
Volkswagen de perdas

DA REDAÇÃO - 05/08/1999

O desemprego industrial do Grande ABC reduziu levemente de tamanho na comparação ponta a ponta entre junho do ano passado e junho deste ano e o respectivo período maio-maio. Em vez de 23 mil desempregados industriais, agora são 20 mil. Isto é: a região perdeu apenas uma Volks/Anchieta de empregos, contra uma Volks/Anchieta e uma Scania do período anterior. Esse é um dos resultados da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) realizada pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análises e Dados) e Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) para o Consórcio Intermunicipal de Prefeitos do Grande ABC. O estudo constatou que a taxa de desemprego na região, em junho, manteve-se estabilizada em 22,5%, o que interrompe trajetória ascendente dos últimos seis meses. O contingente de desempregados foi estimado em 264 mil pessoas. A taxa de desemprego na Grande São Paulo é de 19,9%. 


A reversão do quadro de pessoas sem trabalho no Grande ABC é espécie de transatlântico, cuja mudança de rota é vagarosa. A expectativa de que a estabilidade apontada em junho altere o curso e se possa comemorar queda da recordista taxa é estimulada pelo histórico de pesquisas da Fundação Seade, segundo explicou a especialista Paula Montagner, que anunciou no final de junho os resultados da PED na sede da Agência de Desenvolvimento Econômico. Paula Montagner afirmou que a tendência na Capital, há 14 anos sob a mira dos especialistas do Seade, é de aquecimento econômico e do emprego no segundo semestre.  


Se depender da torcida de Armando Barros de Castro, titular da Agência de Desenvolvimento Econômico, braço estratégico da Câmara Regional, o encontro deste mês para anunciar a nova taxa de desemprego vai ser motivo de comemoração. Ele acredita na reversão do quadro diante dos números revelados por Paula Montagner: foram criadas 19 mil vagas industriais em junho, contra eliminação de duas mil ocupações no comércio e 13 mil no setor de serviços. 


A esperada reação da indústria agregaria maiores condições de recuperação da economia regional. A nacionalização de autopeças provocada pelo encarecimento das importações e a redução da carga tributária dos veículos novos são interpretadas como as principais razões do crescimento do emprego industrial em junho. Armando de Castro observa como positivo o fato de que a economia brasileira não acusou o mesmo solavanco sofrido pelos asiáticos, pós-desvalorização da moeda. "As previsões catastróficas de inflação e de queda do PIB (Produto Interno Bruto) não se confirmaram" - lembrou.


O acumulado da taxa de desemprego no período junho/98-junho/99 expõe a dependência do Grande ABC do setor automotivo, que passa por sérias dificuldades: enquanto na Grande São Paulo a taxa de 12 meses de crescimento do desemprego é de 4,7%, os sete municípios da região acumulam 15,4%. 


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